terça-feira, 12 de abril de 2011

Os fardos inúteis



Reza a lenda que, dois monges atravessavam uma área deserta quando, diante dum violento rio, avistaram uma bela jovem que tentava atravessá-lo sem sucesso.

Um dos monges, não sem dificuldades, atravessou o rio e, colocando a rapariga nas suas costas, conseguiu atravessar o rio em segurança.

Decidida e grata, comovida com o gesto do monge, a jovem abraçou-o e seguiu o seu caminho.
Retomando a jornada, o outro monge, que a tudo assistira calado, repreendeu o amigo, dizendo-lhe que o contacto carnal tido com a jovem, da tentação de ter aquele contacto mais directo com uma mulher, o que era proibido pelas suas leis. E, durante um bom trecho do caminho, aquele monge falou sobre a mulher e sobre om pecado cometido, até que aquele que ajudou a jovem na travessia, disse:

«Caro amigo. Atravessei o rio com a jovem, deixei-a deste lado, mas tu continuas a carregá-la nos teus pensamentos…»

Todos sabemos que nos são dados fardos maiores aos que podemos suportar e, muitos do nossos fardos já poderiam ter sido abandonados noutras curvas da vida, mas insistimos em carregá-los.

Levamos as nossas dores e frustrações ao extremo. Dramatizamos demasiado, elevamos ao cubo cada dor, cada ofensa, cada contrariedade e, por isso, não conseguimos relaxar, perdoar ou mesmo ser felizes, pois o peso que vamos acumulando sobre os nossos ombro é demais para qualquer “cristão”.

O que pretendo é convidar todos a uma reflexão. Quais os fardos que cada um continua a carregar e quais os que já deixou para trás?

Qual é a dor que revive e que faz com que as velhas feridas voltem a sangrar?

Porque não conegur perdoar a quem o magoou? Quantas oportunidades tem perdido?

Desamarre-se dos velhos pensamentos, do espírito da revolta, da tristeza, porque já é tempo de desmontar o velho acampamento do comodismo e seguir em frente na longa jornada que a vida representa.

Quanto mais leve for a mochila, mais fácil é a subida rumo à paz e à felicidade.

E quando se sentir só, peça um pouco de silêncio e procure conversar com a noite, fazendo de cada ilusão uma promessa, e pense que o que passou… passou!

O ar pode estar pesado, mas o desejo de seguir, de lutar, é maior. Então, liberte-se dos preconceitos e deixe-se andar por aí…

Vá passear, ironize essa amargura e faça dela uma fértil sombra da amizade.
Não sinta medo de nada, porque a vida é assim: tudo é um eterno recomeço. Sempre existe um amanhã como saída, que pode ser feito de boas aventuras.

Olhe-se ao espelho e sorria, colocando nesse sorriso tudo o que de bom tem para dar, o que viu e ouviu, tudo de quanto gostou…

Afirme-se num só pensamento, de que os seus desejos serão realizados dalguma maneira, tudo é natural e lembre-se de que, nalgum lugar, há sempre quem se lembre de si, o que é muito bom.

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