quarta-feira, 23 de março de 2011

Pobre Europa, pobres de nós…


O caso da Irlanda é um impressionante exemplo do sucesso das reformas liberais. Aderiu ao capitalismo global e isso permitiu um enorme crescimento económico.

Dá um espectáculo em toda a Europa na última década. Somente a Espanha se aproxima do nível irlandês, também como resultado de várias reformas liberais.

“Quem te viu e quem te vê…”

Porque, pressionada pela fuga de depósitos dos seus bancos, já periclitantes, a Irlanda, que garantia não precisar de ajuda, pelo menos até meados de 2011, capitulou a 22 de Novembro.

Receberá 90 biliões de euros em empréstimos do FMI e do BCE, mas terá de cumprir um plano de recuperação de quatro anos, que prevê um corte de 20% das despesas públicas até 2014, despedimento de 25 mil funcionários, redução do salário mínimo, de 8,65 para 7,65 euros por hora, corte nas aposentações e aumento dos impostos. E os neoliberalistas do costume, dizem o quê? Foi azar?

Quando interrogados, fazem lembrar aquele advogado que conduzia distraído quando, num Stop, passou sem parar, mesmo nas barbas dum carro patrulha, que de imediato o segue e manda parar.

Um dos agentes sai do carro, dirige-se ao advogado, cumprimentando-o respeitosamente: «Boa tarde. Queira mostrar-me os documentos do carro e também os seus, com a devida carta de condução.

O ‘astuto’ advogado limita-se a perguntar: “mas… porquê, Sr. agente?”

«Porque o Sr. não parou no Stop ali atrás.» “Eu diminui a velocidade e, como não vinha ninguém….” (Entretanto um outro carro patrulha parou e os agentes aproximaram-se do colega…)

«Faça o favor de mostrar os documentos que pedi.» “O Sr. agente sabe qual é a diferença jurídica entre abrandar e parar?» “A diferença, é que a lei diz que num sinal de Stop se deve parar completamente. Mostre-me os documentos.” «Ou não, Sr. agente. Sou advogado e sei as suas limitações na interpretação do texto da lei. Proponho-lhe o seguinte. Se conseguir explicar-me a diferença entre abrandar e parar, dou-lhe os documentos e o Sr. pode multar-me. Se não, vou-me embora sem a multa”.

«Certamente, aceito. Pode fazer o favor de sair do veículo, Sr. advogado?»

Quando o advogado sai, os agentes desatam a agredi-lo, bastonadas, pontapés, socos por todo o corpo…

Então, o advogado grita a pedir socorro e implora que parem. E o agente pergunta-lhe: «Quer que paremos ou que abrandemos?» “Parem. Parem!!!” «Muito bem; documentos!»

Muitos foram, muitas as vozes que pediram ao governo português que parasse com as políticas neoliberais. Muitos foram os que pretenderam acautelar Portugal do que se sabia seria inevitável… Mas o governo nem abrandou, pelo contrário, acelerou rumo à catástrofe que se avizinha, que se vive já entre os mais pobres.

E hoje, tal como aconteceu com a Grécia e com a Irlanda, estamos a caminho da bancarrota, da obrigatoriedade de recebermos o FMI e as ajudas do BCE, depois de termos contribuído com tantos biliões que na ajuda à Grécia quer à Irlanda, dificultando cada vez mais a vida ao bom povo português.

Certamente, estamoa a precisar de alguns que exliquem cabalmente o que é abrandar e parar aos governantes. Porque, se a procissão ainda nem saiu do adro, o que é verdade é que a vida dos cidadãos já se tornou num verdadeiro calvário.

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