Nenhuma delas é, foi ou será apenas membro do
sexo feminino, todas merecem manter-se fiéis à sua natureza de mulher, e, por
aí, fazer realçar toda a originalidade do génio feminino, e, daí, devo
render-lhes a mais justa e mais sensível homenagem.
Vejo-a, à mulher, e sempre a verei, no Porto
ou pelo país, como uma rosa, sempre a mesma, com essa sensualidade exacta e
brusca, esse amor da vida de todos os dias, uma lucidez inflexível.
Ouço-a e ouvi-la-ei sempre resumir a sua
existência a grandes traços: “Trabalho e peno. É uma profissão de forçado que,
de se fechar cada dia para escrever, lavar, cozinhar, cuidar dos filhos, do
marido.., enfim, quando está tão bom tempo, que me sinto convidada a cada instante.
Venham ver o meu quintal… onde tento ter de tudo um pouco, e onde passo boas
horas todos os dias, bastando ver os calos que tenho nas mãos.
Por vezes fala de todas as dificuldades que a
assolam e que a impedem de ser a mãe que desjava ser, pois parte-se-lhe o
coração saber não poder proporcionar aos filhos, ao seu marido e a si mesma, o
que desejaria, se a vida lho permitisse.
Há muito que deixou de ter emprego, e, com o
ordenado do marido, sem o abono de família que antes recebia, muito
dificilmente consegue dar de comer aos filhos, vesti-los e comprar os livros
para aqueles que já frequentam a escola.
Gostaria de poder fazer uma viagem rumo ao
sol. Uma viagem para uma terra com luz sempre brilhante e quente, mas ainda uma
vez mais deve ficar pelos desejos; por vezes ergue os olhos para o céu e ali
fica por momentos, parecendo sonhar olhando o azul imóvel…
E cheiro esta sensibilidade, a de todas as
mulheres portuguesas – aquelas que conhecem a vida e sabem que para elas e os
seus jamais haverá outra forma de vida que a pobreza!
Nunca entendeu essa coisa da política, mas
sempre ia votar em quem lhe parecia ser o melhor, aquele que mais coisa belas
prometia a todos e a todas da sua igualha, pensando ainda vir a poder viver com
essa coisa a que alguns chamam de dignidade humana, porque se sentiu sempre
digna, sendo-o efectivamente.
E o génio das mulheres que os portugueses
sentem tão vizinhas suas, da mesma família e da mesma essência, é precisamente
porque respondem a todas as questões da vida interior da maneira estricta, como
uma Phylie generosa.
A mulher portuguesa conhece o sofrimento e a
dor de todos os dias, mais que nenhuma outra no mundo, mas não deixa de ser
devotada, e de no meio de tanta miséria viver algumas alegrias repletas de
tristeza, como as de ver crescer e desenvolver os filhos que adora.
Não haja a menor dúvida de que, apesar de
todas as adversidades, é a mulher mais forte que conheço neste mundo.
E quando aqui deixo imagens de mulheres
despidas de preconceitos, é pensando em todas as mulheres, respeitando-as e ao
mesmo tempo admirando-as, numa mera homenagem bem merecida, pois não posso
conceber um mundo sem a sua presença, sem a sua beleza bem patente nos seus
corpos de fadas que enfeitiçam qualquer homem.
Resta-me agradecer-lhe, à mulher, a sua
presença, a sua beleza e a sua bondade, agradecendo a Deus, ao mesmo tempo,
pela dádiva que teve para connosco, dando-nos a companhia – e que seja eterna –
da mulher.
Penso que algures haverá alguém que como eu
se recorda que o mundo não o seria sem a presença eterna da mulher, pelo que
saúdo todas as mulheres do mundo.

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