Não saltam a não ser de satisfeitos, mas
gesticulam, mexem as patas e as antenas. Dissimulados, geralmente ficam
bastante tempo sem comer; chegam magros e sugam, sugam até se tornarem
verdadeiras bolas de cebo. São afoitos e sempre que possível parasitam nas
flores carregadas de pólen. Existem várias espécies e as suas picadelas são
sempre dolorosas. Vão surgindo, de vez em quando, novos tipos, que adoram o
esplendor das luzes e as câmaras de televisão, recusando-se a deixar tudo
quanto infectam…
Geralmente colam-se sob as pétalas das flores
mais polinizadas, ou seja, aquelas que com as abelhas poderiam proporcionar
mais e melhor mel. Por vezes deixam os ovos na corola, e depois, ao comprarmos
certos frutos, como as cerejas, se as abrirmos, vemos as larvas que nelas
parasitam, bem perto do caroço, que as protege.
Quando o tempo está chuvoso, tornam-se
aterrorizantes, esses bichos, verdadeiras pragas que possuem características
comuns a grupos políticos de poder e pressão, entre elas a de ser completamente
sugados; são como os cucos, que põem os ovos nos ninhos alheios, para que
outros os criem.
Vivem à custa dos outros, esses bichos. Já os
do género humano vivem de boa-fé, da ignorância e da grande abertura dos demais
humanos, para serem enganados quando sufocados por maciças propagandas
coloridas e com artistas a quem pagam principescamente.
Infelizmente, não é só na política que esse
universo paralelo aparece, embora se façam notar sob outras formas e aspectos,
como ácaros, pulgas ou percevejos, todos eles parasitas que se atacam aos mais
fracos e também aos que, devido a determinadas causas, vivem com menos higiene.
Talvez devido ao clima, existem em grande
número no nosso país, colando-se às roupas, do mesmo modo que os vampiros se
colam, com seus caninos super-desenvolvidos, ao pescoço das suas vítimas.
É preciso estar atento a tudo o que nos
rodeia. Alguns desses bichos são portadores de doenças, como a sarna. Mas o
carrapato, o ácaro, as pulgas e todos os seus similares, não são aquilo a que
podemos chamar “punaises”, palavra que na gíria designa simplesmente “chatos”,
que se alojam em locais corporais onde abundam pêlos corpóreos, cuja
proliferação é de tal ordem que por vezes se torna necessária a rapadela das
zonas atingidas pela praga, causando uma tremenda comichão, sobretudo nas
partes sensíveis do organismo.
Por vezes dão origem a sintomas similares a
certas doenças e, se não forem erradicados, podem mesmo causá-las, o que nada
os incomoda, pois como parasitas que são, não possuem qualquer pensamento,
muito menos qualquer emoção. Interessa-lhes simplesmente poderem viver e progredir
à custa do seu hospedeiro, que pode estar a caminho da depressão, podendo
conduzir à esquizofrenia ela mesma.
E mesmo à morte do hospedeiro, se entretanto
não tomar as devidas medidas. São, ou melhor, fazem parte do actual círculo
vicioso, desencadeante de um desespero tal que pode também conduzir ao
suicídio.
Geralmente, este assunto tão importante,
torna-se tabu, supostamente porque ao
falar sobre ele, o hospedeiro está a ser incorrecto e deve saber manter as
aparências exigidas pela sociedade.
Este assunto é de vital importância para,
sobretudo, uma certa camada da sociedade, que todos o evitam e recusam falar
dele, porque essa espécie de ounaises, de carrapatos, de ácaros e de pulgas ou
piolhos, é coisa de miseráveis. E aí é que se enganam esses “puritanos”, pois
quando vêm um campo onde possam desenvolver-se, nele pousam e nele se permitem
proliferar, razão pela qual em Portugal existe uma tremenda diversidade de
parasitas.

Sem comentários:
Enviar um comentário