O antigo Presidente da República, Mário Soares,
comenta esta terça-feira, na sua habitual coluna de opinião no Diário de
Notícias (DN), o “silêncio absoluto” do Governo perante o “Povo e os milhares
de desempregados empobrecidos” que saíram à rua no passado dia 2 de Março.
Soares considera que “tudo vai mal” e avisa que com esta atitude governativa,
“a indignação pode tornar-se violenta”, até porque, tal como “o Povo diz, quem
semeia ventos, colhe tempestades”.
No habitual artigo de opinião, hoje publicado no
DN, o histórico socialista e antigo Presidente da República, Mário Soares,
avisa que “os portugueses não vão esquecer-se” do “misto de profunda tristeza e
de enorme desespero” que os levou à rua no passado dia 2 de Março, bem como de
um Governo que se manteve em “silêncio absoluto, escondido, protegido pelos
seus seguranças, cheio de medo, e que recusa-se a ouvir os seus compatriotas”.
“O Povo e os milhares de desempregados empobrecidos e muitos
obrigados a emigrar não contam nada para o Governo, que os ignora como se não
existissem”, critica Soares, salientando que “não há Democracia sem que o Povo
se faça ouvir e o Governo – eleito pelo Povo – o respeite e oiça”.
Mas,
o actual Governo não ignora apenas a voz do Povo. Para o histórico socialista,
até o Presidente da República, Cavaco Silva, é esquecido. “O actual Governo (…)
só tem obedecido aos tecnocratas da troika, aos mercados comandados por
magnatas mais ou menos anónimos e (…) à senhora Merkel”, mantendo-se “fiel à
austeridade”, ignorando a “recessão e o flagelo do desemprego”, e contrariando
o “que prometeu na campanha eleitoral”, em 2011, defende Soares.
Por
tudo isto, o antigo chefe de Estado observa que “o Governo, tutelado pelo
ministro das Finanças, falhou sempre, enganou-se em tudo e continua a falhar,
não tem qualquer estratégia e continua todos os dias a empobrecer o País e a
vender a retalho – e mal - o nosso património”.
Em
suma, “tudo vai mal” e este mês “não vai ser fácil”. Está para breve a decisão
do Tribunal Constitucional sobre “o ‘roubo’ das pensões e da sobretaxa”. Soares
acredita que não passará “impune” aos juízes do Palácio Ratton e avisa se o
Governo ficar a “gozar do silêncio, como fez a 2 de Março”, a “indignação pode
tornar-se violenta”.
“Mas
quem não ouve e não tem controlo, como o Governo, sujeita-se a tudo. [E] como
diz o Povo, quem semeia ventos, colhe tempestades…”, remata Mário Soares.
N. M.
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