domingo, 3 de fevereiro de 2013

«OS AMANTES INFELIZES»


A trágica história de amor entre o grande académico Pedro Abelardo e a sua bela estudante Heloísa, foi imortalizada num magnífico legado de poemas e cartas.Pedro Abelardo (cerca de 1079-1142) – filósofo, teólogo, professor e amante – nasceu próximo de Nantes, na Bretanha.

Estudou lógica na escola da Catedral de Notre-Dame, em Paris, com célebres vultos da escolástica, como Guilherme de Champeaux, mas o seu intelecto brilhante e a sua propensão para o exibicionismo tornaram-no mais o rival dos seus mestres do que propriamente um aluno.

Teve uma grande influência na vida untelectual da época e conto entre os seus discípulos com pensadores proeminentes, como o humanista inglês, John of Salisbury.

A teologia de Abelardo era influenciada pelos Evangelhos e pela tradição cristã de Santo Agostinho, bem como por Platão, Aristóteles e os pensadores clássicos gregos.

Liderou o movimento aparecido no século XII, que enfatizava a importância da intenção na moral, argumentando que o pecado não estava no facto em si, mas sim em consentir conscientemente na prática de acções lesivas.

Aos 40 anos,professor em Notre-Dame, Abelardo apaixonou-se por uma aluna particular de 17 anos, Heloísa, sobrinha do cónego Fulbert, em casa de quem habitava.

Assim se iniciou uma história de amor que viria a ser celebrada pela literatura e pela História. Distraído dos seus estudos, Abelardo compôs poesia e baladas que juntamente com a correspondência do casal viriam mais tarde a imortalizar a sua história de amor, um desafio contra tudo e todos.

Quando a relação foi descoberta, Heloísa foi enviada para a Bretanha, onde nasceu um filho, Astrolabe. Quando regressou a Paris, casaram-se em segredo. Os familiares de Heloísa opuseram-se violentamente ao enlace.

Descobrindo a verdade, assaltaram a casa de Abelardo e castraram-no brutalmente.

Cheio de vergonha, Abelardo retirou-se para a Abadia de Saint Denis, na periferia de Paris, onde se tornou monge beneditino, enquanto Heloísa tomava o véu em Argenteuil.

A inclinação doutrinal de Abelardo para testar a verdade através da discussão e o rigoroso uso da razão na análise da natureza de Deus e da Santíssima Trindade, puseram-no na situação de poder ser acusado de heresia.

Em 1121,o Concílio eclesiástico de Soissons condenou como herético o seu livro “Sobre a Unidade Divina e a Trindade”, o qual foi queimado.

Abelardo transformou-se numm ermita em Nogent-sur-Seine, onde, em 1125, fundou uma escola monástica a que chamou Paracleto.

Algum tempo depois transferiu-se como abade para Saint Gildas de Rhys, na Bretanha, deixando Paracleto entregue aos cuidados de Heloísa, que se tornara abadessa do convento. Abelardo continuou a ensinar e a escrever.

Em 1141, no Concílio de Sens, Abelardo foi novamente condenado por heresia pelo reformador cristão Bernardo de Clairvaux e proibido de ensinar. Retirou-se para Cluny, onde morreu, no Convento de Saint Marcel-sur-Saône.

O seu corpo foi trasladado para o Paracleto e mais tarde transferido para o Cemitério do Père Lachaise, em Paris, ficando ao lado da sua amada heloísa,, que faleceu em 1164.

A história da vida de Abelardo é contada na sua autobiografia “História Calamitatum” (A História dos Meus Problemas).

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