Quando, à idade de quinze ou vinte anos,
ocorre uma explosão, isto é, um escândalo, discute-se, com a maior boa-fé do
mundo, sobre as consequências.
Esquece-se de remontar à causa: carência,
desde a primeira infância, de uma autoridade firme e inteligente. Mas o líder
está muito ocupado para se interessar pela educação moral dos cidadãos. Apenas
tem tempo de acompanhar, de longe, o seu modo e nível de vida. Mas só quando
lhe apetece.
Como crianças perdidas de início, o cidadão
está, no fundo, entregue a si mesmo, e muito commumente, construindo par si um
universo próprio, um mundo definitivo, de onde os políticos estão excluídos.
Ora, dominar os instintos e apetites,
discipliná-los, não somente em vista do
bem, nem mesmo do bem maior, mas do melhor, não é fácil para ninguém. Para os
adolescentes, menos que para quaisquer outros. Mais certo é dizer que a maior
parte dos casos se tornam difíceis por falta de compreensão daqueles que vivem
enganando os seus semelhantes.
É desde a infância que, se torna necessário
esse exercício de vontade, sem o qual não há nem formação, nem educação.
Essa verdadeira degradação dos princípios
intelectuais e do comportamento moral é ainda mais chocante quando, por nada no
mundo admitem o que quer que seja que lhe possa roubar a esperança, ou mesmo
comprometê-la.
Todo o político, e muito especialmente, o
político dominante, deve perceber suficientemente que o que minou com as suas
acções, foi o conjunto dos princípios intelectuais e até morais, dentro dos
quais deve viver um povo; corrói também,
todos os dias, e sem que haja nisso explicitamente culpa, aquele bem,
mais precioso que todos os demais, que é o bem-estar de todo o povo.
Essa espécie de políticos que pode ela
pretender, quando exige que o povo viva ao sabor da sua comodidade, do
conforto, da condescendência, que são incompatíveis com a disciplina do
espírito e dos sentidos, aquela austeridade, aquele comedimento da imaginação e
do coração que invadem a cidadania em geral, cidadania que se contenta com os ritos,
sem os compreender no seu sentido. O interior basta-lhes, pois, porque o
exterior os molesta.
Daí decorrem desde que sobrevêm as primeiras
grandes mentiras, não somente durante os acesos discursos, que só enfraquecem o
espírito dos que ouvem e n~já não podem mais acreditar neles.
O dinheiro dá o poder, diz-se, mas solicita
tal como o prazer que cada político encontra toda a sua fonte natural neles.
Porque não se contentam com um só, querem ambos, isto é, poder e dinheiro que
deveria ser distribuído equitativamente pela cidadania em geral.
Em vão se procuram substitutos, mas não se
tarda a constatar que, embora existam, devido a todas as campanhas desde sempre
feitas, não conseguirão ascender ao poder, porque isso é coisa que de modo
algum convém às classes dominantes.
Por isso, o povo continua dependente da
vontade dos seus senhores, uma vez que de tanto ouvir todos os “malefícios” das
suas políticas e modos de vida, aderiu `parva ideia do bipolarismo, fazendo com
que sejam sempre os mesmos a deterem o poder e a darem cabo da vida aos cidadãos.
O que é preciso é mudar tais mentalidades e
mudar o rumo dos acontecimentos com novas formas de estar na política, mas
também na vida.

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