O clima económico até melhorou este mês e os juros a
dez anos estão a baixar. O pior são os 73 mil milhões de que Portugal precisa
até 2017
De um lado boas
notícias, de outro um enorme balde de água fria. Em cima da mesa dos mercados
estão, naturalmente, a dívida portuguesa e as necessidades de financiamento do
Estado português até 2017. E, claro, a capacidade de pagamento das dívidas aos
credores.
Quinta-feira foi o Barclays a avisar os investidores de que Portugal
vai mesmo precisar de reestruturar a sua dívida, isto é, de um perdão de dívida
envolvendo os credores institucionais. E ontem apareceu o banco alemão
Commerzbank a admitir um segundo resgate e a recomendar aos clientes que vendam
dívida portuguesa logo que as condições de mercado forem mais favoráveis.
Ainda por cima,
o indicador de clima económico e a confiança dos consumidores recuperaram em
Setembro, depois de terem atingido mínimos da série em Dezembro, segundo dados
divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Segundo o INE, o
indicador de confiança dos consumidores (calculado através de inquéritos a
particulares) melhorou em Setembro, alcançando os –45,3 pontos (dos –49 pontos
observados em Agosto).
O indicador de
clima económico (calculado através de inquéritos a empresas de vários sectores
de actividade) recuperou igualmente para os –1,6 pontos (dos –1,9 pontos
observados em Agosto). Nos últimos três meses, de acordo com o INE, observou-se
um aumento dos indicadores de confiança em todos os sectores (indústria
transformadora, construção e obras públicas, comércio e serviços).
A recuperação do
indicador de confiança dos consumidores deveu-se, por sua vez, aos contributos
positivos de todas as componentes, destacando-se as perspectivas sobre a
evolução da situação económica do país nos próximos 12 meses.
Eurostat confirma A confirmação
dos dados positivos do INE veio também de Bruxelas. O indicador de sentimento
económico do Eurostat para Portugal melhorou em Setembro 1,7 pontos,
mantendo-se, no entanto, abaixo da média dos países da União Europeia (UE),
anunciou ontem a Comissão Europeia. Em Portugal, o indicador passou de 88,3
pontos em Agosto para 90,0 pontos em Setembro.
73 mil milhões até 2017 O Estado conta obter dos mercados 8,2 mil milhões de
euros no próximo ano, valor que o Barclays, ao admitir um perdão de dívida,
considera “pequeno e que é pouco provável que venha a ter um grande efeito”.
O
problema está na subida do rácio da dívida pública sobre o PIB, que o banco
estima que se situe acima de 130% nos próximos anos. Aliadas a isto surgem as
necessidades de financiamento de 73 mil milhões de euros do país até 2017,
segundo as estimativas do banco britânico. Tendo em conta que um programa
cautelar envolve um empréstimo da ordem dos 17 mil milhões por um ano, os
dois bancos concluem que Portugal pode vir a ter não só um segundo resgate como
um perdão de dívida.
=Jornal i=

Sem comentários:
Enviar um comentário