A
petição de Mário Soares que desafia Passos Coelho a demitir-se, se não mudar de
políticas, recolheu quatro mil assinaturas e deu entrada no Parlamento na
terça-feira. E será agora agendada para discussão no plenário.
Subscrita por seis
deputados socialistas – da ala crítica da direcção – «terá um efeito
interessante no PS», segundo um dos signatários: «E obrigará a uma clarificação
em relação ao Governo». Será um dos primeiros testes práticos ao novo consenso
interno agora prometido pelo líder, António José Seguro.
O líder parlamentar
Carlos Zorrinho, contactado pelo SOL, diz que a posição do partido «ainda não
foi tomada». Tem tempo para o fazer. A petição deverá ser conduzida pela
Presidência da Assembleia da República (AR) para a primeira comissão. Em 60
dias esta elabora um relatório, que subirá a discussão no plenário. Aí, a
questão é saber quem é escolhido no PS para falar sobre o tema. E para dizer o
quê.
O texto,
apresentado em final de Novembro, na ressaca do Orçamento do Estado, deu que
falar. «Os signatários interpretam (...) o crescente clamor que contra o
Governo se ergue, como uma exigência, para que o senhor primeiro-ministro
altere, urgentemente, as opções políticas (...) sob pena de (...) ser seu dever
retirar as consequências políticas que se impõem, apresentando a demissão».
Uma petição na AR
não pode, porém, assumir a forma de moção de censura. Mas o texto pode
transformar-se numa resolução mais seca, que «recomende ao Governo que
rectifique a política», o que pode obrigar à sua votação.
Soares é
acompanhado por nomes da política, do BE (Daniel Oliveira Fernando Rosas e
Helena Pinto) ao PS(Ferro Rodrigues, Pedro Nuno Santos, Pedro Delgado Alves,
Duarte Cordeiro, João Galamba e Inês de Medeiros, todos deputados, mais Vítor
Ramalho, António Arnaut, entre outros). E figuras públicas como Carvalho da
Silva e Bruto da Costa, ou, mais à direita, como o militar Pires Veloso e Paulo
Morais (ex-vereador no Porto).
Manuel
A. Magalhães- (SOL)

Sem comentários:
Enviar um comentário