A esquizofrenia – que não é uma única doença,
mas uma grande entidade diagnóstica onde se distribuem múltiplos quadros
clínicos – distorce os pensamentos, as emoções e o comportamento das suas
vítimas.
A palavra deriva de dois vocábulos gregos que
significam “mente” e “separada”.
Quando o psiquiatra Eugen Bleuler introduziu
o termo em 1911, quis designar com ele a separação ou fragmentação do processo
do pensamento.
Os esquizofrénicos não devem ser confundidos com
as vítimas do distúrbio de personalidade múltipla.
A American Psychiatric Association distingue ainda a esquizofrenia dos distúrbios de personalidade esquizóides e esquizotípicos.
Conquanto estes tipos de personalidade possam
implicar características e comportamentos bizarros e que dificultam o relacionamento
interpessoal – indiferença pelos outros, pouca ou nenhuma afectividade,
desconfiança exagerada e crenças estranhas – não apresentam delírios,
alucinações e incoerência de pensamento como no doente esquizofrénico.
Traduzindo o efeito devastador sobre o
funcionamento mental das suas vítimas, a esquizofrenia era antigamente
denominada “demência precoce”. E nos dias de hoje, qualquer tipo de demência é
designada por “doença de Alzheimer”.
Os esquizofrénicos podem sofrer de alucinações
auditivas – ouvirem vozes que lhes ordenam acções que se traduzem,
frequentemente em comportamentos bizarros – ou delírios, falsas convicções,
como o acharem que estão a ser controlados através do telefone ou que lhes foi
atribuída a missão de salvarem o Mundo da guerra nuclear; a afectividade está
também perturbada.
Riem-se nos funerais, choram quando os outros
riem. Noutras formas, o alheamento é predominante: vivem encolhidos a um canto,
em posturas fixas e estranhas, sem falar ou prestar atenção a nada.
Outros ainda têm dificuldade em executar as
mais simples tarefas ou são incapazes de falar coerentemente. Perdem a
motivação e a capacidade de atenção e de raciocínio e ficam incapazes para o
desempenho profissional e social.
A esquizofrenia destrói não só a vida dos
doentes como a dos familiares mais chegados. No mundo ocidental, é responsável
por 50% das admissões nos hospitais psiquiátricos.
No entanto, as novas abordagens terapêuticas
da esquizofrenia, em especial os psicofármacos e entre eles os “decanoatos”,
modificam radicalmente a evolução e o prognóstico dos esquizofrénicos.
Num estudo realizado há uns anos,
verificou-se a existência de cerca de 15% no seio da população portuguesa, a
vários níveis sociais, com maior incidência em determinadas classes, de casos
de esquizofrenia, e de entre esses 15%, cerca de 10% de casos que nunca
receberam tratamento e que se limitam a ocupar cargos que seriam interditos aos
menos protegidos pela sorte da vida.
Numa nova designação, diz-se que um
esquizofrénico paranoide é um megalómano, desde que seja classificado dentro de
determinado grupo de esquizofrénicos – os paranóides – ou vítimas do delírio de
grandeza.

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