O ex-dirigente do PSD e
amigo de Passos Coelho aponta inconsistências e uma frase
"injustificável" nas posições e no discurso do primeiro-ministro.
Ângelo Correia no Congresso do PSD em 2008
O antigo
dirigente do PSD Ângelo Correia considera que o partido não se preparou para
ser Governo e qualifica de “injustificável” a frase do primeiro-ministro Passos
Coelho – “já alguém perguntou aos 900 mil desempregados de que lhes valeu a
Constituição até hoje?” – proferida no discurso da Universidade de Verão do PSD
no fim-de-semana passado.
Em declarações
ao programa Bloco Central da TSF deste sábado, Ângelo Correia atribui essa
referência a “um excesso de empatia” própria do “entusiasmo” sentido frente a
uma plateia como num comício. E aponta a falta de consistência do discurso
relativamente à necessidade ou não de se rever a Constituição.
“A Constituição é tão importante em relação aos 900 mil desempregados como [em relação] aos 4,5 milhões de empregados. São referenciais de enquadramento que justificam as leis, mas não são responsáveis” por “coisas que dependem das pessoas e do quotidiano da própria governação”, considera Ângelo Correia, em reacção às palavras do primeiro-ministro proferidas depois do chumbo pelos juizes do Tribunal Constitucional à proposta de requalificação na função pública. No mesmo discurso, Passos Coelho disse que não era preciso rever a Constituição "para cumprir o memorando de ajustamento" assinado com a troika de credores internacionais.
“A Constituição é tão importante em relação aos 900 mil desempregados como [em relação] aos 4,5 milhões de empregados. São referenciais de enquadramento que justificam as leis, mas não são responsáveis” por “coisas que dependem das pessoas e do quotidiano da própria governação”, considera Ângelo Correia, em reacção às palavras do primeiro-ministro proferidas depois do chumbo pelos juizes do Tribunal Constitucional à proposta de requalificação na função pública. No mesmo discurso, Passos Coelho disse que não era preciso rever a Constituição "para cumprir o memorando de ajustamento" assinado com a troika de credores internacionais.
O empresário
e ex-dirigente do PSD, que é próximo de Passos Coelho, diz que há uma falta de
consistência quando ouve o primeiro-ministro dizer “que não há problemas com a
Constituição”.
“Eu sempre ouvi
dizer até há dois ou três anos [que havia] a necessidade de revisão
constitucional”, lembra. “Se não fosse assim, que lógica teria o próprio
programa de revisão constitucional apresentada pela mesma pessoa que é
presidente do PSD e primeiro-ministro do Governo?”, questiona. “Não tem
consistência. Há discursos que não se podem ter porque as palavras atraiçoam os
comportamentos.”
O histórico
social-democrata também denuncia uma falta de preparação do Governo para pensar
em formas de atenuar os previsíveis choques entre a Constituição e o programa
da troika. “Quando o PSD foi para o Governo, há várias coisas que
não fez” como “preparar-se para ser Governo”, nota Ângelo Correia. Faltou, em
primeiro lugar, pensar e rever “o enquadramento jurídico necessário para a sua
acção, para o tipo de acção requerida pelo programa datroika”.
Não aconteceu,
diz Ângelo Correia, para quem o Governo “preventivamente devia ter tentado
fazer uma lei em consenso com o Partido Socialista: era inevitável”. Em segundo
lugar, insiste, "devia ter tentado, ao achar que a Constituição tem
problemas, uma forma constitucional com o PS que fosse inovadora mas
positiva". Em vez disso, lamentou, o PSD fez uma proposta de revisão
constitucional "que apenas transmite uma imagem identitária de si
própria".
=Público=

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