Manuel Alegre e Mário Soares partilham mais do que a história do PS. Ambos
têm a opinião de que o actual secretário-geral dos socialistas devia apresentar
uma moção de censura ao Executivo de Passos, segundo o Diário de Notícias (DN).
O antigo chefe
de Estado Mário Soares escreveu ontem num artigo de opinião que, se fosse
deputado, votaria favoravelmente a uma moção de censura ao Governo. E o seu
camarada de velhas lutas Manuel Alegre não poderia concordar mais, dizendo que
se trataria de “um sinal importante para o País” e “muito importante para o
Presidente da República”.
Manuel Alegre, que fez as pazes com Soares depois de sete anos de
costas voltadas, devido às presidenciais de 2006, diz que o “Governo não cai
por si e aí o papel do PS é fundamental”, cita o DN.
Apesar
de reconhecer que uma moção de censura seria derrotada pela maioria, o político
poeta diz concordar com Mário Soares e “com o alerta que ele lança aos partidos
nomeadamente ao PS”. “Falta a expressão política e inconstitucional do
descontentamento”, defende.
O
histórico do PS acrescenta ainda que “há um momento em que é preciso ir mais à
frente” e, face aos resultados da sétima avaliação da troika apresentados por
Vítor Gaspar, algo tem de acontecer, “não bastam palavras, é preciso tirar
todas as consequências”.
Ontem,
Mário Soares escreveu, num claro recado para o PS, que “ou se está de um lado
ou do outro”. E foi mais longe, ao afirmar que a moção de censura que o PCP já
disse que iria apresentar é oportuna. “Eu socialista, se fosse deputado, não
hesitaria em votar a favor”, sublinhou o antigo chefe de Estado.
N. M.

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