domingo, 24 de abril de 2011

Sobre a nacionalidade de Jesus


A) Três provas de que Jesus era judeu


1 - Assumiu os negócios do pai;
2 - Viveu em casa até os 33 anos;
3 - Tinha certeza de que a mãe era virgem, e a mãe tinha certeza de que ele era Deus.

B) Três provas de que Jesus era irlandês


1 - Nunca foi casado;
2 - Nunca teve emprego fixo;
3 - O último pedido dele foi uma bebida.

C) Três provas de que Jesus era italiano


1 - Falava com as mãos;
2 – Bebia vinho a todas as refeições;
3 - A mulher mais importante da sua vida era a mamma.

D) Três provas de que Jesus era americano (californiano mais precisamente)


1 - Nunca cortou o cabelo (hippie)
2 - Andava descalço (hippie)
3 - Inventou uma nova religião (hippie)

E) Três provas de que Jesus era francês


1 - Nunca mudava de roupa;
2 - Não lavava os pés;
3 - Não falava inglês.

F) Três provas de que Jesus era português


1 - Nunca tinha dinheiro;
2 - Vivia por milagre;
3 - Tornou-se membro do governo...

CONCLUSÃO: Não foi possível chegar a um consenso sobre a nacionalidade de Jesus.

Quanto a Judas !... Todos concordam que era um político capitalista lusitano.

(Enviado por um Amigo)

sábado, 23 de abril de 2011

A UNIÃO FAZ A FORÇA

Portugal. Oito ou oitenta…


Ó cabeças bem pensantes do meu país.

Certas rendas podem nem ter aumentado, mas também não foram aumentadas as pensões que as famílias recebem.

Se o forem para o próximo ano, após o habitual esforço terrível dos governantes para lhes dar à volta de mais oito a nove cêntimos por dia, continuam a necessitar desse apoio de 20% da renda que pagam.

Já viram, cabeças bem pensantes deste país, que são as mesmas pessoas que se vêm gregas para poderem fazer uma refeição por dia e comprar os medicamentos, pagar a luz e a água, vestir e calçar-se e pelo menos uma vez por mês pagar os transportes para irem receber a pensão de miséria que lhes dão?

Ó cabeças pensadoras do meu país.

Reflictam no que estão a fazer e reparem que nem Salazar fez tanto por tão pouco, matando milhares de portugueses à fome e sem tratamento.

As pessoas viviam e vivem sem qualquer qualidade de vida. Com os olhos que possuem, cabeças bem pensantes deste «jardim à beira mar plantado» reparem na miséria que se vive pelo país.

Olhem, porque basta olhar para a ver, pois salta aos olhos como se dum filme 3D se tratasse.

Ó cabeças bem pensantes deste país.

Em vez de gastarem dinheiro onde não se justifica, gastem-no com as pessoas que carecem de tudo e reparem que para alimentar as vossas «megalomanias» se estão a gastar fortunas com obras em escolas, onde se trabalha ao sábado também só para que possam estar apresentáveis para as festividades sobre a implantação da República ou outra qualquer, que muito tem que se lhe diga.

Há coisas, sim coisas, que se tornam revoltantes com as situações que criam.

Portugal – Bruxelas – Berlim


A abordagem sobre a excrescência neoliberal da terceirização do emprego ainda não arrefeceu entre nós e eis que já se condena essa anomalia no ecrã televisivo, sob o título «Comunicação ao País».

A terceirização da Administração Pública e o cruzamento de favores, está a resultar num amplo «empreguismo».

A terceirização, por não exigir concurso público para a contratação de empregados, é, na verdade, a larga porta para o nepotismo. É por essas portas que saem os poderosos ramos da árvore do apadrinhamento e a consequente burla à proibição do empreguismo, acomapnhada pelas concessões dos benefícios para familiares e amigos de agentes públicos das três esferas do poder: legislativo, executivo e judiciário.

Sobre a Alemanha, escreveu François Mauriac, próximo do General De Gaulle, exprimindo oficiosamente o seu pensamento: “Gosto muito da Alemanha, que prefiro haja duas”. Os aliados partilham a segunte visão: desde 1945 eles vêm a divisão da Alemanha em quatro zonas de ocupação.

As três primeiras – americana, britânica, fundida em bizona em 1946, depois em trizona com a francesa em 1948 – formam, a 23 de Maio 1949, a República Federal, que instala a sua capital na pequena cidade de Bona.

Quatro meses mais tarde, a 7 de Outubro, a zona Soviética transforma-se em República Democrática, cujas autoridades se fixam em Berlim Leste.

Passam 40 anos repletos de crises – após o bloqueio de Berlim, em 1948, virá em 1961 a construção do Muro – que ameaçará a paz no mundo, antes que essa decoração de teatro, inseparável do confronto entre os vencedores do nazismo se afunde e que a nação alemã se encarne de novo num só Estado unificado.

A acreditar em Helmut Kohl, a unificação iria transformar a Alemanha num país paraíso. É verdade, a mão/posta dos grandes grupos do Ocidente sobre o aparelho produtivo, a mão-de-obra e o mercado de Leste, estimularam um tempo de economia…

Mas, como o sabem bem os desportistas, o efeito da dopagem não é eterno. Os grandes patrões e o pessoal político ao seu serviço – de Kohl e Merkel, via a exportação, as privatizações, a descida de impostos para os ricos e as ajudas sociais para os pobres, etc…

O relevo de 2,3% da previsão de crescimento para 2011 não poderia mascará-lo: após a criação do euro, a Alemanha teve o mais fraco crescimento da zona euro, criou menos empregos que a França e conhece uma explosão de desigualdades. Deste balanço, a coligação de direita deveria pagar a factura eleitoral, como os rubro/verdes em 2009.

Entretanto, Portugal obedece cegamente às directrizes de Berlim e Bruxelas limita-se a assistir ao espectáculo dum povo que sofre as inclemências originadas pelas más governações (governanças), que têm conduzido o país e seu povo á miséria decadente.

Muito há a mudar neste jardim á beira-mar plantado e numa europa anti-social e selvaticamente capitalista.

(Dum Amigo)

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Já vi muita coisa…


Dizem-nos que devemos manter e aumentar – se possível – o patriotismo, que é preciso amar Portugal com todas as suas mazelas, que é necessário lutar por uma sociedade melhor – coisa possível – ou deixá-lo e ir tentar a sorte noutro país.

Depois, quando a casa cai, como se nada fosse – vem um terramoto, um tsunami, desemprego em massa, a polícia a meter na cadeia sem qualquer direito e os juízes a libertar… e, então, toca a implorar a ajuda do governo português, ir à imprensa alardear que se é português, que se quer ser repatriado…

E se ficar aqui nesse barco, tem de se ajudar a tapar os furos – tantos que são – não fingir que se anda à boleia, que nada se tem a ver com os buracos – como faz a maioria dos causadores dos ditos.

Portugal é resultado da soma que fazemos, que nossos pais, avós, tios, primos, antepassados e ancestrais fizeram e que os nossos descendentes irão fazer.

Portugal não é um ente sobrenatural acima de todos. Portugal somos nós! Nós, exclusivamente, nós, que determinamos o que o solo em que vivemos é e será.

Resultado das nossas escolhas, de que fazemos ou do que deixamos de fazer… e vamos isentar os passarinhos que nos depositam em cima da cabeça – quando instalados num ramo de árvore ou fio eléctrico ou mesmo em voo – o resultado do esvaziar das suas tripas…

Infelizmente, temos muitos passarocos que falam e nem são gagos.

Reparei, ontem, numa notícia muito engraçada, vinda a lume pela tarde, quando um desses pássaros – que sempre se afirmou completa e totalmente livre de qualquer ligação partidária – será candidato por um partido às legislativas de 5 de junho! »Boa te vai, Mariana!»… e disse cá para os meus botões: “Se Cuba me aceitar, deixo tudo e vou para lá viver com a minha aposentação, deliciar-me com a salsa e os mojitos”…

Ouvi, com grande admiração – de espanto – como, subitamente se pode perder toda a “bela intenção de mobilizar a cidadania na total independência – para se colar ao lado daquele que parece o mais forte.

E, minhas senhoras e senhores, é por isso que o país Portugal estagna; porque há muitos que precisam dum tacho ou dumas boas tetas de vaca leiteira onde mamar…

Portugal não avança porque lho não permitem. Ah, já agora, que está aí o FMI, que se debruce sobre todos os tachos e panelas ou caldeirões que fazem belas comezainas para todos os papões da vasta praça nacional.

genuína descompessão > HULK >




é Páscoa ninguém leva a mágoa !?!

lélio magalhães pinto de oliveira lélio m p o lempo

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Super Connard*




Objet : IL N Y A AUCUN PAUVRE EN France !!!


Vidéo incroyable à consommer sans modération, ou le cynisme d'un élu, ami
intime de + de 30 ans de notre cher Président.

*Pour Balkany : les pauvres " vivent très bien ". *

Piégé par les Yes Men spécialisés dans le détournement, le maire UMP de
Levallois-Perret, Patrick Balkany, affirme qu'il n'y a pas de misère en
France et que les pauvres vivent très bien. Il croyait s'exprimer sur une
télévision américaine.

Dans une interview exclusive accordée à la chaîne (fictive) de télévision
américaine Politics Prime , Patrick Balkany, député-maire de
Levallois-Perret, explique la
> > > > > > situation des banlieues françaises.

> > > > > > > > > > En fait, il a été piège par les YES MEN pour une
émission qui devait être diffusée sur Canal + (elle s'appelait " AlterLand "
et était produite par Karl Zéro & Endemol),
*mais qui a finalement été annulée ... on se demande vraiment bien pourquoi
!!!>*

(Enviado por um Amigo)

descompressão > Cadeira chinesa...




cuidado com os pêlos ! xxiiiiiii !
se os tiver !
eh, eh, eh !
calções e saias !?!
perigoso !
krrr...

lélio magalhães pinto de oliveira lélio m p o lempo

o nome é Nando... Fernando Nando !!!



Fernando Nobre: quanto custa um vaidoso ?

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)

11 de abril de 2011


Fernando Nobre vai ser cabeça de lista do PSD no circulo de Lisboa. Contra um homem de convicções - mesmo que não sejam as minhas - como Ferro Rodrigues, o PSD aposta num ziguezagueante populista. O ex-candidato estava no mercado e Passos Coelho pagou o preço que lhe foi pedido: dar-lhe a presidência da Assembleia da República. As contas foram de merceeiro: Nobre vale 600 mil votos. Errado. Se os votos presidenciais nunca são transferíveis para legislativas, isso é ainda mais evidente neste caso. Todas as vantagens competitivas de Nobre desapareceram quando ele aceitou este lugar.
O PSD vai perder mais do que ganha. Porque este convite soa a puro oportunismo. Porque quando Fernando Nobre começar a falar o PSD vai ter de se virar do avesso para limitar os danos. Porque a esmagadora maioria dos eleitores de Nobre nem com um revólver apontado à cabeça votará em Passos Coelho. Porque ele afastará eleitorado que desconfia de gente com tanta ginástica política.
Quem também não fica bem na fotografia é Mário Soares, que, na última campanha, por ressentimento pessoal, alimentou esta candidatura. Fica claro a quem ela serviu. Agora veio o agradecimento.
Quanto a Fernando Nobre, é tudo muito banal e triste. Depois da campanha que fez, este é o desfecho lógico. Candidatos antipartidos, que tratam todos os eleitos como suspeitos de crimes contra a Pátria - ainda não me esqueci quando responsabilizou Francisco Lopes pelo atual estado de coisas, apenas porque é deputado - e que julgam que, por não terem nunca assumido responsabilidades políticas, têm uma qualquer superioridade moral sobre os restantes acabam sempre nisto. A chave que usam para abrir a porta da sala de estar do sistema é o discurso contra o sistema. Não querem "tachos", dizem eles, certos de que todos os eleitos apenas procuram proveitos próprios. Eles são diferentes. Depois entram no sistema para mudar o sistema, explicam. E depois ficam lá, até vir o próximo com o mesmo discurso apontar-lhes o dedo. É tudo tão antigo que só espanta como tanta gente vai caindo na mesma esparrela.
Quem tem um discurso sem programa, sem ideologia, sem posicionamento político claro e resume a sua intervenção ao elogio da sua inexperiência política tem sempre um problema: só é diferente até perder a virgindade. E quando a perde fica um enorme vazio. Porque não havia lá mais nada. Porque a política não se faz de bons sentimentos, faz-se de ideias, projetos e programas políticos. Ideias, projetos e programas que resultam do pensamento acumulado pela experiência de gerações, que se vai apurando no confronto e na tentativa e erro. A tudo isto chamamos ideologias. Quem despreza a ideologia despreza o pensamento. Quem despreza o pensamento despreza a política. Quem despreza a política dificilmente pode agir nela com coerência e dignidade.
Para além do discurso contra os políticos, este político teve outra bandeira: as suas preocupações sociais. Nada com conteúdo. Para ele bastava mostrar o seu currículo de ativista humanitário. E a quem aceita ele entregar a sua virginal e bondosa alma? Ao candidato a primeiro-ministro mais liberal que este País já conheceu. Não sou dos que acham que toda a gente tem um preço. Mas ficámos a saber qual é o de Fernando Nobre: um lugar com a dimensão da sua própria vaidade.
Tudo isto tem uma vantagem: é uma excelente lição de política para muita gente. Quem diz que não é de esquerda nem de direita, quem tem apenas a sua suposta superioridade moral como programa e quem entra no combate político desprezando quem há muito o faz nunca é de confiança. Um dia terão que se decidir. E Nobre decidiu-se: escolheu a direita liberal em troca das honras de um lugar no Estado. Na hora da compra, os vaidosos têm uma vantagem: saem mais baratos. Não precisam de bons salários ou de negócios. Basta dar-lhes um trono e a sensação de que são importantes. Vendem a alma por isso.




lélio magalhães pinto de oliveira lélio m p o lempo

quarta-feira, 20 de abril de 2011

O PRIMEIRO DE MAIO EM PORTUGAL


Diz-me um amigo que no próximo dia 1 de Maio, de forma concertada, as Grandes Superfícies Comerciais Distribuidoras de produtos alimentares, Continente, Jumbo e Pingo Doce pretendem abrir as portas e impedir que os seus trabalhadores gozem e comemorem o Dia Mundial do Trabalhador.

Coisa inédita no mundo e em Portugal após o 25 de Abril de 1974.

Torna-se incompreensível que a coisa não tenha sido divulgada pelos órgãos de informação social e não tenha ainda sido comentada pelos partidos políticos e até pelos sindicatos.

Passados os 37 anos da Revolução de Abril de 1974 e graças a políticas que fazem cair os direitos fundamentais do povo português, eis que regressam em força aqueles que antes colaboravam com a ditadura.

Existe uma forte semelhança no modo como tudo está a ser feito e dito aos trabalhadores que recusam obedecer a semelhante ditame, pois são ameaçados com a marcação de FALTA INJUSTIFICADA e respectivo processo se recusarem trabalhar nesse dia.

Trata-se de mais um atropelo aos direitos dos cidadãos que ali prestam serviço, que não posso, podemos deixar em claro, devendo ser denunciado, para que seja reposta a liberdade ora ameaçada.

Quando as coisas se “cozinham” em profundo silêncio é porque não respeitam a legalidade e temos o dever de as denunciar publicamente, tentando que não aconteçam e sobretudo se acabem as ameaças aos trabalhadores, sobretudo precedidas de ilegalidades, como é o caso.

Torna-se incompreensível o silêncio das entidades reguladoras do trabalho, como também por parte dos sindicatos e sobretudo do governo – Ministério do Trabalho.

É aberrante o que pretendem fazer pois em nenhum outro país europeu vão tão longe como em Portugal nos atropelos às leis vigentes e até à Constituição em vigor.

A minha solidariedade com todos os trabalhadores dessas Empresas Distribuidoras de Produtos Alimentares

ou outros e que os empresários tentem ganhar um pouco de juízo e saibam respeitar os seus direitos.

Fernando Nobre ?!



terça feira dezoito de Janeiro de dois mil e onze

_há dias observei e ouvi na tv o candidato à presidência indignar-se pelo
que diz ser uma colagem por parte de outros candidatos, não referiu quais
nem percebi o quê, à sua política e à sua mensagem ao povo português !

recordo que a palavra de ordem, o slogan de eleição da candidatura de
Nobre, é nem mais nem menos _ "nós conseguimos" _ talvez, quem sabe,
inspirado na muito badalada frase de Obama, o vitorioso "yes we can" !!!

_ontem, de novo na tv, escutei o candidato afirmar que nunca ninguém lhe
negou um cumprimento quando este a alguém se propôs cumprimentar !
é uma mentira pequena, mas é uma mentira, pois eu, com estes dois
olhinhos que a terra ainda não comeu, vi o candidato intentar um aperto de
mão a uma Senhora que com ele se cruzou na rua e, como é perfeitamente
compreensível, a transeunte estranhou, não o reconheceu e pura e
simplesmente desviou-se destra do Nobre que não teve outro remédio
senão enfiar a mesma dita mão no bolso ! mas porquê ?! quanto mais
pequena a mentira mais o diabo estranha !

_Senhor Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre, em nove de Janeiro
último, tal como mais de um milhar de pessoas, fui recebê-lo ao Cinema
Batalha na Cidade do Porto, no Comício de inauguração da sua campanha à
Presidência da República Portuguesa !

_pela sua humildade e sinceridade, pela sua humana emoção, pelo seu não
alinhamento partidário, e pela promessa que fez de proporcionar ao mundo
um sítio na rede informática onde se explanasse sem omissões todos os
rendimentos de todos os políticos portugueses ... decidi, que no próximo
dia vinte e três, vou "botar" o meu precioso voto, precioso sim, porque é o
único que tenho, na sua Nobre Candidatura !

_mas não se engane Senhor Fernando, caso por milagre vença estas
eleições, e esquecido das promessas feitas, se revele mais um lagarto
camaleonista de dentes amarelos, aqui fica a minha solene palavra
de honra de, como diz o Luís, um amigo trasmontano, o "esborraçar"
diariamente com a verdade das mentiras que proferiu !

atento,
lélio magalhães pinto de oliveira

terça-feira, 19 de abril de 2011

SÓCIO - LIGAR O SOM

O Actual Serviço Nacional de Saúde



I

De há uns tempos a esta parte que se assiste a uma destruição lenta e programada do SNS, de autoria de António Arnaut.

A nível da União Europeia foi aprovada, no Parlamento Europeu, uma Directiva - «Bolkensteine» - que prevê a privatização total dos serviços públicos, não apenas da saúde que, todavia, é o que faz sofrer mais os portugueses com menores recursos.

É de todos conhecido que os actuais Centro de Saúde são uma pesada herança do passado, quando eram chamados Postos da Caixa de Previdência aos quais se limitaram a alterar o nome.

II

Sobretudo desde 1983 que os estabelecimentos públicos – Hospitais e Centros de Saúde – se vêm em total competição com os estabelecimentos privados, com fins lucrativos, embora houvesse e haja ainda instituições privadas que participam no Serviço Público (Instituições sem fins lucrativos – as IPSS) – que recebem uma dotação orçamental global e fixa.

Os hospitais públicos foram os primeiros a ser transformados (EPE) – em Entidades Públicas Empresariais – primeiro passo para a sua total privatização, prevista até meados do ano 2011, porque faseada. Esta forma de agir conduz ao aparecimento de défices cada vez mais elevados, de forma aleatória, sendo necessário compensá-los, tanto quanto possível, através de medidas circunstanciais.

Consciente das insuficiências, quer o Ministério da Saúde quer a Direcção-Geral de Saúde põem em prática todo um programa de medicalização dos sistemas de informação, tornado obrigatório para todos os estabelecimentos, o que deveria permitir analisar a actividade de todos os estabelecimentos, públicos e privado. Permite constituir grupos homogéneos de doentes no interior dos quais cada permanência no hospital possa ser classificada.

III

De 1991 a 2004, ano em que a colocação em prática da facturação por actividade, os estabelecimentos relevando da dotaçao global, aplicaram “empreitadas” por serviço em acordo com as Administrações Regionais de Saúde. Os estabelecimentos com fins lucrativos aplicavam uma tabela diária financiando a estrutura á qual se somavam os honorários dos médicos liberais que trabalhavam no estabelecimento, os quais aplicavam frequentemente não as tarifas convencionadas.

IV

“Por vezes é bom acreditar na evolução e pensar que o homem não está ainda concluído.”

É preciso, no entanto, relembrar que os estabelecimentos privados com fins lucrativos são sociedades comerciais cujo objectivo não é o equilíbrio orçamental, mas a geração de lucros direccionados para os accionistas que querem dividendos elevados, entre 10 a 15% pelo menos. Assiste-se, então, a transferências financeiras da Segurança Social.

V

Os médicos liberais que exercem em estabelecimentos privados têm também objectivos de lucro, que maximizam ultrapassando honorários, autorizados ou não, figurando na factura apresentada ao doente.

Dizia Aristóteles: “Não há nada que envelheça tão depressa do que um benefício (ver lucro).

VI

Nasceram, então, as empresas que se dedicam ao Seguro de Assistência Médica e Hospitalar: podem, a este título, pedir explicações, o que fazem apenas muito raramente, infelizmente. Porque a Saúde, com o SNS meio moribundo, se tornou numa mercantilização sem limites, o que faz com que cada vez mais se perca a protecção social, podendo mesmo conduzir ao desaprecimento da actual organização. Para os pacientes, as comparações dos preços entre os diferentes sistemas são muito difícieis, uma vez que os preços pelas diárias dos estabelecimentos com fins lucrativos não incluem a remuneração dos praticantes e que a colocação em prática da reforma não limita em nada a importância das ultrapassagens não convencionais.
É evidente que o doente se pode ueixar. Para quê

VII

Uma evolução era necessária para adaptar a preparação dos orçamentos ás modificações da actividade e do ambiente e tornar os custos comparáveis, sejam quais forem os tipos de estabelecimento. Mas há um outro objectivo; o de facilitar a passagem do público ao privado. Recordar uma vez mais este propósito, a directiva Bolkenstein, que fez correr muita tinta antes de aprovada pelo Parlamento Europeu. O sistema de dotação global financia uma estrutura que era necessário organizar. Foi possível melhorar mas não foi a melhor solução. Porquê? Porque além da directiva Bolkenstein, a dita lei orgânica relativa às leis das finanças, promulgada em 2001, dizia que a responsabilidade dos gestores não recairá mais sobre o único respeito pela regra, mas sobre a obtenção dos resultados esperados. É preciso que o resultado esperado seja atingido ao custo previsto. O que pode ser admirável numa fábrica de automóveis, deverá sê-lo para os cuidados de saúde. Uma concepção tecnocrata que esquece a realidade do doente para não ter em conta o tecnicismo dos tratamentos.

VIII

A palavra “impossível” é uma expressão infeliz; nada se pode esperar daqueles que a usam frequentemente.

Era impensável há anos pensar passar para a facturação por actividade. Dizia-se mesmo ser impossível e inviável. Pois bem; ei-la em prática nos diversos estabelecimentos de saúde, Hospitais e Centros de Saúde, começando pelas taxas moderadoras e, com a criação das Unidades de Saúde Familiar, primeiro passo para a privatização dos Centros de Saúde e a formação de “Cooperativas” de médicos, enfermeiros e pessoal administrativo.

Este tipo de facturação aparece como um conjunto de disposições técnicas que são um prolongamento das reformas anteriormente referidas, já que posta em prática pelas disposições tomadas em 2005. Tira partido dos trabalhos de análise efectuados e conduz á construção dos Grupos Homogéneos de Doentes, aos quais se juntarão os Grupos Homogéneos de Cuidados, que podem ser considerados como os custos dos cuidados correspondentes ao grupo homogéneo de doentes.

Por sua vez, o grupo homogéneo de cuidados poderá, todavia, ser modelado para ter em conta situações particulares, duração extrema de permanência, muito curtas ou muito longas, número de dias passado num serviço de cuidados intensivos ou de reanimação…

IX

Em três casos particulares um grupo homogéneo de doentes pode corresponder a vários grupos homogéneos de tratamento ou e cuidados; as diálises, as IVG, os cuidados paliativos…

Para as prestações que não fizeram no grupo homogéneo de doentes, aplicam-se tarifas específicas: passagem às urgências (preço pré-fixado por passagem), prelevamento de órgãos (tarifa por dador), hospitalização ao domicílio (40 grupos tarifários), consultas e actos extremos (tarifas da nomenclatura geral dos Actos profissionais). Enfim, certos consumíveis onerosos poderão ser objecto duma facturação específica, casos de próteses ou de certos medicamentos; anti-cancerosos, por exemplo.

Enfim, a facturação por actividade inclui um envelope que financiará as missões de interesse geral e acompanhará o pôr em prática contratos de objectivo e de meios passados entre a ARS e os estabelecimentos.

PS: Pesssoalmente sinto vontade de fazer a seguinte pergunta: «com o nível salarial e o desemprego no nosso país, e as pensões de reforma em vigôr, a quem se destina o Serviço Nacional de Saúde?»


Contra todos os fundamentalismos


Sou contra todo e qualquer tipo de preconceito, discriminação ou racismo, qualquer intolerância dentro do razoável. Se somos contrários ao fundamentalismo islâmico exacerbado, por justiça e igualdade, devemos sê-lo também contra o catolicismo, que forma padres pedófilos, sofredores, sem poderem formar família conjugal; temos de ser contra o judaísmo feroz que ataca osn palestinianos e qualquer que ouse enfrentar os dados do holocausto e do próprio comportamento enviezado de alguns judeus.

O fundamentalismo espírita africano, que dá asas à mercadologia e ao homossexualismo, e contra o fundamentalismo evangálico pentecostal, que está a dividir alguns países antes muito tolerantes com tudo e todos.

O mundo está bem próximo duma “guerra santa” entre os “crentes” e demais religiosos.

Sou apenas contra os radicalismos, não as práticas tradicionais doutrinárias, todas elas boas para os seus adeptos.

O que pretendo é chamar a atenção sobre o que se passa no mundo, logo em Portugal também, que só trata de fundamentalistas os islâmicos que ameaçam todas as fronteiras.

Ameaças pífias, que nem sequer arranham uma unha da real ameaça que os senhores do grande império ocidental estão a fazer com os países mais pobres.

Hoje, a OEA, capitaneada pelos EUA, a todo o custo, pretendem manter a hegemonia do mundo, que se sente ameaçada pela China e pela Rússia.

Os cabeças da OEA alegam estar a atender a acções impetradas por diversas entidades civis e religiosas do próprio organismo, pessoas que “tratam as pessoas pobres, doentes, deficientes…. Que só não morrem à míngua porque têm quem as defenda tenazmente e as ajudam contra ventos e marés.

Um diplomata foi bem claro: «Para implantar a não punição a quem difame religiões, precisamos de usar todos os meios e recursos, a começar pela propagação, podendo contar com o apoio de empresas jornalísticas.» “O alvo dos Estados Unidos é a religião islâmica, essa que agora chega quer via Internet quer via Televisão.”

Torna-se cruel essa encenação, mais uma, dos EUA contra quem quer que seja e nem mesmo nós escapamos, podendo levar-nos a uma nova ditadura além da económica, apesar de não terem desaparecido ainda as marcas profundas da que se viveu para além dos anos trinta, até aos setenta.

Se o fazem com outros povos, porque não fazê-lo connosco, que parecemos ter um olho apenas e que olha apenas para um lado?

Não caio nessa. E se os islâmicos passarem dos limites, que sejamos nós a enquadrá-los, embora esteja provado pela História que, quem passou os limites foram os EUA.

(Enviado por um Amigo)

REGRESSO A CASA MUITO PENOSO...



O RAIO DA SUBIDA...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O vazio progressista face à crise


Quando rebentou a crise económica, descaradamente o fez, com a falência do Lehman Brothers a 15 de Setembro 2008 e se transmitiu, como um rastilho de pólvora pelo sistema financeiro internacional, John Maynard Keynes removeu-se natumba e todas as economias ocidentais, além de sairem em socorro das suas instituições bancárias, para evitar o afundamento do sistema, apressaram-se a aplicar políticas expansivas que detiveram a queda da actividade e travaram o caminho rumo ao abismo.

Aquela emoção e a súbita intervenção do crédito, povocaram o rebentamento da bolha imobiliária em diversos países ocidentais e, nos casos mais dramáticos, como o português, a recessão provocou uma subida súbita e brutal do desemprego. Os estímulos fiscais permitiram, na maioria dos casos, conter relativamente a hemorragia, á medida que se acorria em auxílio do sistema financeiro, mas, como é natural, o salvamento provocou défices que incrementaram a dívida pública.

Uma vez chegados ao fundo, as economias afectadas pela crise, também a nossa que já dela saiu, tendo que modular a política económica para travar o défice sem comprometer o crescimento.

Tarefa nada fácil, porque a operação encerra uma evidente contradição: as medidas de austeridade são incompatíveis com os estímulos fiscais necessários, não só para relançar a actividade, mas também, no caso português, para mudar o padrão de crescimento, impulsionando actividades de maior valor acrescido e compreendendo uma tenaz conquista de mais produtividade.

Mas quando todos os países da União Europeia, salvo a Grécia muito deteriorada, que requereu salvamento singular, tinham traçado uma rota para conduzir os seus défices para os 3% em 2013, o directório europeu, o muito mal visto eixo franco-alemão, manifestamente conservador, impôs condições mais rígidas e uma convergência mais urgente, o que obrigou a novos e mais duros ajustes em todos os países que começaram a destruir alguns dos flancos mais sensíveis dos estados de bem-estar.

Portugal, por seu lado, viu-se “forçado” a um novo ajuste.

Por analogia, a Alemanha, com sua economia forte, decidiu também proceder a um ajuste, que comprometerá o novo arranque da Europa.

A economia marca, enfim, uma vez mais, a pauta á política. O silêncio socialista é quase absoluto no meio da algazarra ultraliberal. A única voz potente é norte-americana, do Nobel de Economia, Paul Krugman que, num memorável artigo, contradisse esse irracional pensamento único que nos invade.

«Tanto a economia teórica como a experiência nos dizem que reduzir drasticamente á despesa, quando padecemos dum desemprego elevado, é muito má ideia; não só agrava a recessão, como serve de pouco para melhorar as perspectivas, porque grande parte do que o governo poupa ao reduzir a despesa, perde-o, já que o encaixe fiscal diminui numa economia mais débil».

É dramático constatar que, apesar da clareza e contundência desta objecção, não se tenha produzido praticamente debate algum sobre a grave questão do ritmo do ajuste, do qual depende o preço social que se paga por ele, e se vá buscar dinheiro em mais impostos e portagens, onde não deveria.

(Enviado por um Amigo)

«Senhor FMI» já está no Ministério das Finanças


Negociações sobre pacote de ajuda a Portugal arrancam esta segunda-feira

O «senhor FMI» já está em Portugal e chegou por volta das 9h30 ao Ministério das Finanças para esta que é a segunda fase da missão técnica da troika do FMI, BCE e Comissão Europeia.

Depois de uma semana de análise das contas públicas, arrancam esta semana as negociações sobre a ajuda financeira. Esta segunda-feira vai ficar marcada por várias reuniões. Poul Thomsen vai reunir-se com o Ministério da Economia e com o Banco de Portugal. O governador do BdP já se encontra no ministério, assim como o ministro das Finanças Teixeira dos Santos e restante comitiva do BCE e de Bruxelas.

A presença de Carlos Costa nas negociações indica que a banca será uma voz activa em todo este processo.

Nesta semana de conversações políticas, espera-se que seja definido o preço a pagar para garantir o financiamento do Estado português nos próximos anos. As primeiras projecções apontam para um pacote de 80 mil milhões de euros, dos quais parte chegará já em Maio.

Numa entrevista à TVI, o director do FMI defendeu juros mais baixos para Portugal e ainda que seja dado mais tempo ao país para fazer a correcção das contas públicas. Já o «Diário Económico» assegura hoje quem nem Bruxelas nem o Fundo vão alargar o prazo para reduzir o défice.

Certo é que os economistas portugueses preferem o plano do FMI ao da União Europeia, precisamente por ter, à partida, um prazo maior, acarretando assim juros mais fáceis de suportar.

O que é que aí vem?

Como contrapartida, a redução ou corte do subsídio de férias e de Natal dos pensionistas poderá estar na calha. A poupança anual com essa medida poderia atingir os 3.233 milhões de euros, segundo revela esta segunda-feira o «Correio da Manhã».

Mas nem só os pensionistas estarão na mira do FMI. Há também a possibilidade de serem reduzidos ou eliminados o 13º e 14º mês dos trabalhadores dos sectores público e privado. Uma estratégia que é, de resto, semelhante à que foi adoptada na Grécia.

Entre o que o FMI nos pode obrigar a fazer, podem não escapar também outros subsídios, como por exemplo o dodesemprego. Os técnicos do FMI querem reduzir o período em que se beneficia desta benesse e o valor da mesma.

Outras das medidas genéricas que a imprensa começa a avançar têm que ver com os despedimentos. A troika deverá propor a redução das indemnizações. Também a saúde poderá não escapar às mexidas do FMI, com a redução dacomparticipação dos medicamentos e aumento das taxas moderadoras.

Todas estas medidas terão de ser agora limadas. As reuniões têm sido marcadas por um grande secretismo. Poul Thomsen não quis falar aos jornalistas à entrada do ministério.

(Agência Financeira – Diário.Iol – 18/04/2011)

O tempo e a mente humana


O cérebro humano é uma máquina do tempo. Um metrónomo, que vai regulando segundo a segundo o funcionamento do nosso corpo no seu processo contínuo de evolução e mudança, desde o nascimento até à velhice.

«Penso que apenas uma pessoa em cada mil consegue realmente viver o presente, porque a maioria gasta 59 minutos de cada hora a viver o passado, com pena das alegrias perdidas ou vergonha pelas coisas mal feitas (ambos os sentimentos inúteis e frustrantes), ou um futuro que anseia ou teme.

A única forma de viver é aceitar cada minuto como um milagre que não se repete, pois é exactamente o que é – um milagre que não pode repetir-se.»

Há pessoas que se sentem gigantes junto a outras. Ora, o gigantismo e o nanismo são distúrbios do crescimento, habitualmente atribuídos a deficiências do funcionamento da hipófise. Se a hipófise produz a hormona de cescimento em excesso antes do final da adolescência, o resultado é um crescimento excessivo.

É o que acontece a certas pesoas, que se imaginam gigantes e querem, porque até um dia podem fazê-lo, tornar anãs, não sem humilhação, algumas que querem apenas contribuir para um mundo melhor e uma sociedade mais igualitária e equitativa.

Se o tempo é determinado pela velocidade de reacções químicas, a elevação da temperatura do corpo deverá alterar as reacções, e esta aceleração provocará mais alterações químicas, fazendo o tempo fisiológico passar rapidamente para um determinado intervalo de tempo real.

Na altura em que cheguei à adolescência, a vida estava tão perto que pdia tocar-lhe.

Nessa altura, a única maneira de aliviarmos essa ansiedade era agarrarmo-nos aos momentos importantes do presente. Era como se estivessemos sempre á espera que começasse a vida verdadeia, correndo para cada momento importante, apenas para dizermos, uma vez chegados: «Era só isto?» E, no momento seguinte olhavamos à nossa volta e apercebiamo-nos de que, afinal, era só aquilo; (como hoje, é só isto!), mas que, de qualquer forma, sem darmos por isso, já deslizavamos para as décadas seguintes da nossa existência…

Até que um dia nos apercebemos de que já não estamos à espera, que estamos a viver. Mal, mas a viver, com mil e uma ilusões a assaltar-nos, como por exemplo a negação de colaboração solicitada para levarmos a cabo um acto que reputamos de importante, mas que alguém pretendeu arrogar-se o direito, senão dever de pensar por nós e negá-la, enquanto a prestava a tantos outros… talvez mesmo no próprio dia em que a nós a negaram.

Verdadeiamente lamentável. Gostaria de poder alongar-me; impede-mo o pudor e a educação.

(Enviado por um Amigo)

domingo, 17 de abril de 2011

A crítica


Ó interminável, sublime e auspicioso ciclo, que nos brinda com a inocente, esperançosa e doce aurora da infância; com a aventureira, turbulenta e fantástica manhã da adolescência; com o ideólogo, edificante e vigoroso fim da manhã da juventude, com o responsável, inovador e activo zenite da maturidade, com a enriquecedora, renovadora e inspiradora intelectualidade das tardes adultas, com a cultura, a sapiência e a serenidade do entardecer existencial. Ah!, interminável, sublime e auspicioso ciclo…

Com uma certa rispidez é preciso, de vez em quando, pôr o dedo na ferida. Especialmente naqueles cuja responsabilidade, por diligenciarem para manter o povo no esquecimento, salta à vista, à luz dos acontecimentos, porque a realidade aí está e nenhum português de consciência sã ignora, pois a criminalidade explosiva, vinda principalmente dos guetos da miséria, se encarrega de o avivar todos os dias.

Acredito, portanto, na crítica construtiva, que tem de ser aceite, até com gratidão, uma vez que não passamos de humanos. Portanto, como humanos, somos passivos de erros e, quando a crítica é feita, é normal vir acompanhada de sérios argumentos mas, ao mesmo tempo, sem ofensas pessoais.

Concordo que, para algumas pessoas, as críticas possam ser entendidas como simples “fait divers” ou mesmo “asneiras” ou “idiotices”, até porque idealista que sou, municiado duma certa ingenuidade, acreditei na palavra que publicamente me foi dada.

Acreditei que aceitar pertencer a um grupo de pessoas que demonstram os mesmos interesses sociais que eu, o que estaria implícito para que pudessemos ser amigos, que com todo o prazer teria de aceitar e respeitar as mais variadas correntes de pensamento e que essas pessoas teriam que respeitar quer os meus quer a minha dignidade.

Sinto-me satisfeito que outras pessoas pertençam ao mesmo grupo que eu, pois sei que nele existem seres humanos que defendem os mesmos ideiais humanistas e sociais, independentemente da filosofia de cada qual, ou da minha.

Aceito os ideólogos puros, que nada fazem com a soberba de serem donos da verdade inquestionável, até porque sabem, e já demonstraram que, tal como acontecia outrora no intuito de propaganda fora de época, mostravam depois não serem tão puros como tentavam fazer crer.

Quando criei o grupo, não o fiz sob qualquer condicionamento nem condicionando aqueles que me acompanharam desde o primeiro dia. Também não poderi criticar o meu tosco português este ou aquele político e também não aceitaria, pois todos sabem já o que penso a respeito das barbáries políticas que assolam o país local ou centralmente.

Assumo tudo o que escrevo e digo e não gostaria de ver outras pessoas serem prejudicadas pelas minhas garatujas e, quando por acaso possa citar um jornalista, um escritor, um sociólogo ou outros cujo conhecimento está acima do meu, não tem a menor importância se é ou não a favor do governo local ou central, até porque, para fazer um juízo equilibrado, não se pode usar uma viseira e ler, falar e ver apenas o que se gosta.

Critico que faltem ao prometido. E houve alguém que não cumpriu o compromisso publicamente assumido e, curiosamente, não se vislumbra o relato do que se passou e disse naquela dia… o que também critico.

Termino com uma fase de Eça de Queirós: «O povo não precisa de caridade; precisa de justiça. Justiça Social.

Parte dum texto de Saramago


Oxalá não venha nunca à sublime cabeça de Deus a idéia de viajar um dia a estas paragens para certificar-se de que as pessoas que por aqui mal vivem, e pior vão morrendo, estão a cumprir de modo satisfatório o castigo que por ele foi aplicado, no começo do mundo, ao nosso primeiro pai e à nossa primeira mãe, os quais, pela simples e honesta curiosidade de quererem saber a razão por que tinham sido feitos, foram sentenciados, ela, a parir com esforço e dor, ele, a ganhar o pão da família com o suor do seu rosto, tendo como destino final a mesma terra donde, por um capricho divino, haviam sido tirados, pó que foi pó, e pó tornará a ser. Dos dois criminosos, digamo-lo já, quem veio a suportar a carga pior foi ela e as que depois dela vieram, pois tendo de sofrer e suar tanto para parir, conforme havia sido determinado pela sempre misericordiosa vontade de Deus, tiveram também de suar e sofrer trabalhando ao lado dos seus homens, tiveram também de esforçar-se o mesmo ou mais do que eles, que a vida, durante muitos milénios, não estava para a senhora ficar em casa, de perna estendida, qual rainha das abelhas, sem outra obrigação que a de desovar de tempos a tempos, não fosse ficar o mundo deserto e depois não ter Deus em quem mandar.
Se, porém, o dito Deus, não fazendo caso de recomendações e conselhos, persistisse no propósito de vir até aqui, sem dúvida acabaria por reconhecer como, afinal, é tão pouca coisa ser-se um Deus, quando, apesar dos famosos atributos de omnisciência e omnipotência, mil vezes exaltados em todas as línguas e dialectos, foram cometidos, no projecto da criação da humanidade, tantos e tão grosseiros erros de previsão, como foi aquele, a todas as luzes imperdoável, de apetrechar as pessoas com glândulas sudoríparas, para depois lhes recusar o trabalho que as faria funcionar - as glândulas e as pessoas.

Ao pé disto, cabe perguntar se não teria merecido mais prémio que castigo a puríssima inocência que levou a nossa primeira mãe e o nosso primeiro pai a provarem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. A verdade, digam o que disserem autoridades, tanto as teológicas como as outras, civis e militares, é que, propriamente falando, não o chegaram a comer, só o morderam, por isso estamos nós como estamos, sabendo tanto do mal, e do bem tão pouco.


Envergonhar-se e arrepender-se dos erros cometidos é o que se espera de qualquer pessoa bem nascida e de sólida formação moral, e Deus, tendo indiscutivelmente nascido de Si mesmo, está claro que nasceu do melhor que havia no seu tempo. Por estas razões, as de origem e as adquiridas, após ter visto e percebido o que aqui se passa, não teve mais remédio que clamar mea culpa, mea maxima culpa, e reconhecer a excessiva dimensão dos enganos em que tinha caído. É certo que, a seu crédito, e para que isto não seja só um contínuo dizer mal do Criador, subsiste o facto irrespondível de que, quando Deus se decidiu a expulsar do paraíso terreal, por desobediência, o nosso primeiro pai e a nossa primeira mãe, eles, apesar da imprudente falta, iriam ter ao seu dispor a terra toda, para nela suarem e trabalharem à vontade. Contudo, e por desgraça, um outro erro nas previsões divinas não demoraria a manifestar-se, e esse muito mais grave do que tudo quanto até aí havia acontecido.


Foi o caso que estando já a terra assaz povoada de filhos, filhos de filhos e filhos de netos da nossa primeira mãe e do nosso primeiro pai, uns quantos desses, esquecidos de que sendo a morte de todos, a vida também o deveria ser, puseram-se a traçar uns riscos no chão, a espetar umas estacas, a levantar uns muros de pedra, depois do que anunciaram que, a partir desse momento, estava proibida (palavra nova) a entrada nos terrenos que assim ficavam delimitados, sob pena de um castigo, que segundo os tempos e os costumes, poderia vir a ser de morte, ou de prisão, ou de multa, ou novamente de morte. Sem que até hoje se tivesse sabido porquê, e não falta quem afirme que disto não poderão ser atiradas as responsabilidades para as costas de Deus, aqueles nossos antigos parentes que por ali andavam, tendo presenciado a espoliação e escutado o inaudito aviso, não só não protestaram contra o abuso com que fora tornado particular o que até então havia sido de todos, como acreditaram que era essa a irrefragável ordem natural das coisas de que se tinha começado a falar por aquelas alturas. Diziam eles que se o cordeiro veio ao mundo para ser comido pelo lobo, conforme se podia concluir da simples verificação dos factos da vida pastoril, então é porque a natureza quer que haja servos e haja senhores, que estes mandem e aqueles obedeçam, e que tudo quanto assim não for será chamado subversão.


Posto diante de todos estes homens reunidos, de todas estas mulheres, de todas estas crianças (sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra, assim lhes fora mandado), cujo suor não nascia do trabalho que não tinham, mas da agonia insuportável de não o ter, Deus arrependeu-se dos males que havia feito e permitido, a um ponto tal que, num arrebato de contrição, quis mudar o seu nome para um outro mais humano. Falando à multidão, anunciou: “A partir de hoje chamar-me-eis Justiça.”

E a multidão respondeu-lhe: “Justiça, já nós a temos, e não nos atende. Disse Deus: “Sendo assim, tomarei o nome de Direito.” E a multidão tornou a responder-lhe: “Direito, já nós o temos, e não nos conhece.” E Deus: “Nesse caso, ficarei com o nome de Caridade, que é um nome bonito.” Disse a multidão: “Não necessitamos caridade, o que queremos é uma Justiça que se cumpra e um Direito que nos respeite.” Então, Deus compreendeu que nunca tivera, verdadeiramente, no mundo que julgara ser seu, o lugar de majestade que havia imaginado, que tudo fora, afinal, uma ilusão, que também ele tinha sido vítima de enganos, como aqueles de que se estavam queixando as mulheres, os homens e as crianças, e, humilhado, retirou-se para a eternidade. A penúltima imagem que ainda viu foi a de espingardas apontadas à multidão, o penúltimo som que ainda ouviu foi o dos disparos, mas na última imagem já havia corpos caídos sangrando, e o último som estava cheio de gritos e de lágrimas.
E todos chegaram à conclusão, fácil, de que falta UM DIREITO QUE RESPEITE, UMA JUSTIÇA QUE CUMPRA.

José Saramago - 1997

sábado, 16 de abril de 2011

«Voltar a crescer: esse é o problema de Portugal»


Essa é a prioridade. Mas para lá chegar fica o aviso: «Vai ser doloroso»

Pelas piores razões, Portugal é o país do momento. Para o director geral do FMI, só há uma saída: a economia portuguesa tem de crescer bastante acima da média de 1% dos últimos 10 anos.

«Voltar a crescer. Esse é o problema. Aumentar a produtividade: é isso que temos que tentar ajudar Portugal a conseguir fazer. Estamos agora a discutir com o Governo português», disse o director do FMI, em entrevista exclusiva à TVI.

E para o leitor, o que é preciso fazer para o país crescer?

«Ainda é um pouco cedo para termos uma avaliação, mas olho para o problema em duas perspectivas diferentes. Há problemas imediatos que têm de ser resolvidos em que vamos ajudar. No sector bancário, também. Muito bem... isso é uma coisa. Mas não é só isso».

Dominique Strauss-Kahn avisa que «a real tarefa é tornar a economia portuguesa mais competitiva. O grande pacote de medidas importantes são para o crescimento».

Única certeza: «Vai ser doloroso»

Aparentemente não há segredos para alcançar esse crescimento que Portugal precisa como pão para a boca. Strauss-Kahn avisa que vamos sofrer cortes orçamentais dolorosos e durante muitos anos. Até porque «um país não pode gastar mais do que aquilo que tem por muito tempo. Esse foi o caso de Portugal».

Como chegar ao crescimento é que é uma questão mais difícil de responder.

«Bom, para avaliar isso preciso de ter mais informação. Mas vai demorar algum tempo. Não quero ser complacente, não posso dizer que vai ser fácil e rápido. Não vai ser fácil nem rápido. Mas é simplesmente necessário».

Primeiro, «preciso que a minha missão que está em Portugal regresse com toda a informação e detalhes e, nessa altura, com toda a informação, estarei em condições de ter uma avaliação mais precisa».

Até lá, há apenas uma certeza: «Vai ser doloroso. É por isso que temos de evitar que volte a acontecer e é por isso que uma política para o crescimento é absolutamente necessária».

Quem decide o que fazer, afinal?

A verdade é que esta é a terceira vez que o FMI intervém em Portugal. Desta feita, depois de os técnicos chegarem ao diagnóstico, o FMI recomendará um pacote de medidas que poderão ser ajustadas com a participação do Governo.

«Bom, compete ao Governo decidir a forma como pretende restaurar a sustentabilidade das contas públicas. O FMI dá conselhos, indica o plano correcto, o que deve ser feito. Depois perguntamos, como é que querem chegar lá? É assim que funcionamos».

Aí, «o Governo faz propostas e indica o caminho que pretende fazer. Nós avaliamos e dizemos `muito bem, mas o que estão a propor não será assim tão eficaz como dizem`. Há uma discussão. No fim, chegamos a um acordo. Mas o acordo faz parte de um programa com base no que o Governo propõe. Nós fazemos o enquadramento».

Strauss-Kahn dá um exemplo: «Dizemos: o défice é muito alto, vocês precisam de reduzi-lo. Na realidade, nós não somos nenhuns abutres».

De imediato é preciso atacar com medidas de correcção das contas públicas. Nesse campo, o FMI defende um ajustamento mais lento e diz que é preferível fazer exigências realistas.

E para o leitor, o que é preciso fazer para o país crescer? Deixe a sua opinião na caixa de comentários!

(Agência Financeira – Diário.Iol.pt - 16/04/2011)