segunda-feira, 4 de abril de 2011

População incapacitada


Quando uma adolescente com síndrome de Down começou a cantar, com uma voz espectacular, a maioria dos assistentes não pôde conter as lágrimas ante o prodígio que via e ouvia.

De baixa estatura, duns 20 anos, vestida naturalmente e com uma cara que irradiava alegria e segurança, estava a dar, com a sua atitude, uma maravilhosa lição de vida e, ao mesmo tempo, ratificava o belíssimo trabalho da instituição, e outras similares; através da arte encontra-se uma das melhores formas de superar diversas incapacidades.

Quão pouco respeito e que falta de consciência há pela que hoje se denomina população em situação de incapacidade. Nas contendas eleitorais anunciam-nos que tudo farão em prol dos incapacitados. Não chega, todavia, para assegurar uma política de segurança democrática, em clara referência àqueles que têm o mérito de mostrar ao país, meio cego, que os incapacitados existem e necessitam de apoios.

A doença de Alzheimer, por exemplo, é um transtorno cerebral que se apresenta em pessoas com mais de 60 anos sob a forma de demência.

Segundo estudos realizados, existem cerca de 160 mil pessoas afectadas em Portugal. Segundo se pode comprovar, há pouca vontade em ajudá-las, sobretudo às mais pobres, talvez por não renderem o desejado.., sabendo-se que, a continuar desta forma, não demorará muito tempo para que o número se eleve e tenhamos um país muito mais envelhecido e, em grande parte, demente.

João Paulo II era um papa viajante; ao encerrar o Ano Internacional e Europeu das Pessoas com Incapacidade, em 2003, expressou: «Uma sociedade que dê espaços unicamente aos membros plenamente funcionais, totalmente autónomos e independentes, não será uma sociedade dugna do ser humano.

A discriminação em virtude da eficiência não é menos condenável que a que se realiza em virtude da raça, do sexo ou da religião».

Teremos nós uma sociedade digna de todos os portugueses? Não!, porque não somos uma sociedade inclusiva nem equitativa nem, muito menos, tolerante. E o pior é que a exclusão social é limitativa do desenvolvimento humano. Por isso campeia a violência.

Uma sociedade inclusiva respeita e valoriza a diferença e contrói justiça, desenvolvimento, tolerância, respeito, solidariedade e democracia.

Os efeitos da cultura, em todas as suas manifestações, são tão mágicos, tão milagrosos, que está demonstrado ser o melhor meio, o caminho indicado para que as pessoas incapacitadas possam encontrar uma luz.

Todas as instituições devem adquirir o compromisso de contribuir, seja como for, música, pintura, dança, teatro e porque não leitura, com esses 10% da população nacional que está marginalizada.

Há aí uma boa esponsabilidade ética e um excelente compromisso social.

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