Um grupo de cidadãos de Braga marcou para
segunda-feira uma concentração de repúdio pela colocação, naquela cidade, de
uma estátua ao cónego Melo, considerando que se trata de “um ataque à memória
dos que contribuíram para a instauração da liberdade”.
“Braga necessita de homenagear os seus democratas, não
precisa de evocar aqueles que se comprometeram ideológica e politicamente com
as forças que se opuseram à instauração da democracia em Portugal”, refere a
convocatória do protesto, subscrita por oito dezenas de cidadãos.
Para os mentores da concentração, a estátua “é um
ataque à memória dos que contribuíram para a instauração da liberdade,
prejudica a imagem de Braga como município aberto e democrático e introduz uma
irreparável divisão entre bracarenses”.
“Esta estátua foi desejada por uns poucos e repudiada
por uma imensa maioria”, sublinham.
A concentração pacífica, marcada para o lugar da
implantação da estátua, “visa reafirmar os ideais democráticos de abril e
repudiar a mitificação de valores e de atos que evocam os tempos da obscuridade
e da servidão”.
Uma estátua ao cónego Melo foi sábado colocada numa
rotunda da cidade de Braga, numa iniciativa de um grupo de cidadãos de Braga,
para homenagear aquele que foi vigário geral da arquidiocese durante mais de
três décadas.
Na Câmara, a implantação do monumento foi aprovada com
os votos favoráveis do PS e com a abstenção dos vereadores eleitos pela
coligação Juntos por Braga.
"Quer homenagear o cidadão cónego de Melo. Que
fique bem claro. O cidadão, o bracarense, que era um bracarense dos sete
costados. Era um grande bracarense e, como tal, é essa homenagem que nós lhe
devemos. O resto tem que ser abstraído", justificou o presidente da
Câmara, Mesquita Machado.
A proposta para a colocação da estátua mereceu a
abstenção da coligação Juntos por Braga (PSD, CDS-PP e PPM).
O Bloco de Esquerda e o PCP de Braga já contestaram
publicamente a estátua, sublinhando que o homenageado, logo após a revolução
democrática, “participou na organização do fascista autodenominado Exército de
Libertação Nacional (ELP), promoveu a destruição de sedes do PCP e de
organizações de esquerda e apoiou atentados bombistas, designadamente o que
vitimou o padre Max”.


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