segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O "AFFAIRE" OLGA BENÁRIO // HOLOCAUSTO EM NÚMEROS


Recorrentemente, ao longo do tempo, os meios de comunicação têm tentado desacreditar Getúlio Vargas junto aos brasileiros.  Muitos subterfúgios são utilizados para tal fim espúrio.  Um deles é tentar, sistematicamente,    impingir à população a crença de que Getúlio enviou Olga Benário para os campos de extermínio nazistas. 

Até o bem informado jornalista Paulo Moreira Leite caiu nesse logro.  No bom e correto artigo  que transitou por este Grupo em e-mail de 08/01/2013  -   cujo "Assunto" era:  "Paulo Moreira Leite:  Moralismo ajuda a esconder a lei"  -, ele deu uma escorregadela quando afirmou:  "Durante o Estado Novo, o Supremo autorizou que a militante comunista Olga Benário fosse enviada para a morte num campo de concentração nazista".  
Esta afirmação, apesar de ter poupado Vargas  de uma incriminação direta, repetiu o  costumeiro bordão de que Olga teria sido "enviada para a morte num campo de concentração nazista";  calúnia engendrada pela mídia brasileira, bem a gosto dos que desejam ao mesmo tempo enlamear a Era Vargas e prestar bons serviços à causa sionista,  potencializando  o holocausto e avivando a memória deste.

Olga foi deportada em 1936 (chegou à Alemanha em 18/10/1936 e foi presa pela Gestapo).  As execuções de judeus começaram  em junho de 1941, por fuzilamento, nos países do leste europeu invadidos pelos nazistas.  As operações de extermínio, tanto de judeus como de comunistas, ciganos, etc. eram efetuadas em áreas afastadas, isoladas pelo exército e sob rigoroso sigilo.  A mortandade nas câmaras de gás  é iniciada em "Belzec, o primeiro, de outubro de 1941 a fevereiro de de 1942, (que) serve de protótipo". 
Em 23/04/1942, foi Olga executada na câmara de gás do campo de extermínio de Bernburg.

Somente após terminada a 2ª Guerra veio a se conhecer o morticínio praticado pelos nazistas, nos campos da morte e fora deles.  Nem Eisenhower, Churchill e de Gaulle tiveram conhecimento da existência  dessa calamidade, durante a guerra.

Olga, desde 1928, bem antes de o regime nazista ter-se iniciado em 1933, já era procurada pela polícia alemã, em consequência da espetacular ação que perpetrou para soltar da prisão o seu namorado também comunista.  Olga Benário Prestes, cidadã alemã de classe média, judia e comunista militante, entrou ilegalmente no Brasil, juntamente com Luís Carlos Prestes, ambos como nomes e passaportes falsos.  Estavam incumbidos por Moscou, juntamente com outros comunistas de várias nacionalidades  -  formando um grupo de cerca de vinte participantes  -, de encetar uma investida cruenta para a tomada do poder.

Prestes  -   mais visionário do que o próprio Dom Quixote de Cervantes  -, em seu segundo devaneio (o primeiro foi a irrealista marcha da Coluna Prestes que se dissolveu por si mesma), encetou a chamada "Intentona Comunista de 1935", a qual redundou em fracasso completo.  
Desde 1931 vivia ele na URSS.  Em dezembro de 1934, viaja ele acompanhado de Olga  -  sua "guarda-costas nomeada por Moscou"  -, passando-se ambos por um casal português:  Antônio Vilar e Maria Bergnes Vilar, nomes estes registrados nos respectivos passaportes.  Chegam ao Brasil em abril de 1935 e se mantêm atuantes na clandestinidade.  
Objetivo:  liderar uma revolução armada, com apoio de Moscou, ajudados pelos cerca de vinte estrangeiros que também aqui aportaram, e engrossados pelos camaradas brasileiros.

A pós-cognominada Intentona Comunista, ainda em preparação, foi precipitada pelo levante armado ocorrido em novembro de 1935, em Natal-RN.  Aproveitando a oportunidade surgida, Prestes ordenou que a insurreição se estendesse por todo o País.  Mas o apoio militar, antes prometido, falhou, e o governo prontamente desbaratou o levante.

Prestes e Olga foram aprisionados em março de 1936.  O julgamento da extradição de OLga foi efetuado em atendimento do pedido do governo alemão, e obedeceu aos trâmites legais.  Olga e Prestes, mercê da convivência íntima, formaram um casal de fato.  Mas ela só descobriu a própria gravidez na prisão.
A defesa sustentou que o filho de Olga, em gestação, era cidadão brasileiro e, por conseguinte, não podia ser entregue a outro governo.  Malgrado o estado da sua gravidez, o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou o pedido de extradição.
Deportada, ela chegou à Alemanha em 18/10/1936 e foi presa pela Gestapo.  Na páscoa de 1942, foi enviada ao campo da morte de Bernburg, onde foi executada na câmara de gás, em 23/04/1942, após mais de cinco anos de prisão.

-  A seguir, registros de diversas fontes, que podem propiciar análises mais acuradas -
    
   - "A Ditadura Derrotada", Elio Gaspari - páginas 38/9 -
"Na noite de 27 de novembro de 1935 o capitão Agildo Barata estava no 3º Regimento de Infantaria, na praia Vermelha, comandando uma insurreição comandada pelo militarismo de Luiz Carlos Prestes. O Cavaleiro da Esperança retornara de Moscou, onde vivera desde 1931.  Esperava que a Vila Militar, a Marinha e o povo (nesta ordem) se sublevassem.  Além do 3º RI os rebeldes só dominaram no Rio de Janeiro a Escola de Aviação, em Deodoro. (...) Nos meses seguintes, em meio à repressão aos comunistas, o governo de Vargas extraditou a mulher de Prestes para a Alemanha.  Para Olga Gutman Benario, bolchevique e judia, que se tornaria mundialmente conhecida como Olga Benario Prestes, o retorno à pátria era uma crueldade.  Estava grávida de sete meses quando a desembarcaram em Hamburgo.  Pariu a menina Anita Leocádia no presídio de mulheres da Gestapo, em Berlim.  Em 1942, aos 32 anos, foi para a câmara de gás do campo de concentração de Bernburg".

  -  "O dia em que Getúlio matou Allende e outras novelas do Poder", Flávio Tavares, jornalista, professor da UNB - páginas 92/3 -
"... por volta de 1940, em pleno Estado Novo, quando lhe disseram que o regime de prisão de Luís Carlos Prestes havia piorado e que o líder comunista corria o risco de 'definhar', [Getúlio] mandou Gregório indagar pessoalmente dos carcereiros, no presídio da Central de Polícia, sobre a saúde do detento e as ordens recebidas dos superiores.  Podia ter perguntado ao major Felinto Müller, mas sabia que o chefe de polícia  -  detentor do poder dos prontuários, dos interrogatórios e dos instrumentos de tortura  -  poderia enganá-lo e mentir, como lhe havia mentido antes, ao sonegar as informações sobre a gravidez de Olga Benario, mulher de Prestes, deportada para a Alemanha nazista por ser alemã.  E, sete anos depois, morta por lá num campo de concentração, por ser comunista e judia". 

  www.netsaber.com.br   -  OLGA  -  Fernando Morais -
"Olga Benário e Luiz Carlos Prestes conheceram-se em Moscou, em novembro de 1934, ambos exilados e caçados pelas polícias dos seus países.  Uniram-se com o mesmo objetivo:  lutar pela revolução comunista no Brasil.  Quatro meses depois já estavam no Rio de Janeiro, organizando o movimento revolucionário.  A revolução fracassou em novembro de 1935.  Olga e Prestes foram presos em março do ano seguinte.  Sendo alemã, judia e comunista, Olga foi expulsa pelo governo brasileiro e entregue ao governo nazista da Alemanha, que a procurava desde 1928 [em 1928 vigorava na Alemanha a República de Weimar, não nazista] (...) em fevereiro de 1942, (...) Olga foi executada na câmara de gás".

"... Em 1928, com 20 anos, como tarefa do Partido Comunista da Alemanha, [Olga Benario] prepara uma espetacular operação militar para libertar o namorado Otto Braun, também comunista, da prisão de Moabit.  Após o sucesso dessa ação, Otto e Olga se refugiam na URSS, onde passariam alguns anos (...)  Nesse período, já conhecida pela sua façanha em Moabit, Olga se torna um grande quadro político-militar da Internacional Comunista (...)  Olga recebeu, em 1934, a missão (...) de acompanhar, na condição de segurança pessoal, Luís Carlos Prestes ao Brasil, para que este liderasse a revolução de 1935.  Ambos adotam nomes e nacionalidades falsas (...) como Antônio Vilar e Maria Bergner Vilar".

  - Wikipedia -
"Prestes volta ao Brasil, acompanhado por Olga Benário, como clandestino, passando-se por marido e mulher.  Seu objetivo era liderar uma revolução armada, com o apoio de Moscou.  
Prestes seria acompanhado por um pequeno grupo de quadros, encarregado de auxiliá-lo na preparação da insurreição.  
Eram eles Inés Tulchniska, Abraham Gurasky 'Pierre', o alemão Arthur Ernst Ewert (mais conhecido no Brasil como Harry Berger), sua esposa alemã Elise Saborovsky, o belga Leon Jan Jolles Vallée, Boris Kraevsky, o argentino Rodolfo José Ghioldi, Carmen de Alfaya, a própria Olga Benário, Johann de Graaf, Helena Kruger, Pavel Vladimirovich Stuchevski, que chefiava o aparelho do Komintern no Rio de Janeiro.
Prestes e Olga chegaram ao Brasil com documentos falsos em abril de 1935, fingindo serem um casal português mas se mantendo na clandestinidade.
O país havia se reconstitucionalizado  desde 1934, mas com o Presidente Vargas na situação ambígua de presidente eleito pelo voto indireto da própria Constituinte.
Prestes encontra o movimento recém-constituído denominado Aliança Nacional Libertadora (ANL), frente política revolucionária comunista de caráter antifascista e anti-imperialista que congregava tenentes, socialistas e comunistas descontentes com o Governo Vargas.  
Mesmo clandestino, Prestes é calorosamente aclamado presidente de honra da ANL em sua sessão inaugural no Rio de Janeiro.  Em julho de 1935, [Prestes] divulga um manifesto incendiário, apelando para os sentimentos nacionalistas das classes médias exigindo 'todo o poder' à ANL e a derrubada do governo Vargas.  Vargas declara a ANL ilegal, o que não impede Prestes de continuar a organizar o que ficou conhecido como Intentona Comunista.
Os preparativos insurrecionais caminhavam quando, em novembro de 1935, um levante armado estourou na cidade de Natal, motivado principalmente por fatores locais.  Prestes ordenou, então, que a insurreição fosse estendida ao resto do país.  Porém, apenas algumas unidades de Recife e Rio de Janeiro se levantaram.  O governo brasileiro logo controlou a situação e desencadeou forte repressão sobre os setores oposicionistas.
(...) os campos de concentração nazistas, à época [da extradição de Olga, em 1936], não funcionavam como aparatos de extermínio, era do conhecimento público que eram centros de detenção extrajudicial onde os internos eram tratados com intensa crueldade.
O Supremo Tribunal Federal aprovou o pedido de extradição, Vargas não decretou indulto e Olga foi deportada para a Alemanha, juntamente com a amiga Sabo.
Apesar de o contexto em parte justificar a decisão, em 1998 o então presidente do Supremo, Celso de Mello, declarou que a extradição fora um erro.  'O STF cometeu erros, este foi um deles, porque permitiu a entrega de uma pessoa a um regime totalitário como o nazista, uma mulher que estava grávida'."

  citadino.blogspot.com.br/2007/10/eisenhower-churchill-e-de-gaulle-no.html  -  Mito & Realidade - sábado, 20/10/2007  -
"Eisenhower, Churchill e de Gaulle não tiveram conhecimento das câmaras de gás nazis  -  por  Robert Faurisson  -
Três das mais conhecidas obras sobre a Segunda Guerra Mundial são a  'Cruzada na Europa' do general Eisenhower (Crusade in Europe),  'A Segunda Guerra Mundial' de Winston Churchill (The Second World War), e o  'Memórias da Guerra' do general de Gaulle (Memoires de guerre).  
Nestas três obras não há uma única referência às câmaras de gás nazis.
A 'Cruzada na Europa' de Eisenhower é um livro de 559 páginas;  os seis volumes de 'A Segunda Guerra Mundial' de Churchill têm um total de 4.448 páginas; e o 'Memórias da Guerra' do general de Gaulle tem 2.054 páginas.  Em nenhuma destas três obras publicadas entre 1948 e 1959, que perfazem um total de 7.061 páginas (não incluindo as partes introdutórias), se encontra uma única referência às câmaras de gás nazis, ao genocídio de judeus, ou às seis milhões de vítimas judaicas da Guerra.
As câmaras de gás, utilizadas para assassinar milhões de judeus não mereceriam nem que fosse apenas uma referência passageira, nas obras de Eisenhower, Churchill ou de Gaulle?"

                                              -   OBSERVAÇÃO  -

No caso de Churchill, a situação desperta forte curiosidade, visto que a inteligência inglesa, pouco antes do início da guera em 1939, já obtivera os meios para interceptar as mensagens secretas da maioria das operações alemãs, o que aconteceu durante toda a guerra.
A esse respeito, consta nas páginas 101/2 do livro "O Piloto de Hitler", de C. G. Sweeting, o seguinte registro:
                             "Hitler tinha uma preocupação permanente com a questão da segurança, mas durante toda a guerra não descobriu que ordens altamente secretas, tanto dele quanto do Estado-Maior, para os comandantes no campo e todos os relatórios do campo para o Führer estavam sendo interceptados e decodificados pelos Aliados.
Em 1939, pouco antes do início da guerra, agentes britânicos na Polônia, seguindo um plano de inteligência polonesa, obtiveram uma cópia precisa da engenhosa máquina de criptografia alemã chamada Enigma.  Os ingleses pegaram a Enigma e criaram, depois de muito esforço, uma outra máquina chamada Ultra, que decifrava as mensagens em código da Enigma.
Assim, os líderes da Grã-Bretanha, e posteriormente dos Estados Unidos, sabiam com antecedência os detalhes da maioria das operações da Alemanha na guerra.  Mais tarde, foram capturadas outras máquinas Enigma, e é possível que, sem esse serviço de inteligência, os Aliados tivessem perdido a guerra.  Da forma como as coisas aconteceram, os Aliados tiveram uma tremenda vantagem, pois sabiam onde, quando, e com que força os alemães pretendiam atacar ou se defender.  Só depois do fim da 2ª Guerra Mundial é que o segredo da Ultra foi finalmente revelado.  Devemos lembrar que a inteligência alemã também conseguiu decifrar alguns códigos dos Aliados, inclusive o código da Marinha Real Britânica emuso na época da campanha norueguesa".  

- "O Piloto de Hitler", C. G. Sweeting, norte-americano, especialista em história militar alemã, páginas 174, 256 e 264/5 -
"No início da manhã do dia 1º de setembro de 1939, sem uma declaração de guerra forças de terra e do ar invadiram a Polônia. (...) ele [Hitler] queria declarar guerra total não só ao 'marxismo internacional', mas também ao 'capitalismo financeiro internacional', que eram 'ambos criaturas do judaísmo internacional'. (...) 
Talvez a guerra com a União Soviética [a ordem para o ataque foi dada às 3:15 horas do dia 22/06/1941], com toda a destruição e mortes terríveis, tenha sido o catalizador que motivou Hitler a iniciar o ato final de violência contra o povo judeu.  Desde 1933, ele havia eliminado quase todos os seus direitos civis como cidadãos alemães, e então começou o assédio, a perseguição e até a expulsão dos judeus da Alemanha.  Agora, ele decidira que os alemães estavam no caminho da vitória, e que havia chegado a hora de eliminar todos os judeus, junto com os democratas, os comunistas e outros que ele considerava inimigos de seus planos grandiosos para uma 'Nova Ordem' na Europa sob a hegemonia do nacional socialismo.

Embora os nazistas já tivessem começado a matar judeus no leste, no dia 20 de janeiro de 1942 foi realizado um encontro secreto num subúrbio de Berlim, para formalizar o genocídio e selar o destino de milhões de judeus, ciganos e outros.  Essa foi a infame Conferência de Wamsee, onde foi tomada a decisão de adotar o plano conhecido como Die Endloesung (Solução Final), o extermínio completo dos judeus na Europa.  Heinrich Himmler, Reinhard Heydrich e seus homens da SS foram encarregados do plano, e apesar de ter havido outros planos antissemitas ao longo da história, nada se compara a essa campanha sistemática, sem precedentes, de genocídio.  
Para realizar o programa, foi expandido o sistema de campos de concentração e Auschwitz, na Polônia, recebeu novo equipamento  -  câmaras de gás foram instaladas para o assassinato em massa dos presos.  Pouco depois, outros campos de morte começaram a operar na Polônia e trens lotados com homens, mulheres e crianças judias começaram a chegar de todas as partes da Europa ocupada.  Apesar da existência dos campos de concentração ser de conhecimento amplo, os campos da morte foram mantidos em segredo e nenhuma publicidade foi permitida...".

  - "Os Judeus, o Dinheiro e o Mundo", Jacques Attali - Judeu-francês, Attali "é um dos maiores e mais respeitados intelectuais da França.  Fundador e primeiro presidente do Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento (Berd), foi conselheiro especial do presidente François Mitterand..." -
"Em 6 de maio de 1942, em Nova York, os dirigentes da Agência Judaica encontram-se com representantes do governo americano no hotel Biltmore.  David Ben Gurion, chefe da Agência Judaica, explica que não haverá nova ordem mundial  'enquanto não for resolvido o problema de ausência de pátria dos judeus'.  Ele não sabe que, na Europa, a Shoah [Solução Final, eliminação] começou..." [pág. 534].

"Como um judeu no exterior seria tão perigoso quanto no interior, só restará a solução final. (...) O antissemitismo que há séculos acompanha a revolução industrial, encontra aí sua conclusão derradeira:  a eliminação, pela aplicação dos próprios princípios dessa revolução, dos inimigos da nova Alemanha, para impedi-los de prejudicar o país, do interior e do exterior.  Todos os atores da economia alemã, e não somente os nazistas, exercerão nisso seu papel. ..." [pág. 535].
"Em 30 de janeiro de 1933, (...) Hindenburg nomeia Hitler para o cargo de chanceler, (...) Em 27 de fevereiro o Reichstag é incendiado;  no dia 28, a pedido de Hitler, o marechal presidente suspende as liberdades fundamentais e manda prender grande número de comunistas;  Hindeburg convoca eleições para 5 de março de 1933.  Os nazistas obtêm 44 por cento dos votos.  Hitler é confirmado na chancelaria.
A eliminação dos judeus  -  teorizada há tanto tempo  -  organiza-se então em seis etapas:  expropriação, concentração, trabalhos forçados, operações móveis de matança, deportações, extermínio. ..." [pág. 536].

"Quanto às empresas [dos judeus], estas continuam funcionando.  Em 1936  -  ... as contas do Warburg [banco do magnata judeu Max Warburg]  ainda estão equilibradas.  Krupp [um dos maiores grupos da indústria pesada do aço da Alemanha de então]  continua pagando-lhe os juros devidos a título de empréstimos". [pág. 538].

"Numerosos judeus-alemães ainda pensam que o nazismo não passa de um fenômeno passageiro, que vai desaparecer rapidamente.  Existe até quem dê a entender que os nazistas apoiam o sionismo!..." [pág. 539].

"... [no] ano de 1938 começa a expropriação das empresas judaicas. (...) Em maio de 1938, o [Banco] Warburg é cedido a um empregado que se tornou nazista, Brinckmann.  É também o caso do Bleichröder, do Oppenheim e de uma centena de outros bancos judaicos.  Em julho de 1938, suprimem-se as licenças dos médicos e dos advogados judeus. ..." [pág. 540]. 

"[Ainda em 1938] Max Warburg [o mais destacado banqueiro judeu da Alemanha] decide-se a deixar Hamburgo. (...) Na noite de 9 para 10 de novembro de 1938, após o assassinato, em Paris, de um diplomata alemão por um jovem judeu polonês, Hershel Grinspan, os nazistas massacram centenas de pessoas e ferem gravemente milhares de outras.  7.500 lojas são saqueadas, 300 sinagogas incendiadas.  É a 'noite de Cristal'. (...) Vinte e cinco mil deles [judeus] são enviados para campos de concentração em Dachau, Oranienburg-Sachsenhausen, Buchenwald, Ravensbruck e Mauthausen, por comportamento 'antissocial' e 'criminoso'". [pág. 541].

"Em janeiro de 1939, Joachim von Ribbentrop repete que  'a Alemanha deve considerar perigosa a formação de um Estado judaico', porque  'isso traria um incremento internacional ao poder do judaísmo mundial'.  Ninguém quer entender que seu discurso, na realidade, implica a liquidação de todos os judeus sob controle alemão.
de 1938 a maio de 1939, somente 150 deles deixam o Reich;  quando explode a guerra, eles são ainda 370 mil.  A expropriação começa em setembro de 1939 na Polônia e, a partir de 18 de outubro de 1940, na França, assim como em todos os países anexados ou vencidos". [pág. 542].
"... os escritórios centrais aguardam com impaciência a liquidação dos guetos a fim de se apoderarem dos  'tesouros escondidos'.  Quando obtiverem ganho de causa, ficarão decepcionados:  os dois milhões e meio de judeus dos territórios ocupados e do governo geral não têm quase nada;  em todo caso, possuem muito menos do que do que os 800 mil judeus do Reich.  [Notar que na página 542 está escrito:  '... quando explode a guerra, eles são ainda 370 mil' (no Reich)].
Após essas quatro primeiras etapas  -  definição, expropriação, concentração, trabalho forçado -, vem a  'solução final'. (...) No momento do ataque alemão contra a União Soviética, em 22 de junho de 1941,  2.160.000 judeus já se encontram nas regiões ocupadas pelos alemães (Ucrânia, Bielorússia, Crimeia).  Um milhão e meio de judeus conseguem fugir ante o avanço das tropas alemãs;  são apanhados na armadilha mais de dois milhões e meio, 90 por cento dos quais estão reunidos em menos de 50 cidades.  Aqueles que não se pode colocar para trabalhar não podem ser expulsos.  Precisa-se de espaço:  é necessário eliminá-los.
Em julho de 1941, Himmler confirma seu desejo de eliminar todos os judeus,  'eternos fermentos de corrupção', ..." [pág. 547].

"... os alemães, nos meses que precedem a invasão da URSS, preparam um primeiro método de extermínio em massa:  os grupamentos móveis de matança, os Einsatzgruppen.  Eles reúnem integrantes das SS, policiais alemães  -  tropas comuns  -  e às vezes também forças locais.  A partir da entrada na URSS, quatro desses grupamentos, ou seja, três mil homens  -  da Wehrmacht, e não das SS  -, são enviados como batedores, com ordem de capturar os judeus de surpresa, conduzi-los para fora da cidade, executá-los, de preferência à beira de um fosso que eles mesmos tenham sido obrigados a cavar para esse fim, e enterrá-los.  Tais operações são realizadas por soldados alemães comuns, que poderiam ter descumprido as ordens sem temer pela própria vida;  aliás, alguns  -  raros  -  fizeram isso.
Dos subúrbios de Leningrado até Odessa, Simferopol, Rostov, Babi Yar (perto de Kiev), Ponar (perto de Vilna) e Kaunas, entre junho e novembro de 1941, os Einsatzgruppen exterminam 500 mil judeus.  Em novembro, dois milhões deles ainda estão vivos na URSS.
No fim de 1943, mais 900 mil judeus são exterminados dessa maneira.  Essas fuzilarias são objeto de relatórios organizados por data, por localidade e por categorias de vítimas, redigidos por suboficiais e reunidos e sintetizados diariamente pelo RSHA (Escritório Central de Segurança do Reich)". [pág. 548].

"Em dezembro de 1941, iniciam-se experiências de extermínio por gás em Chelmno, na Polônia, com caminhões, cujos gases de escapamento asfixiam prisioneiros amontoaddos na parte traseira do veículo. (...)
Em 20 de janeiro de 1942, em Berlim, num belo palacete à beira do lago Wannsee, os representantes de todos os ministérios organizam a 'solução final'.  Assim que a conferência termina, em 25 de janeiro de 1942, Himmler escreve a Glücks (...)  ele pede a Glücks que massacre rapidamente 100 mil homens e 500 mil mulheres.  E ordena que todos os judeus do governo geral sejam exterminados antes de fim de 1942". [pág. 549].

"O morticínio assume uma amplitude industrial.  O uso do gás asfixiante torna-se regra. (...) Pouco a pouco, os centros de matança começam a operar:  Belzec, o primeiro, de outubro de 1941 a fevereiro de 1942, serve de protótipo;  Sobibor é então preparado em ritmo infernal, de março a abril de 1942;  em seguida, Treblinka é construído por judeus arrebanhados no gueto de Varsóvia. ..." [pág. 550].

"As deportações para os campos de extermínio começam em junho de 1942.  Cinco mil judeus são enviados de Cracóvia para o campo de Belzec e eliminados por gás.  Em outubro, outros seis mil ainda são enviados a Belzec e mortos por gás".  [pág. 552].

"Dos 35 mil prisioneiros que passaram por 'Buna III' [fábrica de borracha sintética da IG-Farben]morrem pelo menos 25 mil".  [pág. 555].

"Em outubro de 1943, um milhão e meio de judeus já foram massacrados nos campos da morte.  No verão de 1944, os 425 mil judeus da Hungria terminam seu martírio em Auschwitz". [pág. 556].

"No total, 75.721 judeus foram deportados da França.  Em novembro de 1944, os nazistas decidem que o problema judaico está resolvido e suspendem as operações com gás em Auschwitz, o último campo de extermínio ainda em atividade, destruindo as câmaras de gás e os fornos crematórios.  Os russos chegam ao local em 20 de janeiro de 1945".  [pág. 557].

"... em 1933, havia nove milhões de judeus na Europa, dois terços foram eliminados".  [pág. 558].

M. O.

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