Num breve resumo não é possível invocar as razões
económicas, e mesmo políticas, que após 1945 estão na origem dos diversos
movimentos de integração económica, tendo a criação e alargamento das
Comunidades Económicas Europeias (C.E.E.) a sua expressão mais acabada.
Tais fenómenos explicam-se pela situação, nomeadamente
europeia, no termo da Segunda Guerra Mundial, com grandes destruições e a
necessidade de reorganizar as relações económicas e as trocas entre os países
de economia de mercado: mas, ao mesmo tempo, o crescimento das grandes
empresas, a internacionalização das actividades produtivas, o papel crescente
dos Estados e a agudização da concorrência são alguns dos factores
determinantes da crescente integração em grupos económicos abertos entre si,
mas relativamente fechados face às economias externas.
No entanto, sem uma referência aos movimentos de institucionalização neste sentido que preparam o nascimento da CEE não só se não entenderia este organismo como também a posição de Portugal nestes últimos vinte e oito anos.
O primeiro passo remonta à criação do European Recovery Programm (Plano Marshall) em Julho de 1949, cuja ajuda o nosso país só aceitaria muito limitadamente (apenas na forma de empréstimos – e limitados – mas não “dádivas”).
Posteriormente, no plano político-militar, com a instauração da “guerra fria”, surge o Military Assistance Programm dos Estados Unidos da América, a instituição OTAN e, posteriormente, em 1955, do Pacto de Varsóvia.
Foi a partir da “Ajuda Marshall” que se criou a Comissão
de Cooperação Económica Europeia para administrar essa ajuda que até Julho de
1953 distribuiu treze biliões de dólares. Paralelamente, em Abril de 1948,
formava-se um organismo mais vasto, abrangendo dezoito países, a O.E.C.E., hoje
OCDE com vinte e quatro membros, incluindo Portugal.
É claro que surgiram vários outros organismos
internacionais abrangendo países europeus e extra-europeus, como por exemplo o
FMI (Junho de 1944), do qual o nosso país também se tornou membro. Mas é no plano europeu que o
movimento de integração por meio de organismos vai abrir o caminho para a CEE;
é o caso da União Europeia de Pagamentos (UEP, que vigorou de 1950 a 1958 e a
que Portugal também aderiu).
Foi porém a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço
(CECA), estabelecida a 18 de Abril de 1951 entre a Itália, a República Federal
da Alemanha, a França, o Luxemburgo, a Bélgica e a Holanda, que originou uma
das comunidades europeias, a que se juntaria a Comunidade Europeia da Energia
Atómica (CEEA) que, com o próprio estabelecimento da CEE entre esses seis
países pelo Tratado de Roma de 1957, originaria as Comunidades Económicas
Europeias, cujos órgãos se viriam a fundir em 1967.
A CEE, começou a funcionar em Janeiro de 1958 e Portugal,
com outros países da Europa Ocidental, viriam a reunir-se na Associação
Europeia de Comércio Livre, a partir do Tratado de Estocolmo em 1959. Mas o
grau de integração na EFTA era muito inferior ao da CEE, razão pela qual
Portugal optou por aquela, dado o seu atraso económico relativo, e mesmo assim
ainda obteve prazos mais largos de desmobilização aduaneira conforme o Anexo G
do Tratado de Estocolmo.
Com efeito, a integração na CEE implica não só uma livre
concorrência comercial entre os seus membros como ainda livre circulação de
capitais e pessoas. Além disso, foram dados passos posteriores no sentido da
homgeneização tanto económica como política, bastando recordar a entrada em
vigor do ECU, moeda europeia, em 13 de Março de 1979, com um valor então igual
ao do dólar anterior á desvalorização (a 1,35 dólares dos Estados Unidos da
América).
Aliás, Portugal viria a assinar um acordo comercial com a
CEE a exemplo de outros tratados semelhantes da Comunidade, de harmonia com o
artigo 238 do Tratado de Roma.
Esse tratado, de 1972, previa uma redução das taxas
aduaneiras em quatro fases, a última das quais com início a 1 de Julho de 1977.
Na viragem dos anos 60 para 70 desenvolveu-se no nosso país uma confrontação de
posições a nível das forças políticas dominantes e patronais, entre uma facção
partidária da integração europeia e outra privilegiando as relações com as
colónias portuguesas e, eventualmente, com o Brasil, a grande potência de
língua portuguesa de além-Atlântico.
Entretanto a CEE viria a conhecer o seu primeiro
alargamento pela adesão do Reino Unido, da Irlanda e da Dinamarca (a Noruega
viria a recusar o ingresso), passando-se da CEE a seis para a CEE a nove. O
segundo alargamento teria lugar pelo ingresso da Grécia, que se tornaria
efectivo no começo de 1981.
Movido por preocupações essencialmente políticas, o governo português viria a solicitar oficialmente a abertura de negociações para a adesão em 1976.
Não cabe nesta breve recensão recordar os principais episódios
de uma adesão que no aspecto económico tanto geral como tendo em conta as
condições concretas da sua conclusão tem suscitado não poucas críticas ou
reservas. Bastará sublinhar que aquilo que cronologicamente constituirá o
terceiro alargamento das Comunidades Económicas Europeias pelo ingresso da
Espanha e de Portugal foi consagrado pelos acordos de Julho de 1985, devendo a
adesão dos dois países ibéricos tornar-se efectiva a partir de 1 de Janeiro de
1986, significando que, da inicial Comunidade com seis membros, no ano de 1986
se estará perante uma organização europeia ocidental com doze países
associados.
O grande “acidente” aconteceu devido à falta de políticas
sociais e salariais, ficando-se Portugal pela posição de ser “um eterno aluno”
da Europa já globalizada e económica apenas, dando origem a uma tremenda
corrupção em Portugal, obrigando os governos a que a população seja quem paga
todas as diferenças crescentes, devido a crises constantes, das quais a actual
é um “belíssimo exemplo”, sobretudo tendo em conta casos como os do BPN, BPP e
Banif, mas também a distribuição de subvenções por entre os amigos dos
políticos então, ou desde então no poder.

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