domingo, 31 de março de 2013

«OS CARRAPATOS OU PUNAISES»


Não saltam a não ser de satisfeitos, mas gesticulam, mexem as patas e as antenas. Dissimulados, geralmente ficam bastante tempo sem comer; chegam magros e sugam, sugam até se tornarem verdadeiras bolas de cebo. São afoitos e sempre que possível parasitam nas flores carregadas de pólen. Existem várias espécies e as suas picadelas são sempre dolorosas. Vão surgindo, de vez em quando, novos tipos, que adoram o esplendor das luzes e as câmaras de televisão, recusando-se a deixar tudo quanto infectam…

Geralmente colam-se sob as pétalas das flores mais polinizadas, ou seja, aquelas que com as abelhas poderiam proporcionar mais e melhor mel. Por vezes deixam os ovos na corola, e depois, ao comprarmos certos frutos, como as cerejas, se as abrirmos, vemos as larvas que nelas parasitam, bem perto do caroço, que as protege.

Quando o tempo está chuvoso, tornam-se aterrorizantes, esses bichos, verdadeiras pragas que possuem características comuns a grupos políticos de poder e pressão, entre elas a de ser completamente sugados; são como os cucos, que põem os ovos nos ninhos alheios, para que outros os criem.

Vivem à custa dos outros, esses bichos. Já os do género humano vivem de boa-fé, da ignorância e da grande abertura dos demais humanos, para serem enganados quando sufocados por maciças propagandas coloridas e com artistas a quem pagam principescamente.

Infelizmente, não é só na política que esse universo paralelo aparece, embora se façam notar sob outras formas e aspectos, como ácaros, pulgas ou percevejos, todos eles parasitas que se atacam aos mais fracos e também aos que, devido a determinadas causas, vivem com menos higiene.

Talvez devido ao clima, existem em grande número no nosso país, colando-se às roupas, do mesmo modo que os vampiros se colam, com seus caninos super-desenvolvidos, ao pescoço das suas vítimas.

É preciso estar atento a tudo o que nos rodeia. Alguns desses bichos são portadores de doenças, como a sarna. Mas o carrapato, o ácaro, as pulgas e todos os seus similares, não são aquilo a que podemos chamar “punaises”, palavra que na gíria designa simplesmente “chatos”, que se alojam em locais corporais onde abundam pêlos corpóreos, cuja proliferação é de tal ordem que por vezes se torna necessária a rapadela das zonas atingidas pela praga, causando uma tremenda comichão, sobretudo nas partes sensíveis do organismo.

Por vezes dão origem a sintomas similares a certas doenças e, se não forem erradicados, podem mesmo causá-las, o que nada os incomoda, pois como parasitas que são, não possuem qualquer pensamento, muito menos qualquer emoção. Interessa-lhes simplesmente poderem viver e progredir à custa do seu hospedeiro, que pode estar a caminho da depressão, podendo conduzir à esquizofrenia ela mesma.

E mesmo à morte do hospedeiro, se entretanto não tomar as devidas medidas. São, ou melhor, fazem parte do actual círculo vicioso, desencadeante de um desespero tal que pode também conduzir ao suicídio.

Geralmente, este assunto tão importante, torna-se tabu,  supostamente porque ao falar sobre ele, o hospedeiro está a ser incorrecto e deve saber manter as aparências exigidas pela sociedade.

Este assunto é de vital importância para, sobretudo, uma certa camada da sociedade, que todos o evitam e recusam falar dele, porque essa espécie de ounaises, de carrapatos, de ácaros e de pulgas ou piolhos, é coisa de miseráveis. E aí é que se enganam esses “puritanos”, pois quando vêm um campo onde possam desenvolver-se, nele pousam e nele se permitem proliferar, razão pela qual em Portugal existe uma tremenda diversidade de parasitas.


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