Nunca a economia esteve tanto
tempo em contracção. E o consumo privado cai há 27 meses.
A queda do consumo em
Fevereiro foi a menos acentuada desde Julho de 2011
Há 24 meses consecutivos que o indicador coincidente da
actividade, que enquadra a evolução do Produto Interno Bruto (PIB), está em
terreno negativo. A queda está a abrandar, mas dura já há dois anos e é a mais
longa desde, pelo menos, 1978, quando o Banco de Portugal (BdP) começou a
registar estes dados.
Em Fevereiro, a actividade terá recuado 1,4% em relação ao mesmo
mês do ano passado e o consumo privado diminuído 3,8%, completando 27 meses
consecutivos em queda, revelou nesta sexta-feira o BdP.
Os
dois indicadores “registaram uma melhoria” (o da actividade caíra 1,5% em
Janeiro e o consumo descera 4,2%), mas mantêm-se próximos de níveis
historicamente baixos num ano em que o Governo já reconheceu que o cenário da
evolução da economia será pior, com o PIB a recuar 2,3% e o desemprego a
poder chegar a 19% da população activa no final de 2013.
Os
indicadores do supervisor bancário têm registado quedas menores desde o início
do ano passado, depois de a actividade económica e o consumo privado atingirem
os picos mais negativos desde o final dos anos 1970. Ao cair 1,4%, o indicador
coincidente da actividade económica regista a menor diminuição homóloga desde
Junho de 2011. E a queda do consumo é também a menos acentuada desde essa
altura.
Com
o aumento da carga fiscal, a redução do rendimento disponível e o aumento do
desemprego (para 17,6% em Janeiro), nunca a economia
esteve em terreno negativo tantos meses consecutivos como agora, ultrapassando
no tempo e em intensidade as descidas observadas durante a crise financeira
internacional 2008-2009.
Quando
apresentou o Orçamento do Estado para este ano, o Governo previa uma queda do
PIB de 1%, um cenário que o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, reviu para
pior há uma semana, justificando a deterioração da conjuntura com a queda da
procura externa.
=Público=

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