sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

«OS PREGADORES»


















Será pela matéria ou matérias que tomam os pregadores?

Usa-se hoje o modo que chama de apostilar o Evangelho, em que tomam muitas matérias, levantam muitos assuntos, e quem levanta muita caça e não segue nenhuma, não é muito que se recolha com as mãos vazias. Boa razão é também esta.

O sermão há-de ter um só assunto e uma só matéria. Por isso Cristo disse que o lavrador do Evangelho não semeara muitos géneros de sementes, senão uma só: «Saiu o que semeia a semear.» Semeou uma semente só, e não muitas matérias. Se o lavrador semara primeiro trigo, e sobre trigo semeara centeio, e sobre o centeio semeara milho grosso e miúdo, e sobre o milho semeara cevada, que havia de nascer? – Uma mata brava, uma confusão verde.

Eis aqui o que acontece aos sermões deste género. Como semeiam tanta variedade, não podem colher coisa certa.

Quem semeia misturas, mal pode colher trigo. Se uma nau fizesse um bordo para o norte, outro para o sul, outro para leste, outro para oeste, como poderia fazer viagem?

Por isso nos púlpitos se trabalha tanto e se navega tão pouco. Um assunto vai para um vento, outro vai para outro vento; que se há-de colher senão vento?

O Baptista convertia muitos em Judeia; mas quantas matérias tomava? – Uma só matéria: «Aparelhai o caminho do Senhor!?; a preparação para o Reino de Cristo.

Jonas converteu os Ninivitas; mas quantos assuntos tomou? – Um só assunto: «Daqui a quarenta dias será Ninive subvertida»; a subversão da cidade.

De maneira que Jonas em quarenta dias pregou um só assunto, e nós queremos pregar quarenta assuntos numa hora! Por isso não pregamos nenhum. O sermão há-de ser de uma só cor, há-de ter um  só objecto, um só assunto, uma só matéria.

(…)

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