Alexandre
Soares dos Santos
O presidente da Fundação
Francisco Manuel dos Santos disse, no início da conferência em que se apresenta
o estudo sobre os 25 anos de Portugal na União Europeia, que "mais do que
uma UE, somos hoje a imagem viva da desunião europeia".
A conferência começou com a intervenção de Alexandre Soares dos
Santos, presidente da fundação que encomendou o estudo que, entre críticas quer
ao estado do país quer a um certo tipo de desunião na UE, salientou a
importância de uma Europa unida.
"Portugal
habituou-se à dependência e a confiar na sorte", disse
Alexandre Soares dos Santos, lembrando que "nunca como hoje o sonho
europeu fez tanto sentido e também nunca esteve tão ameaçado".
"Mais do que uma UE, somos hoje a imagem viva da desunião
europeia.
Gostava que
Portugal assumisse os seus erros e percebesse que só é viável enquanto estado
dentro do processo europeu", acrescentou.
"Espero que este estudo contribua para Portugal encontrar-se
com a Europa", explicou.
Na conferência que decorre no Pátio da Galé, em Lisboa, estão
cerca de 300 pessoas, entre elas o secretário de estado Pedro Lomba, o
economista João Salgueiro, a ex-ministra da Saúde e atual presidente da
Fundação Champalimaud, Leonor Beleza, ou o presidente da Portugal Telecom,
Henrique Granadeiro.
A realidade documentada
Em Portugal é mais ou menos habitual argumentar-se politicamente
com base em impressões ditadas pela observação superficial da realidade.
A lacuna tem muito que ver com a organização caótica e a revelação
tardia de grande parte dos dados estatísticos que existem - onde, note-se, tem havido nos
últimos anos assinaláveis e profundas melhorias -
e, por outro lado, com falta de trabalho técnico e científico com expressão
pública, fora do restrito âmbito académico, que cruze e interprete essa
informação de forma compreensível para a opinião pública.
Tem, por isso, enorme relevância o trabalho que a Fundação
Francisco Manuel dos Santos promoveu, com a colaboração do professor Augusto
Mateus, sobre os efeitos económicos e sociais em Portugal do fluxo de Fundos
Europeus, de 1986 até 2011.
Foram coligidos, cruzados e interpretados milhares de dados, foram
comparadas as realidades do passado, do presente e dos outros países da União
Europeia.
O resultado suscitará os mais diversos comentários - desde os que
concluirão pelo êxito total da entrada do País na União Europeia aos mais
eurocéticos - e permitirá opinar sobre o futuro - quer para os defensores de
mais Estado na economia, como para os que pretendem o contrário.
Mas, com
a ajuda do Diário de Notícias, essas ideias e essa diversidade democrática
terão agora oportunidade de se sustentar em bases sólidas de argumentação.
Tarde e a más horas
Previsões
não são medições da realidade da economia.
Não podem, assim, ser tomadas à letra.
Já a sequência das previsões, apresentadas por várias entidades -
CE, FMI, BCE, OCDE ou Banco de Portugal -, indica-nos tendências, positivas ou
negativas.
Não vale, pois, desqualificar hoje uma instituição - no caso, a
OCDE - só porque as previsões que apresenta divergem para bastante pior das do
Governo, quando, há uma escassa semana, foi o próprio primeiro-ministro a
deslocar-se a Paris, para ouvir, da boca do sr. Gurría, na sede dessa mesma
organização, as propostas para a reforma do Estado que lhe foram encomendadas.
Na sequência vertiginosa de previsões, que, de há dois anos e meio
a esta parte, mais parece uma corrida para o abismo, o impensável está escrito
em letra de forma:
segundo a
OCDE, em 2013, o défice público em Portugal fica ao mesmíssimo nível do de
2012: -6,4%.
Como o PIB cai mais do que se previa, o efeito é o de fazer
crescer ainda mais o montante da dívida do Estado, ultrapassando os 130% do PIB
em 2014.
O Governo bem pode desvalorizar ou distribuir culpas.
Ninguém acredita que não se aperceba do alcance devastador destas
previsões da OCDE.
Elas descrevem o impasse a que chegou a estratégia da redução do
défice "custe o que custar".
Talvez por isso tenha o ministro da Economia reagido,
reivindicando que a Europa assuma uma linha de relançamento económico, e tenha
o ministro das Finanças reconhecido, pela primeira vez, que a retoma da
economia tem de passar pela reanimação do mercado interno e não pode assentar,
apenas, nas exportações.
Tarde e a más horas, mas acabam por reconhecê-lo!
É uma mudança de discurso.
Que infelizmente também começou primeiro lá fora.
=L. A. V.=

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