domingo, 22 de setembro de 2013

«SUICÍDIO, MISTÉRIO ANGUSTIANTE»

Apesar de inúmeras teorias, parece não haver um motivo único subjacente ao suicídio, e os psiquiatras têm apresentado grande número de razões possíveis.

As teorias freudianas ligavam o suicídio a um desejo inconsciente de se matar outra pessoa, desejo esse que era voltado para o próprio.

Teorias mais recentes avançam que a autodestruição pode corresponder a um impulso homicida generalizado ou representar um último esforço de restauração do amor-próprio.

Às vezes, são a dor e o desespero de uma doença sem cura que levam à decisão de uma pessoa se matar. Estes suicídios são por vezes classificados como racionais, o que é, sem dúvida, uma opinião muito controversa.

O suicídio continua a ser um acto enigmático, repugnante e condenável para muitos.

No seu livro “O Deus Selvagem”, A Alvarez – um suicida falhado – previne contra a tendência para se aligeirar “a crise de miséria e confusão que constitui a realidade habitual do suicídio”.

Uma depressão grave pode levar ao suicídio?

Estudos sobre o suicídio têm demonstrado que a maioria das pessoas que o cometem está em depressão profunda.

Alguns especialistas consideram que o ponto de maior risco não coincide com o auge da depressão, geralmente marcado por letargia e lentificação do raciocínio, mas sim na fase seguinte,, em que a inactividade começa a tornar-se menos acentuada.

Este mesmo padrão é observado quando uma pessoa foi vítima de doença grave, acidente ou operação: o seu maior risco de suicídio é quando começa a melhorar. Por isso, durante a convalescença de doença mental ou física grave os doentes necessitam de tanto cuidado e vigilância como quando o seu estado parecia muito pior.

O suicídio é aprovado nalgumas sociedades?

No Japão, pela cerimónia do haraquiri, um guerreiro desonrado podia salvar a reputação e poupar a família à desgraça e à vergonha se se esventrasse publicamente.

Mais recentemente ainda, um pai de família poderia matar mulher e filhos, suicidando-se em seguida, invocando um código de honra profundamente enraizado.

Na Índia, a viúva podia exprimir a sua inconsolável dor atirando-se à pira funerária e imolando-se com ele.

Entre a aristocracia da velha Europa, não era invulgar um homem suicidar-se por ter sido apanhado em comportamento socialmente reprovável. Desculpados e mesmo admirados durante séculos, estes rituais de suicídio deixaram de vigorar.

Nas religiões cristã e judaica, o mandamento “Não matarás” aplica-se tanto ao assassínio como ao suicídio (antigamente, os suicidas não tinham cerimónias fúnebres religiosas nem podiam ser sepultados em “campo santo”, isto é, nos cemitérios católicos).


Também a religião islâmica nega aos seus fiéis o direito de se matarem.

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