terça-feira, 29 de março de 2011

Os horários dos professores



vale a pena ler REALMENTE!!

(talvez a profissão mais importante e responsável que existe)

Isto “ corre na internet “

Espero e aceito que todos os que fazem parte dos meus amigos internautas me digam de sua justiça sobre este assunto .

Eu aguardo

Eis uma boa resposta. Guarda para memória futura.

*Resposta ao Caríssimo que veio aos jornais INDIGNAR-SE contra os
professores.*

*Tal demonstra bem como os profs trabalham tanto e "nem se dá por ela". *


Caro anónimo indignado com a indignação dos professores,

Homens (e as mulheres) não se medem aos palmos, medem-se, entre outras
coisas, por aquilo que afirmam, isto é, por saberem ou não saberem o que
dizem e do que falam.

O caro anónimo mostra-se indignado (apesar de não aceitar que os professores
também se possam indignar! Dualidade de critérios deste nosso estimado
anónimo... Mas passemos à frente) com o excesso de descanso dos professores:
afirma que descansamos no Natal, no Carnaval, na Páscoa e no Verão,
(esqueceu-se de mencionar que também descansamos aos fins-de-semana). E o
nosso prezado anónimo insurge-se veementemente contra tão desmesurada dose
de descanso de que os professores usufruem e de que, ao que parece, ninguém
mais usufrui.

Ora vamos lá ver se o nosso atento e sagaz anónimo tem razão. Vai
perdoar-me, mas, nestas coisas, só lá vamos com contas.

O horário semanal de trabalho do professor é 35 horas. Dessas trinta e
cinco, 9 horas são destinadas ao seu trabalho individual, que cada um gere
como entende. As outras 26 horas são passadas na escola, a leccionar, a dar
apoio, em reuniões, em aulas de substituição, em funções de direcção de
turma, de coordenação pedagógica, a resolver problemas disciplinares (e
outros do foro da psicologia, da assistência social,...), etc., etc.

Bom, centremo-nos naquelas 9 horas que estão destinadas ao trabalho que é
realizado pelo professor fora da escola (já que na escola não há quaisquer
condições de o realizar): preparação de aulas, elaboração de testes,
correcção de testes, correcção de trabalhos de casa, correcção de trabalhos
individuais e/ou de grupo, investigação e formação contínua. Agora, vamos
imaginar que um professor, a quem podemos passar a chamar de Simplício, tem
5 turmas, 3 níveis de ensino, e que cada turma tem 25 alunos (há casos de
professores com mais turmas, mais alunos e mais níveis de ensino e há casos
com menos - ficamos por uma situação média, se não se importar). Para
sabermos o quanto este professor trabalha ou descansa, temos de contar as
suas horas de trabalho.

Vamos lá, então, contar:

1. Preparação de aulas: considerando que tem duas vezes por semana cada uma
dessas turmas e que tem três níveis diferentes de ensino, o professor
Simplício precisa de preparar, no mínimo, 6 aulas por semana (estou a
considerar, hipoteticamente, que as turmas do mesmo nível são exactamente
iguais -- o que não acontece -- e que, por isso, quando prepara para uma
turma também já está a preparar para a outra turma do mesmo nível). Vamos
considerar que a preparação de cada aula demora 1 hora. Significa que, por
semana, despende 6 horas para esse trabalho. Se o período tiver 14 semanas,
como é o caso do 1.º período do presente ano lectivo, o professor gasta um
total de 84 horas nesta tarefa.

2. Elaboração de testes: imaginemos que o prof. Simplício realiza, por
período, dois testes em cada turma. Significa que tem de elaborar dez
testes. Vamos imaginar que ele consegue gastar apenas 1 hora para preparar,
escrever e fotocopiar o teste (estou a ser muito poupado, acredite), quer
dizer que consome, num período, 10 horas neste trabalho.

3. Correcção de testes: o prof. Simplício tem, como vimos, 125 alunos, isto
implica que ele corrige, por período, 250 testes. Vamos imaginar que ele
consegue corrigir cada teste em 25 minutos (o que, em muitas disciplinas,
seria um milagre, mas vamos admitir que sim, que é possível corrigir em tão
pouco tempo), demora mais de 104 horas para conseguir corrigir todos os
testes, durante um período.

4. Correcção de trabalhos de casa: consideremos que o prof. Simplício só
manda realizar trabalhos para casa uma vez por semana e que corrige cada um
em 10 minutos. No total são mais de 20 horas (isto é, 125 alunos x 10
minutos) por semana. Como o período tem 14 semanas, temos um resultado final
de mais de 280 horas.

5. Correcção de trabalhos individuais e/ou de grupo: vamos pensar que o
prof. Simplício manda realizar apenas um trabalho de grupo, por período, e
que cada grupo é composto por 3 alunos; terá de corrigir cerca de 41
trabalhos. Vamos também imaginar que demora apenas 1 hora a corrigir cada um
deles (os meus colegas até gargalham, ao verem estes números tão minguados),
dá um total de 41 horas.

6. Investigação: consideremos que o professor dedica apenas 2 horas por
semana a investigar, dá, no período, 28 horas (2h x 14 semanas).

7. Acções de formação contínua: para não atrapalhar as contas, nem vou
considerar este tempo.

Vamos, então, somar isto tudo:

84h+10h+104h+280h+41h+28h=547 horas.

Multipliquemos, agora, as 9 horas semanais que o professor tem para estes
trabalhos pelas 14 semanas do período: 9 hx14= 126 horas.

Ora 547h-126h=421 horas. Significa isto que o professor trabalhou, no
período, 421 horas a mais do que aquelas que lhe tinham sido destinadas para
o efeito.

Vamos ver, de seguida, quantos dias úteis de descanso tem o professor no
Natal.

No próximo Natal, por exemplo, as aulas terminam no dia 18 de Dezembro. Os
dias 19, 22 e 23 serão para realizar Conselhos de Turma, portanto, terá
descanso nos seguintes dias úteis: 24, 26, 29 30 e 31 de Dezembro e dia 2 de
Janeiro. Total de 6 dias úteis. Ora 6 dias vezes 7 horas de trabalho por dia
dá 42 horas. Então, vamos subtrair às 421 horas a mais que o professor
trabalhou as 42 horas de descanso que teve no Natal, ficam a sobrar 379
horas. Quer dizer, o professor trabalhou a mais 379 horas!! Isto em dias de
trabalho, de 7 horas diárias, corresponde a 54 dias!!! O professor Simplício
tem um crédito sobre o Estado de 54 dias de trabalho. Por outras palavras, o
Estado tem um calote de 54 dias para com o prof. Simplício.

Pois é, não parecia, pois não, caro anónimo? Mas é isso que o Estado deve,
em média, a cada professor no final de cada período escolar.

Ora, como o Estado somos todos nós, onde se inclui, naturalmente, o nosso
prezado anónimo, (pressupondo que, como nós, tem os impostos em dia)
significa que o estimado anónimo, afinal, está em dívida para com o prof.
Simplício. E ao contrário daquilo que o nosso simpático anónimo afirmava, os
professores não descansam muito, descansam pouco!

Veja lá os trabalhos que arranjou: sai daqui a dever dinheiro a um
professor. Mas, não se incomode, pode ser que um dia se encontrem e, nessa
altura, o amigo paga o que deve.

* Para que seja clarificada a situação, para que todos estejamos
correctamente informados , por favor, reencaminhem para todos os amigos,
conhecidos e anónimos!!!*

--
“O que sabemos é uma gota, o que ignoramos é um oceano”.


* Isac Newton*
(talvez a profissão mais importante e responsável que existe)

lélio m p o

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