terça-feira, 7 de maio de 2013

PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS (II)

5. Uma política e um governo patrióticos e de esquerda – imperativo nacional
A concretização de uma política patriótica e de esquerda, e de um governo que lhe dê expressão, assume-se como um imperativo nacional, indispensável para romper com o actual rumo de desastre e abrir perspectivas para dar resposta aos problemas do País. Uma política que, como o XIX Congresso do PCP definiu, seja capaz de libertar Portugal da dependência e da submissão, recuperar para o País o que é do País (os seus recursos, os seus sectores e empresas estratégicas, o seu direito ao crescimento e desenvolvimento económico), devolver aos trabalhadores e ao povo os seus direitos, salários e rendimentos.
Uma política que, sem prejuízo de posicionamentos diferenciados, se baseie em seis opções fundamentais indispensáveis:
- primeira, a rejeição do Pacto de Agressão e a renegociação da dívida nos seus montantes, juros, prazos e condições de pagamento rejeitando a sua parte ilegítima, com a assunção imediata de uma moratória negociada ou unilateral e com redução do serviço da dívida para um nível compatível com o crescimento económico e a melhoria das condições de vida;
- segunda, a defesa e o aumento da produção nacional, a recuperação para o Estado do sector financeiro e de outras empresas e sectores estratégicos indispensáveis ao apoio à economia, o aumento do investimento público e o fomento da procura interna;
- terceira, a valorização efectiva dos salários e pensões e o explícito compromisso de reposição de salários, rendimentos e direitos roubados, incluindo nas prestações sociais;
- quarta, a opção por uma política orçamental de combate ao despesismo, à despesa sumptuária, baseada numa componente fiscal de aumento da tributação dos dividendos e lucros do grande capital e de alívio dos trabalhadores e das pequenas e médias empresas, garantindo as verbas necessárias ao funcionamento eficaz do Estado e do investimento público;
- quinta, uma política de defesa e recuperação dos serviços públicos, em particular nas funções sociais do Estado (saúde, educação e segurança social), reforçando os seus meios humanos e materiais, como elemento essencial à concretização dos direitos do povo e ao desenvolvimento do País;
- sexta, a assunção de uma política soberana e a afirmação do primado dos interesses nacionais nas relações com a União Europeia, diversificando as relações económicas e financeiras e adoptando as medidas que preparem o País face a uma saída do Euro, seja por decisão do povo português, seja por desenvolvimentos da crise da União Europeia.
6. O futuro do País nas mãos dos trabalhadores e do povo.
1. A par da grave crise económica e social e da situação de comprometimento da soberania nacional desenvolve-se e acrescenta-se agora uma crise política e institucional.
O Presidente da República – a quem incumbiria assegurar o regular funcionamento das instituições – demite-se das suas responsabilidades e constitui-se como obstáculo a esse regular funcionamento.
Hoje, mais do que nunca, são os trabalhadores e o povo, com a sua luta e o desenvolvimento de um amplo movimento de massas, que acabarão por impor a demissão do governo, o respeito pela Constituição e a afirmação dos interesses nacionais capazes de assegurar o desenvolvimento independente e soberano de Portugal.
O Comité Central do PCP salienta o amplo e diversificado processo que se tem desenvolvido nos últimos meses de que se destacam as greves, paralisações e concentrações, a acção da CGTP-IN realizada durante os meses de Fevereiro e Março, a acção que no dia 2 de Março se desenvolveu por todo o País, a manifestação nacional da juventude trabalhadora de 27 de Março, a Marcha contra o Empobrecimento promovida pela CGTP-IN que iniciada a 6 de Abril percorreu o País e culminou em Lisboa a 13 de Abril, as comemorações do 39º aniversário da Revolução de Abril com uma grande dimensão e combatividade e a grande jornada do 1º de Maio promovida pela CGTP-IN.
No seguimento das lutas desenvolvidas, coloca-se a exigência do alargamento e da intensificação da luta dos trabalhadores e do povo português em torno da resolução dos seus problemas, da concretização das suas aspirações, de um Portugal com futuro.
Lutas reivindicativas da classe operária e de todos os trabalhadores, das classes e camadas antimonopolistas, do povo português. Luta pelo aumento dos salários incluindo o salário mínimo nacional, contra o aproveitamento pelo patronato das alterações ao Código do Trabalho para pôr em causa remunerações, pagamento de horas extraordinárias e trabalho aos feriados e dias de descanso semanal, pela defesa dos horários de trabalho, pela defesa dos direitos e melhoria das condições de vida e de trabalho, pela aplicação da contratação colectiva.
Lutas dos pequenos e médios agricultores como a promovida pela CNA no passado dia 17 de Abril, dos estudantes do ensino secundário e superior, dos pequenos e médios empresários, das populações em defesa das freguesias, do Poder Local e dos serviços públicos, dos inquilinos contra a lei das rendas, das comissões de utentes em defesa da água pública e contra a portagens, dos reformados.
O Comité Central do PCP salienta a importância das acções em curso, designadamente as paralisações, greves, plenários e acções de rua marcadas para 30 de Maio, contra a tentativa do patronato se aproveitar da decisão do Governo para tentar impor o trabalho forçado e não pago em quatro feriados por ano (de que este dia feriado é o primeiro abrangido), numa ampla acção para exigir a manutenção do direito ao feriado.
O Comité Central do PCP apela à participação de todos na grande concentração/manifestação convocada pela CGTP-IN para o próximo dia 25 de Maio, em Lisboa, junto à Presidência da República “Contra a exploração e o empobrecimento: Governo Rua!”.
2. Está na hora de travar o caminho de desastre social e de abdicação nacional. Está na hora de apelar à determinação, à coragem e à força da razão dos que não querem um País aprisionado pelos interesses dos centros do capital internacional, dos que não se conformam com uma política de traição e venda dos interesses nacionais, sob a qual se justifica um futuro de miséria e empobrecimento a que querem condenar Portugal e o povo português.
A todos os trabalhadores roubados nos seus salários e direitos, ao povo português amarrado a um futuro de empobrecimento, às forças e organizações sociais que resistem em defesa dos que representam, às camadas não monopolistas condenadas por esta política à ruína, aos jovens cujo única perspectiva de futuro é deixar o seu País, a todos os patriotas que não aceitam ver o País transformado num protectorado, a todos os democratas que têm nos valores de Abril e no regime democrático a referência indispensável para a construção de um outro rumo, o PCP apela: Façam ouvir a vossa voz, ergam o vosso protesto contra a exploração, o empobrecimento, as injustiças e o declínio nacional, multipliquem a luta em defesa da demissão do governo, pela convocação de eleições, pela rejeição do Pacto de Agressão e a derrota da política de direita, por uma política alternativa patriótica e de esquerda vinculada aos valores de Abril.
7. Intensificar a intervenção, reforçar a organização
1. O Comité Central do PCP destaca e saúda a elevada participação dos quadros e militantes do Partido, concretizando as orientações do XIX Congresso, dando resposta, tomando a iniciativa, assegurando o papel ímpar do PCP ao serviço dos trabalhadores, do povo e do País.
O Comité Central do PCP salienta a particular exigência que está colocada ao trabalho de direcção, aos quadros, ao funcionamento dos organismos, na resposta à situação que passa pelo desenvolvimento da luta de massas, o fortalecimento das organizações unitárias de massas, a acrescida intervenção no plano do trabalho político unitário e a dinamização da intervenção política do Partido em que se insere, com o seu conteúdo próprio, a preparação das eleições autárquicas do próximo Outono e em que se destaca a necessidade do reforço do Partido.
3.Neste âmbito o Comité Central considera algumas tarefas imediatas, no quadro da concretização das conclusões do XIX Congresso:
- A intensificação da acção política concretizando a campanha «Por uma política alternativa patriótica e de esquerda» a decorrer no primeiro semestre que se prolongará até Junho inserida no objectivo geral da luta pela rejeição do Pacto de Agressão e da ruptura com a política de direita. Uma campanha dirigida para ampliar em largos sectores do povo português a convicção de que não só é necessária como é possível uma política alternativa à política de direita, de que o PCP é portador dessa política patriótica e de esquerda, que essa possibilidade é tão mais alcançável e realizável quanto maior for a luta dos trabalhadores e quanto maior a sua força e influência política, social e eleitoral. Uma campanha que, com desenvolvimentos temáticos associados a eixos da política alternativa, tem nos debates «O Euro e a dívida»; «Produzir mais para dever menos»; «Desigualdades no território e na sociedade - dimensões do desenvolvimento capitalista» e «Cumprir a Constituição, assegurar o desenvolvimento soberano do País», momentos de afirmação da política patriótica e de esquerda que o PCP defende;
- As eleições autárquicas do próximo Outono constituem uma batalha política da maior importância no plano local e nacional. O reforço da CDU, das suas posições, da sua votação, do número dos seus eleitos, assume uma enorme significado. Mais CDU significará mais capacidade de resolução dos problemas locais, uma mais sólida garantia do trabalho, honestidade e competência que lhe é reconhecida. Mais CDU significará o reforço da presença que assegura a defesa e representação dos interesses populares, do seus direitos e aspirações. Mas significará também dar mais força à luta por uma política alternativa, patriótica e de esquerda, que abra caminho a uma vida digna;
- A activa preparação da Festa do Avante cuja 37ª edição se realiza em 6, 7 e 8 de Setembro, concretizando as tarefas indispensáveis ao seu êxito, designadamente com a ampla divulgação e a venda da EP;
- O prosseguimento do programa de comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal que se está a desenvolver com grande amplitude e impacto, afirmando a sua vida pensamento e luta como exemplo que se projecta na actualidade e no futuro, destacando do vasto programa de iniciativas a grande exposição inaugurada a 27 de Abril e que está patente até 2 de Junho no Terreiro do Paço em Lisboa, o Congresso “Álvaro Cunhal, o projecto comunista, Portugal e o Mundo de hoje”, que decorrerá nos dias 26 e 27 de Outubro, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e o programa intenso em torno do dia do Centenário, 10 de Novembro, designadamente, com a realização de um grande Comício Comemorativo, no Campo Pequeno, em Lisboa.
- A acção de reforço do Partido dando particular atenção: ao reforço da organização e intervenção nas empresas e locais de trabalho, questão central e primeira prioridade do trabalho do Partido ao longo deste ano; à realização de assembleias das organizações partidárias, designadamente das organizações de base; à responsabilização de quadros; à estruturação das organizações de base local e à intensificação da sua acção; ao trabalho dos reformados, nomeadamente no que se refere à criação de células de reformados; ao recrutamento e integração de novos militantes; à avaliação dos meios essenciais de intervenção, fundos, centros de trabalho, instrumentos de propaganda e imprensa partidária com a tomada de medidas indispensáveis para nesta situação garantir a sua disponibilidade para a acção do Partido.
3. Quando o País está confrontando com uma situação sem precedentes desde o tempo do fascismo, o PCP consciente das exigências do momento actual reafirma o seu compromisso com os trabalhadores e o povo e a sua determinação e confiança na luta para derrotar a política de direita, e abrir caminho a uma alternativa patriótica e de esquerda, a uma democracia avançada com os valores de Abril no futuro de Portugal, tendo no horizonte a sociedade livre da exploração e da opressão, a sociedade socialista.


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