Apesar de inúmeras teorias, parece não haver
um motivo único subjacente ao suicídio, e os psiquiatras têm apresentado grande
número de razões possíveis.
As teorias freudianas ligavam o suicídio a um
desejo inconsciente de se matar outra pessoa, desejo esse que era voltado para
o próprio.
Teorias mais recentes avançam que a
autodestruição pode corresponder a um impulso homicida generalizado ou
representar um último esforço de restauração do amor-próprio.
Às vezes, são a dor e o desespero de uma
doença sem cura que levam à decisão de uma pessoa se matar. Estes suicídios são
por vezes classificados como racionais, o que é, sem dúvida, uma opinião muito
controversa.
O suicídio continua a ser um acto enigmático,
repugnante e condenável para muitos.
No seu livro “O Deus Selvagem”, A Alvarez –
um suicida falhado – previne contra a tendência para se aligeirar “a crise de
miséria e confusão que constitui a realidade habitual do suicídio”.
Uma depressão grave pode levar ao suicídio?
Estudos sobre o suicídio têm demonstrado que
a maioria das pessoas que o cometem está em depressão profunda.
Alguns especialistas consideram que o ponto
de maior risco não coincide com o auge da depressão, geralmente marcado por
letargia e lentificação do raciocínio, mas sim na fase seguinte,, em que a
inactividade começa a tornar-se menos acentuada.
Este mesmo padrão é observado quando uma
pessoa foi vítima de doença grave, acidente ou operação: o seu maior risco de
suicídio é quando começa a melhorar. Por isso, durante a convalescença de
doença mental ou física grave os doentes necessitam de tanto cuidado e
vigilância como quando o seu estado parecia muito pior.
O suicídio é aprovado nalgumas sociedades?
No Japão, pela cerimónia do haraquiri, um
guerreiro desonrado podia salvar a reputação e poupar a família à desgraça e à
vergonha se se esventrasse publicamente.
Mais recentemente ainda, um pai de família
poderia matar mulher e filhos, suicidando-se em seguida, invocando um código de
honra profundamente enraizado.
Na Índia, a viúva podia exprimir a sua
inconsolável dor atirando-se à pira funerária e imolando-se com ele.
Entre a aristocracia da velha Europa, não era
invulgar um homem suicidar-se por ter sido apanhado em comportamento
socialmente reprovável. Desculpados e mesmo admirados durante séculos, estes
rituais de suicídio deixaram de vigorar.
Nas religiões cristã e judaica, o mandamento “Não
matarás” aplica-se tanto ao assassínio como ao suicídio (antigamente, os
suicidas não tinham cerimónias fúnebres religiosas nem podiam ser sepultados
em “campo santo”, isto é, nos cemitérios católicos).
Também a religião islâmica nega aos seus
fiéis o direito de se matarem.

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