domingo, 4 de agosto de 2013

«O CÓRTEX CEREBRAL»

Em muitas funções e aptidões, alguns animais são claramente superiores ao homem. Por exemplo, as enguias, o salmão, o caribu e muitas espécies de aves demonstram um sentido de orientação espantoso nas suas longas migrações; os donos de cães ou gatos sabem que estes animais possuem sentidos de olfacto e audição melhores que os nossos.

Por trás de cada um destes talentos sobre-humanos está uma área do cérebro maior que a nossa ou estrutura por forma a possibilitar essa faculdade específica.

Em contrapartida, aquilo que distingue verdadeiramente o cérebro humano é a dimensão relativa do córtex cerebral, o revestimento de massa cinzenta, com cerca de oito milímetros de espessura, que envolve exteriormente os lobos e hemisférios cerebrais.

O homem é o animal em que, relativamente à dimensão do corpo, a espessura cortical é maior.

O córtex cerebral humano distingue-se ainda pela sua enorme quantidade de dobras e redobras (circunvoluções, ou giros) e sulcos, ou cisuras, que assim aumentam a superfície do córtex e permitem que uma quantidade máxima de massa cinzenta se encontre dentro dos limites rígidos da caixa craniana.

O encéfalo dos mamíferos inferiores, com cótrtexes menos pregueados (relativamente mais lisos), tem menor superfície e, consequentemente, menos massa cinzenta.

A maioria dos cientistas concorda que as faculdades únicas do encéfalo humano são directamente imputáveis ao córtex cerebral.

É dali que derivam as funções intelectuais superiores e é ali a sede de, por exemplo, a linguagem – falada e escrita – que nos distingue dos outros mamíferos e que enforma o raciocínio – a observação, a análise e integração da experiência, a capacidade de resolver novos problemas – a capacidade de antecipação e previsão e a própria imaginação.

Ao longo de milhares de anos, a consciência, o seu significado e origem têm sido objecto de inúmeras discussões.

Actualmente, neurologistas, psicólogos e psiquiatras e filósofos continuam em discordância profunda. Para uns, a consciência é o conhecimento da própria identidade, isto é, o apercebemo-nos do nosso próprio comportamento e das suas causas e efeitos.

Neste sentido, a consciência é algo que as plantas provavelmente não possuem, que alguns animais possuirão e que a maioria das pessoas possui de forma clara e suficiente, talvez com excepção dos políticos.

Outra forma de definir consciência é através da experiência pessoal. Estamos mais ou menos inconscientes quando nos encontramos a dormir sob o efeito de uma droga ou fomos atingidos por alguma pancada; voltamos a estar conscientes quando acordamos.

Nesta acepção, consciência tem para nós praticamente o mesmo significado que para os animais.

Se o estado de inconsciência se prolonga, como num coma profundo, pode ser necessária actuação médica.

O fulcro de muitas discussões acerca do significado da consciência é o saber-se se a consciência humana representa ou não determinada forma de atributo não-físico que transcende o conhecimento científico.

Alguns daqueles que entendem que o “cérebro” e a “mente” são essencialmente duas entidades distintas, uma quantitativa e outra qualitativa, consideram o cérebro, mas não a mente, acessível à análise científica normal.


Segundo este ponto de vista, a consciência humana, nos seus níveis mais elevados, é inatingível; a mente corresponde, neste sentido, à alma ou ao espírito.

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