terça-feira, 12 de março de 2013

"Governo despreza e ignora o povo"


O antigo Presidente da República, Mário Soares, comenta esta terça-feira, na sua habitual coluna de opinião no Diário de Notícias (DN), o “silêncio absoluto” do Governo perante o “Povo e os milhares de desempregados empobrecidos” que saíram à rua no passado dia 2 de Março. Soares considera que “tudo vai mal” e avisa que com esta atitude governativa, “a indignação pode tornar-se violenta”, até porque, tal como “o Povo diz, quem semeia ventos, colhe tempestades”.
No habitual artigo de opinião, hoje publicado no DN, o histórico socialista e antigo Presidente da República, Mário Soares, avisa que “os portugueses não vão esquecer-se” do “misto de profunda tristeza e de enorme desespero” que os levou à rua no passado dia 2 de Março, bem como de um Governo que se manteve em “silêncio absoluto, escondido, protegido pelos seus seguranças, cheio de medo, e que recusa-se a ouvir os seus compatriotas”.

“O Povo e os milhares de desempregados empobrecidos e muitos obrigados a emigrar não contam nada para o Governo, que os ignora como se não existissem”, critica Soares, salientando que “não há Democracia sem que o Povo se faça ouvir e o Governo – eleito pelo Povo – o respeite e oiça”.

Mas, o actual Governo não ignora apenas a voz do Povo. Para o histórico socialista, até o Presidente da República, Cavaco Silva, é esquecido. “O actual Governo (…) só tem obedecido aos tecnocratas da troika, aos mercados comandados por magnatas mais ou menos anónimos e (…) à senhora Merkel”, mantendo-se “fiel à austeridade”, ignorando a “recessão e o flagelo do desemprego”, e contrariando o “que prometeu na campanha eleitoral”, em 2011, defende Soares.

Por tudo isto, o antigo chefe de Estado observa que “o Governo, tutelado pelo ministro das Finanças, falhou sempre, enganou-se em tudo e continua a falhar, não tem qualquer estratégia e continua todos os dias a empobrecer o País e a vender a retalho – e mal -  o nosso património”.

Em suma, “tudo vai mal” e este mês “não vai ser fácil”. Está para breve a decisão do Tribunal Constitucional sobre “o ‘roubo’ das pensões e da sobretaxa”. Soares acredita que não passará “impune” aos juízes do Palácio Ratton e avisa se o Governo ficar a “gozar do silêncio, como fez a 2 de Março”, a “indignação pode tornar-se violenta”.

“Mas quem não ouve e não tem controlo, como o Governo, sujeita-se a tudo. [E] como diz o Povo, quem semeia ventos, colhe tempestades…”, remata Mário Soares.

N. M.


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