quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

"Este Governo tem uma política de sangramento dos portugueses"


A cumprir um ano de mandato, o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, afirma em entrevista ao Jornal de Notícias (JN) que “os portugueses ultrapassaram a barreira do medo” mas estão, neste momento, “muito condicionadas” financeiramente para puderem aderir a uma greve geral. Ainda assim, o caminho tem de ser o da “mudança” desta “política de sangramento dos portugueses e do País”.
O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, faz o balanço de um ano de mandato em entrevista ao JN, hoje publicada, considerando que apesar de não ter conseguido mudar de política e de Governo conseguiu que os “trabalhadores e as trabalhadoras, mas também outras camadas da população” fizessem “muito”.
“Um homem sozinho não consegue fazer nada, mas o conjunto de homens e mulheres podem fazer muito. Neste primeiro mandato, os trabalhadores e as trabalhadoras fizeram muito. Desde logo ultrapassaram, não totalmente mas em parte, a barreira do medo. Tivemos um ano de 2012 com uma expressão muito forte de contestação, de indignação mas também de exigência de mudança de políticas”, destaca.
Questionado sobre se esse protesto não perdeu fôlego desde a grande manifestação do dia 15 de Setembro, Arménio Carlos lembra que ainda no passado fim-de-semana “os professores saram à rua em Lisboa”.
“Isso dá-nos a perspectiva de que a contestação está a aumentar e a indignação vai acentuar-se necessariamente por uma questão clara: hoje é por demais evidente que este Governo tem uma política de sangramento dos portugueses e do País. Por isso mesmo dizemos que é preciso acentuar a contestação mas também a proposta. Nós não podemos ficar apenas e só pelo protesto”, sublinha o sindicalista.
“O objectivo é resolver os problemas dos portugueses (…). Isto tem que mudar, é preciso acreditar mas acima de tudo é preciso participar para haver acção e mudança”, insiste Arménio Carlos.
No entanto, o secretário-geral da CGTP reconhece que este não é o momento para uma greve geral.
“O que nós temos programado, neste momento, é uma jornada de luta a 16 de Fevereiro em todos os distritos do Continente e nas regiões autónomas. Depois (…) veremos o que vem a seguir”, mas é preciso não esquecer que estamos “num processo de desgaste, ou seja, as pessoas estão hoje muito condicionadas no que respeito à adesão à greve pela via da condição financeira”.

Notícias ao Minuto

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