Relatório
da Organização Mundial de Saúde alerta para a necessidade de apertar a
legislação sobre segurança rodoviária e recomenda aos governos mais atenção às
necessidades dos peões e dos ciclistas.
Morreram 937 pessoas nas estradas portuguesas
em 2010
Morre-se cada vez menos nas estradas portuguesas mas os números
ainda não chegam para sair da “lista negra”. A par com a Polónia, Portugal é o
segundo país da Europa Ocidental com maior taxa de mortalidade rodoviária,
ultrapassado apenas pela Grécia.
Segundo um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS)
divulgado nesta quinta-feira, em 2010 foram registadas em Portugal 937 mortes
em acidentes rodoviários, o que corresponde a 11,8 pessoas por 100 mil. Na
Europa Ocidental, apenas a Grécia ultrapassa estes números, com 12,2 mortes por
cada 100 mil habitantes.
Se
analisarmos todo o continente europeu, Portugal está em 15.º lugar na lista dos
países com mais acidentes, encabeçada pela Europa de Leste. Melhor do que
Portugal estão países como a Bélgica (8,1), Itália (7,2), França (6,4), Espanha
(5,4), Reino Unido (3,7) e Suécia (3).
O
relatório Global status report on road safety 2013 analisa dados de 182 países
relativos a acidentes rodoviários e conclui que em 2010 morreram 1,24 milhões
de pessoas em acidentes de carro, quase tantas como em 2007. Apenas 88 países
conseguiram reduzir o número de mortos nas estradas – os restantes aumentaram.
O
documento revela que apenas um em sete países (28, no total) possui leis
abrangentes que cobrem todos os cinco factores de risco na estrada: álcool,
excesso de velocidade, uso de capacete, cintos de segurança e sistemas de
retenção para as crianças.
Nessa
fatia de 28 países, quatro classificam como “boa” a taxa de aplicação da
legislação – são eles a Estónia, a Finlândia, França e Portugal. A OMS
considera que é preciso apertar ainda mais a lei para prevenir as mortes nas
estradas, mas não só dos ocupantes dos veículos.
Peões e ciclistas
desprotegidos
“O relatório serve como uma forte advertência aos governos para abordarem as necessidades dos utilizadores não-motorizados”, escreve a OMS. Segundo o documento, 27% dos mortos são peões e ciclistas – sendo que em alguns países estes representam 75% das mortes.
“O relatório serve como uma forte advertência aos governos para abordarem as necessidades dos utilizadores não-motorizados”, escreve a OMS. Segundo o documento, 27% dos mortos são peões e ciclistas – sendo que em alguns países estes representam 75% das mortes.
“À
medida que o mundo é mais motorizado, a circulação a pé e de bicicleta tem de
ser tornada segura e promovida como uma opção de mobilidade saudável e menos
dispendiosa”, observa a OMS. No entanto, apenas 68 dos países analisados têm
políticas nacionais de promoção destas actividades e 79 países têm políticas
que protegem os peões e os ciclistas, separando-os das zonas de tráfego
rodoviário.
No
caso de Portugal, 4% dos mortos nas estradas em 2010 eram ciclistas e 15% eram
peões. Segundo a OMS, a taxa de mortalidade tem vindo a diminuir desde 2001,
ano em que morreram 15 pessoas por 100 mil habitantes. O relatório adianta que
o objectivo do Governo é reduzir o número de vítimas na estrada entre 2008 e
2005 em 32%, para 6,2 mortos por 100 mil habitantes.
=Público=

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