
A pobreza não deveria ser uma sentença da vida. Até agora foram gastos três triliões de dólares em pacotes de estímulos económicos para recuperar bancos. Um por cento dessa verba poderia alimentar 59 milhões de crianças com fome durante um ano. Algo precisa de ser mudado.
“Os animais” não são palhaços. É preciso parar com a catástrofe humanitária. Pessoas com desordens alimentares precisam de apoio. Um abusador nunca se reconhece como tal, e Há-os aos montes, por aí…
A natureza não é reciclável. O silêncio dos políticos causa damasiados danos sociais.
É preciso encarar os problemas antes que seja demasiado tarde. As florestas, se bem cuidadas, duram toda a vida. O abuso verbal pode também ser horrendo.
A pele duma criança é dez vezes mais sensível e arde quarenta vezes mais rápido que a dum adulto, não sendo surpreendente que a maioria das queimaduras sejam fatais em menores de quatro anos.
O alcool é muito mai prejudicial que uma arma na mão dum condutor. O que estão a fazer com o nosso mundo deve atormentar-nos.
Enquanto algumas crianças e adultos passam fome e graves privações, que as marcam para toda a vida e os matam mais rapidamente, andam po aí alguns, bastantes, “Quixotes de Ferrari”.
Não condeno o dispendioso gosto automobilístico de quem tem recursos para adquirir esses bólides. O que comove é ver o contraste entre a opulência e a pobreza, não apenas no mundo, mas no meu país.
Os tais “Quixotes” lembram o herói de «As Invasões Bárbaras», o filme canadiano que aborda o fim do humanismo. Nele, um intelectual com cancro em fase terminal, despede-se do mundo sob os cuidados dos companheiros e amigos de juventude, todos eruditos e de esquerda, e do filho, jovem economista neoliberal.
Pragmático e atencioso, o rapaz administra a morte do pai como quem comanda o encerramento do balanço duma empresa. Sem o filho, o velho socialista acabaria os seus dias numa versão canadiana dos subsidiados pela segurança social portuguesa. Como ele morre confortavelmente irritado, com a constatação de que todos os seus anseios juvenis de igualdade foram pelo cano abaixo.
Um abismo separa o idealismo do progenitor da prática mercantil do filho. A mesma discrepância que separa os ferraris dos “Quixotes” dos “museus” públicos da mendicidade, da indigência forçada e cada vez em maior número.
Eles também atrelam os seus discursos á educação, mas as bandeiras dos seus actos são os assuntos do momento. Estão presentes tanto em filmes-catástrofes, dramas bem lusitanos, como em livros. Todos são empresários que souberam olhar pela sua vida e transformar o discurso verde e rosa em lucros e dividendos.
Essas bandeiras, aliadas ao “carisma” que se arogam, fazem-nos chegar a uma percentagem do povo. Seria um milagre poder-se inverter as situações, inverter os papeis que cada “espécie” desempenha na sociedade. O facto de poder haver uma diferença no nível de ensino educativo, é uma das razões da própria educação ser a mais frágil das necessidades básicas de Portugal e, imerecidamente uma das mais esquecidas durante as campanhas e muito (mal) lembrada durante a legislatura.
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