quarta-feira, 29 de maio de 2013

Chumbo do Constitucional à última lei de Relvas aplaudido

O Tribunal Constitucional declarou esta terça-feira inconstitucionais todas as normas referidas no pedido de fiscalização preventiva do Presidente da República, Cavaco Silva, a respeito do estatuto das entidades intermunicipais e da transferência de competências do Estado para as autarquias locais, por sinal, a última lei da responsabilidade de Miguel Relvas.
“O TC declarou inconstitucionais todas as normas referidas no pedido [de fiscalização preventiva] do Presidente da República, em dois casos por unanimidade, e num outro por maioria”, disse ontem aos jornalistas o presidente daquele Tribunal, Joaquim Sousa Ribeiro, depois da leitura do acórdão.

Em causa estava a lei do estatuto das entidades intermunicipais, que previa a transferência de competências do Estado para as autarquias locais, a qual tinha sido desenhada pelo ex-ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas.

Ora, as reacções ao chumbo não se fizeram esperar. "Esta é uma vitória do poder local democrático e autónomo. De facto, esta lei que o Governo apresentou, que considerava as CIM como autarquias, desvirtuava o verdadeiro espírito do associativismo municipal e criava um modelo de governação sem legitimidade democrática, o qual contestávamos", disse à Lusa o vice-presidente da ANMP.

Além disso, acrescentou Rui Solheiro, a transferência de competências das autarquias para as CIM, que também estava prevista nesta lei, "colocava em causa a autonomia dos órgãos municipais", reforçando o papel das associações de municípios.

"A decisão do Tribunal Constitucional é uma profunda derrota para a maioria do PSD e CDS. Era evidente que esta lei violava grosseiramente a Constituição. Aliás, esta lei foi imposta pelo ex-ministro Miguel Relvas, é importante sublinhar que também é uma derrota ainda da política para as autarquias locais do ex-ministro", afirmou, por sua vez, a deputada do Bloco de Esquerda, Helena Pinto.

Entretanto, fonte governamental fez saber que o Executivo vai trabalhar com os grupos parlamentares para ultrapassar a declaração de inconstitucionalidade de normas do estatuto das entidades intermunicipais e da transferência de competências do Estado para as autarquias.

N. M.


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