quarta-feira, 20 de março de 2013

«O MUNDO DA ESQUIZOFRENIA»


A esquizofrenia – que não é uma única doença, mas uma grande entidade diagnóstica onde se distribuem múltiplos quadros clínicos – distorce os pensamentos, as emoções e o comportamento das suas vítimas.

A palavra deriva de dois vocábulos gregos que significam “mente” e “separada”.

Quando o psiquiatra Eugen Bleuler introduziu o termo em 1911, quis designar com ele a separação ou fragmentação do processo do pensamento.

Os esquizofrénicos não devem ser confundidos com as vítimas do distúrbio de personalidade múltipla.

A American Psychiatric Association distingue ainda a esquizofrenia dos distúrbios de personalidade esquizóides e esquizotípicos.

Conquanto estes tipos de personalidade possam implicar características e comportamentos bizarros e que dificultam o relacionamento interpessoal – indiferença pelos outros, pouca ou nenhuma afectividade, desconfiança exagerada e crenças estranhas – não apresentam delírios, alucinações e incoerência de pensamento como no doente esquizofrénico.

Traduzindo o efeito devastador sobre o funcionamento mental das suas vítimas, a esquizofrenia era antigamente denominada “demência precoce”. E nos dias de hoje, qualquer tipo de demência é designada por “doença de Alzheimer”.

Os esquizofrénicos podem sofrer de alucinações auditivas – ouvirem vozes que lhes ordenam acções que se traduzem, frequentemente em comportamentos bizarros – ou delírios, falsas convicções, como o acharem que estão a ser controlados através do telefone ou que lhes foi atribuída a missão de salvarem o Mundo da guerra nuclear; a afectividade está também perturbada.

Riem-se nos funerais, choram quando os outros riem. Noutras formas, o alheamento é predominante: vivem encolhidos a um canto, em posturas fixas e estranhas, sem falar ou prestar atenção a nada.

Outros ainda têm dificuldade em executar as mais simples tarefas ou são incapazes de falar coerentemente. Perdem a motivação e a capacidade de atenção e de raciocínio e ficam incapazes para o desempenho profissional e social.

A esquizofrenia destrói não só a vida dos doentes como a dos familiares mais chegados. No mundo ocidental, é responsável por 50% das admissões nos hospitais psiquiátricos.

No entanto, as novas abordagens terapêuticas da esquizofrenia, em especial os psicofármacos e entre eles os “decanoatos”, modificam radicalmente a evolução e o prognóstico dos esquizofrénicos.

Num estudo realizado há uns anos, verificou-se a existência de cerca de 15% no seio da população portuguesa, a vários níveis sociais, com maior incidência em determinadas classes, de casos de esquizofrenia, e de entre esses 15%, cerca de 10% de casos que nunca receberam tratamento e que se limitam a ocupar cargos que seriam interditos aos menos protegidos pela sorte da vida.

Numa nova designação, diz-se que um esquizofrénico paranoide é um megalómano, desde que seja classificado dentro de determinado grupo de esquizofrénicos – os paranóides – ou vítimas do delírio de grandeza.

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