terça-feira, 11 de junho de 2013

«A TIBIEZA DA GOVERNAÇÃO»

Quando, à idade de quinze ou vinte anos, ocorre uma explosão, isto é, um escândalo, discute-se, com a maior boa-fé do mundo, sobre as consequências.

Esquece-se de remontar à causa: carência, desde a primeira infância, de uma autoridade firme e inteligente. Mas o líder está muito ocupado para se interessar pela educação moral dos cidadãos. Apenas tem tempo de acompanhar, de longe, o seu modo e nível de vida. Mas só quando lhe apetece.

Como crianças perdidas de início, o cidadão está, no fundo, entregue a si mesmo, e muito commumente, construindo par si um universo próprio, um mundo definitivo, de onde os políticos estão excluídos.

Ora, dominar os instintos e apetites, discipliná-los,  não somente em vista do bem, nem mesmo do bem maior, mas do melhor, não é fácil para ninguém. Para os adolescentes, menos que para quaisquer outros. Mais certo é dizer que a maior parte dos casos se tornam difíceis por falta de compreensão daqueles que vivem enganando os seus semelhantes.

É desde a infância que, se torna necessário esse exercício de vontade, sem o qual não há nem formação, nem educação.

Essa verdadeira degradação dos princípios intelectuais e do comportamento moral é ainda mais chocante quando, por nada no mundo admitem o que quer que seja que lhe possa roubar a esperança, ou mesmo comprometê-la.

Todo o político, e muito especialmente, o político dominante, deve perceber suficientemente que o que minou com as suas acções, foi o conjunto dos princípios intelectuais e até morais, dentro dos quais deve viver um povo; corrói também,  todos os dias, e sem que haja nisso explicitamente culpa, aquele bem, mais precioso que todos os demais, que é o bem-estar de todo o povo.

Essa espécie de políticos que pode ela pretender, quando exige que o povo viva ao sabor da sua comodidade, do conforto, da condescendência, que são incompatíveis com a disciplina do espírito e dos sentidos, aquela austeridade, aquele comedimento da imaginação e do coração que invadem a cidadania em geral, cidadania que se contenta com os ritos, sem os compreender no seu sentido. O interior basta-lhes, pois, porque o exterior os molesta.

Daí decorrem desde que sobrevêm as primeiras grandes mentiras, não somente durante os acesos discursos, que só enfraquecem o espírito dos que ouvem e n~já não podem mais acreditar neles.

O dinheiro dá o poder, diz-se, mas solicita tal como o prazer que cada político encontra toda a sua fonte natural neles. Porque não se contentam com um só, querem ambos, isto é, poder e dinheiro que deveria ser distribuído equitativamente pela cidadania em geral.

Em vão se procuram substitutos, mas não se tarda a constatar que, embora existam, devido a todas as campanhas desde sempre feitas, não conseguirão ascender ao poder, porque isso é coisa que de modo algum convém às classes dominantes.

Por isso, o povo continua dependente da vontade dos seus senhores, uma vez que de tanto ouvir todos os “malefícios” das suas políticas e modos de vida, aderiu `parva ideia do bipolarismo, fazendo com que sejam sempre os mesmos a deterem o poder e a darem cabo da vida aos cidadãos.


O que é preciso é mudar tais mentalidades e mudar o rumo dos acontecimentos com novas formas de estar na política, mas também na vida.

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