Foi tal a importância que os portugueses
tiveram no Oriente, que a a sua influência até na arte se manifestou. Em peças
de cerâmica chinesa mandavam gravar os seus nomes alguns governadores da Índia.
A mais notável peça que se conhece – relíquia
preciosa dessa época remota – existe em Portugal.
É a célebre Escudela, encomendada, em 1541,
pelo governador de Malaca, Pero de Faria, com vasta bibliografia e hoje
mundialmente conhecida, como o revelam os apontamentos que me foram fornecidos
por um amigo e que, a seguir, cito:
«Em Agosto de 1935 fui prevenido pelo Museu
Nacional de Arte Antiga, que da “Royal Academy of Arts” de Londres, tinham
perguntado se seria possível que a Escudela de Pero de Faria ali fosse figurar
na exposição de Arte Chinesa, promovida por aquela instituição, de 20 de
Novembro a 2 de Março.
Informavam que só o governo chinês enviaria
mil peças e todas as colecções da Europa, América e Ásia, se fariam representar
com as melhores que tivessem.
Manifestavam mais opinião que a peça não deveria deixar de ir,
não só por ser a única pedida a Portugal mas também porque sendo uma explêndida
ocasião de mais patrioticamente a valorizar, representaria para nós portugueses
um certa glória que não se deveria desprezar.
Efectivamente, poucos dias depois, foi-me
dirigido o convite, acompanhado de todos os documentos e planos da exposição
que se realizou sob o patrocínio de suas Majestades o Rei e a Rainha de
Inglaterra e de Sua Excelência o Presidente da República Chinesa, fazendo parte
da Comissão Executiva individualidades do maior destaque e renome de ambas as
nações.
Não se poderia negar tal convite, pelo que,
após preenchidos todos os trâmites normais, a Escudela viajou para Londres, sob
alta vigilância.»
Mais tarde, em Nápoles surgiu uma nova
escudela muito similar à nossa, mas provou-se após vários estudos tratar-se de
uma escudela chinesa de fabrico muito mais recente.

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