Em muitas funções e aptidões, alguns animais
são claramente superiores ao homem. Por exemplo, as enguias, o salmão, o caribu
e muitas espécies de aves demonstram um sentido de orientação espantoso nas
suas longas migrações; os donos de cães ou gatos sabem que estes animais
possuem sentidos de olfacto e audição melhores que os nossos.
Por trás de cada um destes talentos
sobre-humanos está uma área do cérebro maior que a nossa ou estrutura por
forma a possibilitar essa faculdade específica.
Em contrapartida, aquilo que distingue
verdadeiramente o cérebro humano é a dimensão relativa do córtex cerebral, o
revestimento de massa cinzenta, com cerca de oito milímetros de espessura, que
envolve exteriormente os lobos e hemisférios cerebrais.
O homem é o animal em que, relativamente à
dimensão do corpo, a espessura cortical é maior.
O córtex cerebral humano distingue-se ainda
pela sua enorme quantidade de dobras e redobras (circunvoluções, ou giros) e
sulcos, ou cisuras, que assim aumentam a superfície do córtex e permitem que
uma quantidade máxima de massa cinzenta se encontre dentro dos limites rígidos
da caixa craniana.
O encéfalo dos mamíferos inferiores, com
cótrtexes menos pregueados (relativamente mais lisos), tem menor superfície e,
consequentemente, menos massa cinzenta.
A maioria dos cientistas concorda que as
faculdades únicas do encéfalo humano são directamente imputáveis ao córtex
cerebral.
É dali que derivam as funções intelectuais
superiores e é ali a sede de, por exemplo, a linguagem – falada e escrita – que
nos distingue dos outros mamíferos e que enforma o raciocínio – a observação, a
análise e integração da experiência, a capacidade de resolver novos problemas –
a capacidade de antecipação e previsão e a própria imaginação.
Ao longo de milhares de anos, a consciência,
o seu significado e origem têm sido objecto de inúmeras discussões.
Actualmente, neurologistas, psicólogos e
psiquiatras e filósofos continuam em discordância profunda. Para uns, a
consciência é o conhecimento da própria identidade, isto é, o apercebemo-nos
do nosso próprio comportamento e das suas causas e efeitos.
Neste sentido, a consciência é algo que as
plantas provavelmente não possuem, que alguns animais possuirão e que a
maioria das pessoas possui de forma clara e suficiente, talvez com excepção
dos políticos.
Outra forma de definir consciência é através
da experiência pessoal. Estamos mais ou menos inconscientes quando nos
encontramos a dormir sob o efeito de uma droga ou fomos atingidos por alguma
pancada; voltamos a estar conscientes quando acordamos.
Nesta acepção, consciência tem para nós praticamente
o mesmo significado que para os animais.
Se o estado de inconsciência se prolonga,
como num coma profundo, pode ser necessária actuação médica.
O fulcro de muitas discussões acerca do
significado da consciência é o saber-se se a consciência humana representa ou
não determinada forma de atributo não-físico que transcende o conhecimento
científico.
Alguns daqueles que entendem que o “cérebro”
e a “mente” são essencialmente duas entidades distintas, uma quantitativa e outra
qualitativa, consideram o cérebro, mas não a mente, acessível à análise
científica normal.
Segundo este ponto de vista, a consciência
humana, nos seus níveis mais elevados, é inatingível; a mente corresponde,
neste sentido, à alma ou ao espírito.

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