Redução
da dívida e prejuízos indirectos da Sonae Sierra levaram lucros do grupo a afundarem
69% em 2012. Apesar dos resultados negativos, dividendos mantêm-se.
Presidente-executivo da Sonae, Paulo Azevedo,
diz que grupo está satisfeito com a performance em 2012
Os lucros da Sonae caíram 69% em 2012, para os 33 milhões de
euros, anunciou na manhã desta quarta-feira o grupo (proprietário do PÚBLICO),
num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Em
2011, a Sonae registara um resultado líquido de 104 milhões de euros.
No comunicado divulgado nesta manhã, o grupo argumenta que a
quebra nos resultados líquidos se deve principalmente à redução da dívida
líquida do grupo, ao impacto negativo do mercado de centros comerciais da Sonae
Sierra na Europa e ao impacto negativo no volume de negócios do processo de
ajustamento económico em Portugal e Espanha, que afectou o consumo privado.
No
bolo do resultado líquido de 2012, destaque ainda para a ausência da venda de
mais-valias do grupo, que impulsionaram os lucros da Sonae em 2011. O resultado
líquido total de 2012, que não contempla os prejuízos indirectos, atingiu os 72
milhões de euros.
“O
resultado líquido consolidado decresceu em relação a 2011, consequência do
maior custo da dívida e dos impactos originados por imparidades e pelo menor
valor de mercado do portfólio de centros comerciais da Sonae Sierra na Europa.
Ambos os efeitos resultam da actual situação macro-económica e conjuntura
financeira, não tendo afectado o nível de rentabilidade operacional”, escreve
no relatório o presidente executivo da Sonae, Paulo Azevedo.
De
facto, o volume de negócios da Sonae caiu 3% face a 2011, para os 5379 milhões
de euros. Contudo, o grupo salienta que foi capaz de registar “ganhos de quota
de mercado nas principais áreas de negócio” e aumentar o volume de actividade
internacional, algo que contribuiu para uma queda de apenas 3% no volume de
negócios.
O
crescimento no negócio de retalho alimentar, anuncia a Sonae, permitiu que o
EBITDA registasse uma variação quase nula face a 2012. O valor deste indicador,
que representa os resultados antes dos juros, impostos, depreciações e
amortizações, caiu apenas 2 miilhões de euros, dos 602 milhões registados no
total de 2011.
No
total de 2012, a Sonae Sierra registou um prejuízo de 46 milhões de euros. O
valor representa uma queda significativa face aos resultados de 2011, ano em
que a empresa registou lucros de 10 milhões de euros. O prejuízo do negócio de
centros comerciais da Sonae teve particular impacto nos resultados indirectos
do grupo, que se agravaram de um prejuízo de 27 milhões em 2011 para um impacto
negativo de 72 milhões em 2012.
No
relatório enviado nesta quarta-feira à CMVM, a Sonae realça a redução em quase
150 milhões de euros da dívida líquida do grupo, factor que contribuiu para os
resultados líquidos terem caído face a 2011. O endividamento total da Sonae
atingiu, a 31 de Dezembro de 2012, os 1816 milhões de euros, o que representa
uma queda de 147 milhões face a 2011.
“A
Sonae continua assim a fortalecer a sua estrutura de capitais, com o nível de
endividamento financeiro a diminuir de forma sustenta da durante os
últimos 13 trimestres”, lê-se no relatório desta quarta-feira. A dívida do
grupo representava, no final de 2012, 52% do total de capital investido.
Apesar
da queda nos lucros em 2012, a Sonae mantém o valor de 2011 para o pagamento de
dividendos aos accionistas, nos 0,031 euros. “Face aos resultados financeiros
alcançados em 2012 e à confiança que temos na capacidade da companhia continuar
neste trajecto, iremos propor aos accionistas um pagamento de dividendos no
montante de 3,31 cêntimos de euro por acção”, lê-se na nota do
presidente-executivo do grupo.
Mesmo
face ao cenário negro de queda nos lucros, Paulo Azevedo afirma que,
"tendo em conta este contexto adverso, estamos satisfeitos com aperformance operacional e financeira
alcançada pelas nossas áreas de negócio ao longo de 2012".
Do
relatório dos resultados consolidados de 2012 destaca-se ainda uma queda no
investimento. Em 2012, o investimento do grupo caiu para os 292 milhões de
euros, ou 5% do volume total de negócios. No ano anterior, este valor atingiu
os 429 milhões de euros, motivado pela licença de Long
Term Evolution (LTE)
de 110 milhões de euros.
=Público=

Sem comentários:
Enviar um comentário