
Não consigo compreender a razão que me impede, como a outras pessoas, de admirar os Estados Unidos. Lamentei a morte de Kennedy e Martin Luther King, mas não há maneira, uma vez que não consigo tragar o tal “american way of life”.
Até aprecio a produção cultural norte americana, a sua literatura, grande parte dos seus filmes e escritores como Faulkner e Baldwin… Mas, quanto à sua decantada democracia e o seu papel de polícia do mundo, não! Aí, não! O assunto reveste-se de inquestionável transcendência. O mundo já está cansado da intromissão directa das siglas CIA, FBI, DEA, Marines ou, indirecta, como o FMI, ONU, OEA e OTAN (onde prevalece a visão americana e corporativa do mundo capitalista), e outras menos conhecidas pelo grande público, mas não menos importantes e perniciosas.
Desde que a Segunda Guerra Mundial desmontou o poder hegemónico da europa sobre o mundo, expondo as vísceras dum colonialismo perverso e ultrajante de países como a Alemanha, Holanda, Inglaterra, Itália, Espanha, França e Portugal, esse lugar foi ocupado pelos Estados Unidos, que soube, mais que ninguém, aproveitar-se da oportunidade oferecida pelas circunstâncias da luta contra o nazi/fascismo, entre outros factores, e assumir o papel de «gendarme» da humanidade.
Ao ajudar a combater o eixo Roma/Berlin/Tóquio e eliminar o fantasma do mundo governado por um psicopata como Hitler, os States envolveram-se num manto de simpatia mundial, que muito bem souberam canalizar para a defesa dos seus interesses económicos e estratégicos, aos poucos disseminado e sustentado por uma poderosa máquina de manipular ideias e consciências, através da rádio, da imprensa, do cinema e da televisão. Pode mesmo dizer-se que os últimos sessenta anos vividos pela humanidade, se caracterizaram por uma fenomenal propaganda em prol dum sistema económico que transforma a água em vinho, multiplica os pães, mas deixa na miséria 90% da população mundial. E não são poucos os Pilatos que lavam as mãos face a tal situação.
Coreia, Vietname, Indonésia, ditaduras pela América Central e do Sul nos anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, apoio a genocídios africanos, apoio a golpes de estado em países como o Chile, Brasil, Argentina, Bolívia, Uruguai, nos anos 60/70, Kosovo, Haiti, Honduras em anos mais recentes dão, apesar do volume de acções, uma pálida ideia da intromissão dum país autoritário e cooperante na vida política doutros povos.
A livre concorrência e a defesa de interesses económicos, dão aos EUA, no limite dos seus direitos adquiridos e na prática duma diplomacia minimamente civilizada, conforme as próprias leis que regem o sistema capitalista, a possibilidade de se fazerem ouvir em qualquer ponto do planeta. Contudo, direito igual têm todos os outros países da comunidade internacional, mas não é esse o filme a que se assiste. Apoiado por uma máquina de guerra poderosa, onde se destacam as armas nucleares (negadas ou permitidas a outros países conforme as alianças que se fazem), a hipocrisia da política americana é de transformar o lago da tragédia de Shakespear numa verdadeira Madre Teresa de Calcutá.
Conseguirá Barak Obama mostrar ter merecido o Prémio Nobel da Paz, ou esse galardão de nada serviu?
Sem comentários:
Enviar um comentário