
Há que lutar muito para afastar o clima de angústia, de incerteza no futuro, como o que se está a viver na Europa. Não só porque as notícias da economia são todos os dias piores e porque não se sabe onde vamos parar mas, sobretudo, porque em vez de transmitir a sensação de que, antes ou depois, reverterão a situação, os líderes dos países e os colectivos supra-nacionais, parecem tanto ou mais perdidos que qualquer cidadão.
O pior da Senhora Merkel não são os seus erros na gestão da crise grega, senão que se deixou arrastar pelas atitudes mais histéricas e nacionalistas da sua opinião pública.
Com a que está a cair, Nicolas sarjozy está empenhado num debate “estúpido” (Le Monde dixit) sobre a burka.Os dirigentes dos dois grandes parttidos britânicos são humilhados pela ascensão de Nick Cllegg, um tipo “macho”, que só sobe porque muita gente já não acredita nem nos laboristas nem nos conservadores.
Vence a orfandade política. E a ascensão da ultra-direita, também em Portugal, reflecte, em parte, esse sentimento.
Aqui, a sessão de sexta no Parlamento foi uma nova marretada na esperança. O PSD, uma vez mais, tornou Sócrates em responsável de todos os males da economia portuguesa, exagerando, feliz. As palmas fizeram-se ouvir, pois a sua bancada aplaudiu, sorrindo, como se a encantasse o drma que entre nós se vive.
Sócrates, de novo, disse que a situação começa a melhorar. Como se pensasse que alguém acredita. E os seus também o aplaudiram, não menos felizes.
Ninguém pode dizer-lhes, a uns e a outros, que já não se pode aplaudir, e que têm de mostrar-se sérios, compungidos, que é como aas pessoas andam nas ruas e em suas casas?
Porque, precisamente quando brincavam às “bulhas”, a uns metros dali, a bolsa caía, e muito. E em Farkforte e em Londres, o preço da dívida pública portuguesa voltava a subir.
E o Parlamento dava um passo de consequ~encias imprevisíveis no conflito entre os portugueses e Portugal.
E, em cima deles, o desemprego. E logo dirão que o que têm são problemas de comunicação.
Sem dúvida, o grande deus da economia não pode ser procurado no Banco Central Europeu, nem no FMI, nem tão-pouco na Reserva Federal dos Estados Unidos- Ao fim e ao cabo, esres deuses são eleitos pelas administrações e, em consequência, têm um cargo untado pelo vencimento.
O verdadeiro deus económico é o que chama o Apocalipse e arroja os países para as trevas, onde tudo é pranto e rilhar de dentes.
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