sábado, 16 de abril de 2011

«Voltar a crescer: esse é o problema de Portugal»


Essa é a prioridade. Mas para lá chegar fica o aviso: «Vai ser doloroso»

Pelas piores razões, Portugal é o país do momento. Para o director geral do FMI, só há uma saída: a economia portuguesa tem de crescer bastante acima da média de 1% dos últimos 10 anos.

«Voltar a crescer. Esse é o problema. Aumentar a produtividade: é isso que temos que tentar ajudar Portugal a conseguir fazer. Estamos agora a discutir com o Governo português», disse o director do FMI, em entrevista exclusiva à TVI.

E para o leitor, o que é preciso fazer para o país crescer?

«Ainda é um pouco cedo para termos uma avaliação, mas olho para o problema em duas perspectivas diferentes. Há problemas imediatos que têm de ser resolvidos em que vamos ajudar. No sector bancário, também. Muito bem... isso é uma coisa. Mas não é só isso».

Dominique Strauss-Kahn avisa que «a real tarefa é tornar a economia portuguesa mais competitiva. O grande pacote de medidas importantes são para o crescimento».

Única certeza: «Vai ser doloroso»

Aparentemente não há segredos para alcançar esse crescimento que Portugal precisa como pão para a boca. Strauss-Kahn avisa que vamos sofrer cortes orçamentais dolorosos e durante muitos anos. Até porque «um país não pode gastar mais do que aquilo que tem por muito tempo. Esse foi o caso de Portugal».

Como chegar ao crescimento é que é uma questão mais difícil de responder.

«Bom, para avaliar isso preciso de ter mais informação. Mas vai demorar algum tempo. Não quero ser complacente, não posso dizer que vai ser fácil e rápido. Não vai ser fácil nem rápido. Mas é simplesmente necessário».

Primeiro, «preciso que a minha missão que está em Portugal regresse com toda a informação e detalhes e, nessa altura, com toda a informação, estarei em condições de ter uma avaliação mais precisa».

Até lá, há apenas uma certeza: «Vai ser doloroso. É por isso que temos de evitar que volte a acontecer e é por isso que uma política para o crescimento é absolutamente necessária».

Quem decide o que fazer, afinal?

A verdade é que esta é a terceira vez que o FMI intervém em Portugal. Desta feita, depois de os técnicos chegarem ao diagnóstico, o FMI recomendará um pacote de medidas que poderão ser ajustadas com a participação do Governo.

«Bom, compete ao Governo decidir a forma como pretende restaurar a sustentabilidade das contas públicas. O FMI dá conselhos, indica o plano correcto, o que deve ser feito. Depois perguntamos, como é que querem chegar lá? É assim que funcionamos».

Aí, «o Governo faz propostas e indica o caminho que pretende fazer. Nós avaliamos e dizemos `muito bem, mas o que estão a propor não será assim tão eficaz como dizem`. Há uma discussão. No fim, chegamos a um acordo. Mas o acordo faz parte de um programa com base no que o Governo propõe. Nós fazemos o enquadramento».

Strauss-Kahn dá um exemplo: «Dizemos: o défice é muito alto, vocês precisam de reduzi-lo. Na realidade, nós não somos nenhuns abutres».

De imediato é preciso atacar com medidas de correcção das contas públicas. Nesse campo, o FMI defende um ajustamento mais lento e diz que é preferível fazer exigências realistas.

E para o leitor, o que é preciso fazer para o país crescer? Deixe a sua opinião na caixa de comentários!

(Agência Financeira – Diário.Iol.pt - 16/04/2011)

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