quarta-feira, 13 de março de 2013

Lucros da Sonae caem 69% com redução de dívida e prejuízos da Sonae Sierra


Redução da dívida e prejuízos indirectos da Sonae Sierra levaram lucros do grupo a afundarem 69% em 2012. Apesar dos resultados negativos, dividendos mantêm-se.
Presidente-executivo da Sonae, Paulo Azevedo, diz que grupo está satisfeito com a performance em 2012

Os lucros da Sonae caíram 69% em 2012, para os 33 milhões de euros, anunciou na manhã desta quarta-feira o grupo (proprietário do PÚBLICO), num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Em 2011, a Sonae registara um resultado líquido de 104 milhões de euros.
No comunicado divulgado nesta manhã, o grupo argumenta que a quebra nos resultados líquidos se deve principalmente à redução da dívida líquida do grupo, ao impacto negativo do mercado de centros comerciais da Sonae Sierra na Europa e ao impacto negativo no volume de negócios do processo de ajustamento económico em Portugal e Espanha, que afectou o consumo privado.
No bolo do resultado líquido de 2012, destaque ainda para a ausência da venda de mais-valias do grupo, que impulsionaram os lucros da Sonae em 2011. O resultado líquido total de 2012, que não contempla os prejuízos indirectos, atingiu os 72 milhões de euros. 
“O resultado líquido consolidado decresceu em relação a 2011, consequência do maior custo da dívida e dos impactos originados por imparidades e pelo menor valor de mercado do portfólio de centros comerciais da Sonae Sierra na Europa. Ambos os efeitos resultam da actual situação macro-económica e conjuntura financeira, não tendo afectado o nível de rentabilidade operacional”, escreve no relatório o presidente executivo da Sonae, Paulo Azevedo.
De facto, o volume de negócios da Sonae caiu 3% face a 2011, para os 5379 milhões de euros. Contudo, o grupo salienta que foi capaz de registar “ganhos de quota de mercado nas principais áreas de negócio” e aumentar o volume de actividade internacional, algo que contribuiu para uma queda de apenas 3% no volume de negócios.
O crescimento no negócio de retalho alimentar, anuncia a Sonae, permitiu que o EBITDA registasse uma variação quase nula face a 2012. O valor deste indicador, que representa os resultados antes dos juros, impostos, depreciações e amortizações, caiu apenas 2 miilhões de euros, dos 602 milhões registados no total de 2011.
No total de 2012, a Sonae Sierra registou um prejuízo de 46 milhões de euros. O valor representa uma queda significativa face aos resultados de 2011, ano em que a empresa registou lucros de 10 milhões de euros. O prejuízo do negócio de centros comerciais da Sonae teve particular impacto nos resultados indirectos do grupo, que se agravaram de um prejuízo de 27 milhões em 2011 para um impacto negativo de 72 milhões em 2012.
No relatório enviado nesta quarta-feira à CMVM, a Sonae realça a redução em quase 150 milhões de euros da dívida líquida do grupo, factor que contribuiu para os resultados líquidos terem caído face a 2011. O endividamento total da Sonae atingiu, a 31 de Dezembro de 2012, os 1816 milhões de euros, o que representa uma queda de 147 milhões face a 2011.
“A Sonae continua assim a fortalecer a sua estrutura de capitais, com o nível de  endividamento financeiro a diminuir de forma sustenta da durante os últimos 13 trimestres”, lê-se no relatório desta quarta-feira. A dívida do grupo representava, no final de 2012, 52% do total de capital investido.
Apesar da queda nos lucros em 2012, a Sonae mantém o valor de 2011 para o pagamento de dividendos aos accionistas, nos 0,031 euros. “Face aos resultados financeiros alcançados em 2012 e à confiança que temos na capacidade da companhia continuar neste trajecto, iremos propor aos accionistas um pagamento de dividendos no montante de 3,31 cêntimos de euro por acção”, lê-se na nota do presidente-executivo do grupo.
Mesmo face ao cenário negro de queda nos lucros, Paulo Azevedo afirma que, "tendo em conta este contexto adverso, estamos satisfeitos com aperformance operacional e financeira alcançada pelas nossas áreas de negócio ao longo de 2012".
Do relatório dos resultados consolidados de 2012 destaca-se ainda uma queda no investimento. Em 2012, o investimento do grupo caiu para os 292 milhões de euros, ou 5% do volume total de negócios. No ano anterior, este valor atingiu os 429 milhões de euros, motivado pela licença de Long Term Evolution (LTE) de 110 milhões de euros.
=Público=

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