O
agora ministro dos Negócios Estrangeiros teve, em 2008, cargos em
cinco bancos concorrentes, revela o Público. Uma prática que para o Banco de
Portugal só pode ser executada por “pessoas cuja idoneidade e disponibilidade
dêem garantia de uma gestão sã e prudente”.
Em
2008, Rui Machete, o agora ministro dos Negócios Estrangeiros, presidia ao Conselho Superior da SLN (a dona do nacionalizado
BPN), era ‘vice’ do conselho consultivo do BPP e ainda exercia cargos
não-executivos na CGD, no BCP e no BPI. Os dados são hoje revelados pelo
Público, que cita a declaração de rendimentos entregue ao Tribunal
Constitucional a 18 de setembro.
O
mesmo jornal procurou obter esclarecimentos junto do ministro, que optou pelo
silêncio. Já o Banco de Portugal, questionado se é aceitável que a mesma pessoa
possa “desempenhar funções em simultâneo em órgãos sociais
não executivos – mesa da assembleia geral, conselho fiscal, conselho de
administração, administrador – em cinco instituições financeiras concorrentes”,
respondeu que “dos órgãos de administração e fiscalização de uma instituição de
crédito apenas podem fazer parte pessoas cuja idoneidade e disponibilidade dêem
garantia de uma gestão sã e prudente”.
Na
resposta, o regulador citou o quadro legal que permite inibir os membros dos
órgãos de administração e do conselho geral e de supervisão de exercerem
“funções de administração noutras sociedades, se entender existir risco grave
de conflito de interessesou,
tratando-se de pessoas a quem caiba a gestão corrente da instituição, por não
se verificar disponibilidade suficiente para o exercício do cargo”.
Para
“entender” esses riscos, o Banco de Portugal procede a uma avaliação “no
momento inicial de registo para o exercício do cargo, bem como em momento
posterior, sempre que ocorram factossupervenientes”.
A
participação de Rui Machete em cinco bancos concorrentes ganharelevo
depois do ministro ter revelado que prestou informações erradas ao Parlamento,
na altura do inquérito sobre o BPN. Para assumir a tutela dos Negócios
Estrangeiros, Machete teve de deixar as funções que desempenhava num total de
30 organismos.
Para
além da atividade bancária, o governante esteve ainda ligado à advocacia (era
consultor do escritório PLMJ), a três fundações (Mário Soares, Millennium/BCP e
Oliveira Martins), comissões (como exemplos, Luta Contra a Sida e Banco
Alimentar Contra a Fome) e várias sociedades.
A
nível empresarial, Rui Machete abandonou a presidência da mesa da assembleia
geral da EDP Renováveis a 23 de julho, data em que entrou para o Governo. Teve
também de abdicar da atividade docente em faculdades da Universidade Católica
Portuguesa e da Universidade Lusófona.
=PTJornal=

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