Juntamente com
minha esposa, íamos deambulando rua fora e, como me competia, mantinha-me
atento ao que a minha companheira de longos anos dizia, falando de várias
coisas, até que fomos ultrapassados por uma jovem que vi, levava vestida uma
mini-saia.
Aliás,
segui-a com o olhar, vi e calei, sendo minha amiga e companheira, quem me
chamou a atenção da sua compostura.
Não podia
recusar dar uma opinião, mas limitei-a a culpabilizar a mala que levava ao
ombro, que repuxou a sua saia, mimoseando os olhos de quem a via.
Sim, porque
nunca desvio os olhos quando lhes surge uma oportunidade de apreciar um belo
espectáculo, sobretudo se feminino. Se mais uma palavra, puxei do telemóvel, e
zás, fotografei-a.
Tendo
guardado o telemóvel, ouvi atrás de nós, umas gargalhadas e reparei que ela
virava a cabeça, curiosa por saber quem eram os autores das rizadas sonoras.
Como me
mantive bem sério e a dar atenção ao que me dizia minha esposa, o olhar dela
desviou-se mais para trás de nós, fixando-se por segundos em quatro jovens,
duas raparigas e dois rapazes que vinham logo a seguir.
Francamente,
não sei. Nem me interessa, de que riam eles e elas, nem sequer ousei fazer-lhe
um gesto, como era minha vontade, para que baixasse a saia.
Altiva,
voltou a olhar para diante, sem se aperceber de que mostrava parte das nádegas
que, verdade seja dita, davam um ar novo à avenida porque seguíamos.
Mais
adiante, minha esposa quis ver uma montra e parámos, depois entramos no
estabelecimento e minha mulher comprou mais uns artigos de que gostou.
Após termos
ido à caixa pagar, recuperar os artigos e sairmos dali, já ela ía longe, o que
involuntariamente me fez ficar macambúzio, apesar de tudo, pois não teria
desgostado poder manter na visão aquela altiva e soberba rapariga que nos
proporcionava tão belo espectáculo.
Chegados a
casa, minha esposa, que afinal se tinha apercebido da minha reacção, e tente-se
enganar uma mulher que nos conhece há mais de quarenta anos, e aí sim, soltou
uma sonora gargalhada, acabando por me explicar que só parou no estabelecimento
e comprou aqueles artigos, para lhe dar tempo de se distanciar para bem longe
do meu olhar.
Já viram
melhor maneira de, sem ofender, ridicularizar um marido? Mas, abençoadas sejam
as mulheres, especialmente a minha que tanto zela pelo meu bem-estar.

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