
Todo aquele que exerce uma profissão merece um salário justo, a começar pelos que realmente sustentam, com o seu árduo trabalho, a máquina pública. Além de criarem a riqueza do país.
Em Portugal, todavia, preferem pagar salários baixos a quase todos, salvo àqueles que pertencem ao “clube” e fazem, portanto, parte das chefias, directorias e administrações…
Um povo realmente educado, jamais aceitaria de forma passiva aquela centenária estratégia de acumulação de riqueza nas mãos duns quantos, o que sempre foi a manutenção do povo distante da escola, da educação, apático e dormente.
O abusivo reajuste dos proventos com que os parlamentares se auto-premeiam é, talvez a razão do “excessivo zelo” pela coisa pública e, para compensar o trabalho no Parlamento, como todos estamos cansados de saber…
A respeito desse despudorado e afrontoso acto legislativo, em proveito próprio, o que alguns chamam corrupção, faz com que os portugueses menos bafejados pela sorte, sejam vítimas da cobiça e da voracidade dos políticos seus representantes. Não se pense que o assalto aos cofres públicos se resume a isso, a essa vergonhosa atitude, uma vez que, frequentemente, deputados e ministros entram-nos no bolso através de “laranjas” e empresas fantasma, dinheiro e emendas. O saque às finanças do Estado e municípios, resultante disso, os consequentes aumentos de remunerações e benefícios auto-atribuídos, «para dignificar a classe política» – como disse alguém - pelos deputados, é vergonhosa.
Depois, ouve-se dizer: “Eu não tenho religião. Não vou à igreja, não participo em rituais, não acredito nos seus dogmas. Sou agnóstico. Não preciso de ter religião para amar a Deus sem medo, com alegria e, principalmente, sem nada pedir! (Não podem ter tão fraca memória que não recordem que tudo ou quase tudo tiram aos mais fracos, aos mais pobres) … e continuam:
“Não tenho religião, porque não concordo com as coisas que elas, todas elas dizem de Deus. Deus, meus senhores, é um Grande Mistério. Está para além das palavras. E, então, diante do grande mistério, calamo-nos. Fica o silêncio.»
“Discordo a partir do pronome «ele». Deus “ele” é masculino? Onde foi que souberam do sexo de Deus? Deus tem sexo? Se o tem, porque não ela? Deus mulher!”
Como a mulher do Cântico dos Cânticos? A Igreja católica não conhece a mulher. Conhece apenas a «mãe», que o foi sem ter sido mulher… Deus: porque não uma flor? A mais perfumada? Porque não um mar sem fim, onde se navega? Místicos houve que disseram que Deus é uma criança que nos convida a brincar… Mas pode ser também que Deus seja música, como pensaram os místicos pitagóricos.
Ter uma religião é pronunciar as palavras sagradas daquela religião e acreditar nelas. As religiões distinguem-se e separam-se pelas diferenças das palavras que usam para se referir ao sagrado. Se nada dissessem, se houvesse apenas o silêncio diante do Grande Mistério, a Babel das religiões não existiria.
Diante do Grande Mistério, apenas uma palavra é permitida, a palavra poética, porque a poesia não o diz, mas apenas aponta para ele. O Grande Mistério está para além das palavras. E é por isso que os portugueses vivem como vivem, calados, submissos, apáticos… talvez adormecidos…
(Enviado por um Amigo)
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