
Portugal está sob uma pressão cada vez mais forte dos seus pares da zona euro para pedir a ajuda do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FESF), de modo a acalmar o nervosismo dos mercados financeiros e evitar um contágio da especulação financeira a outros países.
A pressão está a ser exercida de uma forma indirecta, mas explícita, quando mais não seja pelo facto de vários responsáveis europeus terem começado a mencionar abertamente a possibilidade de uma ajuda a Portugal, o que nunca aconteceu até aqui.
Jean-Claude Juncker, primeiro ministro do Luxemburgo e presidente do Eurogrupo, considerou, em resposta a jornalistas, em Paris, que uma ajuda de uma ordem de grandeza de 75 mil milhões de euros poderá ser “apropriada”.
Interrogado se Portugal vai ser objecto de ajuda, aliás, Juncker respondeu: “Não o excluo”.
“Sempre pensei que seria útil organizar uma ajuda, simplesmente porque isso permite pagar menos encargos sobre a dívida (...) e pedir menos esforços, por vezes muito pesados, à população”, afirmou por seu lado Didier Reynders, ministro belga das Finanças, à margem de um encontro da família liberal europeia que precedeu a cimeira de líderes da União Europeia (UE) desta tarde. “Estamos evidentemente prontos para intervir e ajudar mas é preciso primeiro um pedido de Portugal”, lembrou.
Mark Rutte, primeiro-ministro da Holanda, afirmou que está “muito preocupado” com a situação portuguesa e lembrou que uma eventual ajuda só pode ser desbloqueada em troca de um programa rigoroso de redução do défice orçamental.
A crise política em Portugal, provocada pela demissão do Governo, vai ser catapultada para o centro das discussões da cimeira europeia que arranca às 16 horas. Acima de tudo, os europeus querem saber quais são os planos de Sócrates e averiguar as possibilidades de reunir um consenso nacional em torno de um programa de consolidação orçamental.
(Público – 24/3/2011)
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