Segundo a Bíblia, a mulher foi feita a partir
de uma costela de Adão, significando com isso, que ela é companheira, isto é,
está seu lado, tal como as costelas.
(Se eu tivesse sido o Adão, teria pedido a
Deus que em vez de uma, me retirasse duas costelas e com elas fizesse duas ou
três mulheres, usando as costelas flutuantes, cada uma com as suas
características, isto é, uma loira, uma morena e uma ruiva.)
O osso da costela alude à igualdade entre
homem e mulher, dado que não foi utilizado um osso inferior (um osso do pé, por
exemplo) ou da mão, mas sim um osso do lado. Outra interpretação, em sintonia
com a primeira, lembra que a mulher é protectora da vida, dado que os ossos da
costela protegem o coração.
Segundo Joseph Campbell, a metade da
população mundial considera que as metáforas das suas tradições religiosas são
factos. A outra metade afirma que não são factos de forma alguma.
O resultado é que temos indivíduos que as
consideram fiéis porque aceitam as metáforas como factos, e outros que se
julgam ateus porque acham que as metáforas religiosas são mentiras.
Uma dessas grandes metáforas é a de Eva.
Campbell expõe que a metáfora da costela de Adão exemplifica o distanciamento
dos hebreus da religião cultivada entre os antigos - do culto da Mãe Terra. Este culto insere-se
num contexto social e religioso cujas raízes remontam aos registos
pré-históricos do paleolítico e do neolítico.
A arqueologia pré-histórica e a mitologia pagã
registam esta origem do culto à Deusa Mãe. As mais remotas descobertas de uma
religião humana remontam, inicialmente, ao culto dos mortos, e ao intenso culto
da cor vermelha ou ocre, associado ao sangue menstrual e ao poder de dar a
vida.
Na mitologia grega, a chamada “mãe de todos
os deuses”, a deusa Reia (ou Cibele, entre os romanos), exprime este culto na
própria etimologia: reia significa “terra” ou “fluxo”. Campbell argumenta que
Adão (do hebraico DTN, relacionado tanto a adamã ou “solo vermelho”, quanto a
adom ou “vermelho”, e dam, “sangue”) foi criado a partir do barro vermelho ou
argila.
A identidade da religião com a Mãe
Terra, fertilidade, a origem da vida e
da manutenção da mesma com a mulher, seria, segundo Campbell, retratada também
na Bíblia: “…a santidade da terra, em si, porque ela é o corpo da Deusa.
Ao criar, Jeová cria o homem a partir da
terra (da Deusa), do barro, e sopra vida no corpo já formado. Ele próprio não
está ali, presente, nessa forma. Mas a Deusa está ali dentro, assim como continua
aqui fora. O corpo de cada um é feito do corpo dela. Nessas mitologias dá-se o
reconhecimento dessa espécie de identidade universal.
Segundo Cmpbell, o patriarcalismo surgido com
os hebreus deve-se, entre outras razões,, à actividade belicosa do pastoreio de
gado bovino e caprino e às constantes perseguições religiosas que desencadearam
o nomadismo e a perda de identidade territorial.
O papel atribuído á mulher é referido na
Bíblia como portadora, tal como o homem, da marca da divindade de Deus: esposas
têm sempre papel importante, seja como amadas parceiras ou como companheiras dos
maridos.

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