segunda-feira, 19 de agosto de 2013

«A MULHER»

Segundo a Bíblia, a mulher foi feita a partir de uma costela de Adão, significando com isso, que ela é companheira, isto é, está  seu lado, tal como  as costelas.

(Se eu tivesse sido o Adão, teria pedido a Deus que em vez de uma, me retirasse duas costelas e com elas fizesse duas ou três mulheres, usando as costelas flutuantes, cada uma com as suas características, isto é, uma loira, uma morena e uma ruiva.)

O osso da costela alude à igualdade entre homem e mulher, dado que não foi utilizado um osso inferior (um osso do pé, por exemplo) ou da mão, mas sim um osso do lado. Outra interpretação, em sintonia com a primeira, lembra que a mulher é protectora da vida, dado que os ossos da costela protegem o coração.

Segundo Joseph Campbell, a metade da população mundial considera que as metáforas das suas tradições religiosas são factos. A outra metade afirma que não são factos de forma alguma.

O resultado é que temos indivíduos que as consideram fiéis porque aceitam as metáforas como factos, e outros que se julgam ateus porque acham que as metáforas religiosas são mentiras.

Uma dessas grandes metáforas é a de Eva. Campbell expõe que a metáfora da costela de Adão exemplifica o distanciamento dos hebreus da religião cultivada entre os antigos -  do culto da Mãe Terra. Este culto insere-se num contexto social e religioso cujas raízes remontam aos registos pré-históricos do paleolítico e do neolítico.

A arqueologia pré-histórica e a mitologia pagã registam esta origem do culto à Deusa Mãe. As mais remotas descobertas de uma religião humana remontam, inicialmente, ao culto dos mortos, e ao intenso culto da cor vermelha ou ocre, associado ao sangue menstrual e ao poder de dar a vida.

Na mitologia grega, a chamada “mãe de todos os deuses”, a deusa Reia (ou Cibele, entre os romanos), exprime este culto na própria etimologia: reia significa “terra” ou “fluxo”. Campbell argumenta que Adão (do hebraico DTN, relacionado tanto a adamã ou “solo vermelho”, quanto a adom ou “vermelho”, e dam, “sangue”) foi criado a partir do barro vermelho ou argila.

A identidade da religião com a Mãe Terra,  fertilidade, a origem da vida e da manutenção da mesma com a mulher, seria, segundo Campbell, retratada também na Bíblia: “…a santidade da terra, em si, porque ela é o corpo da Deusa.

Ao criar, Jeová cria o homem a partir da terra (da Deusa), do barro, e sopra vida no corpo já formado. Ele próprio não está ali, presente, nessa forma. Mas a Deusa está ali dentro, assim como continua aqui fora. O corpo de cada um é feito do corpo dela. Nessas mitologias dá-se o reconhecimento dessa espécie de identidade universal.

Segundo Cmpbell, o patriarcalismo surgido com os hebreus deve-se, entre outras razões,, à actividade belicosa do pastoreio de gado bovino e caprino e às constantes perseguições religiosas que desencadearam o nomadismo e a perda de identidade territorial.

O papel atribuído á mulher é referido na Bíblia como portadora, tal como o homem, da marca da divindade de Deus: esposas têm sempre papel importante, seja como amadas parceiras ou como companheiras dos maridos.


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