quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

«DESDE HÁ ANOS…»


Desde há anos, mas sobretudo desde há algum tempo, cerca de ano e meio, um pouco mais, que os portugueses não sabem mais que fazer, como fazer para serem respeitados como mercem todos os seres humanos à superfície da Terra.

Devemos esquecer a nossa psicologia abstracta, que nos é de medíocre valia hoje em dia, uma vez que hoje, tudo é concreto e uno. Tudo se relaciona e se engendra, sem que haja qualquer preocupação com o bem-estar do povo, que apesar de lutar com todas as suas forças, não consegue realizar-se na vida.

Essa é a razão porque, em nós, tudo é ao mesmo tempo tão simples e tão complexo, apenas a comodidade do raciocínio nos obriga a dividir em compartimentos as nossas actividades e a isolá-las.

Assim é que, todos se atraveessam uma crise, criada pelas mentes perversas que governam o mundo globalizado, capitalista e obediente aos mercados internacionais, usando todas as armas para fazer com que os povos sejam cada vez mais avassalados e vivam com cada vez mais dificuldades.

O rendimento intelectual, voluntário, imaginativo, social, em qualquer outra das suas actividades, estará diminuído na mesma proporção. E chegamos a esta paradoxo, que exprime bem a dificuldade do povo: se é intelectualmente atrasado, preguiçoso, ou se assim parece, é por causa de uma hipermotividade, cujas cusas os políticos não percebem, ou não querem perceber.

Cuidemos, pois, primeiramente do estado de dúvidas, dos comportamentos dos políticos e seus amos e senhores, os capitalistas e donos dos mercados mundiais, com especial relevância dos europeus, no nosso caso.

Devemos renunciar, portanto, de uma vez por todas, aquela mania que nos faz considerar o “homem” como entidade abstracta, pois na nossa frente há todo um mundo e uma massa, por vezes informe, de seres humanos que passam mil e uma privações, e que todos, eles incluídos, deveremos pagar pelo que políticos e seus patrões roubaram enquanto tal.

Raraamente o povo é considerado de carne e osso, seres vivos individualizados, dotados de corpo e alma. E se a alma opera sem o corpo, este recebe da alma impulsos, movimentos e ordens, já que nem alma, nem copro operam sozinhos.

É no mistério vivo da união da alma espiritual e do corpo material que reside a essência mesma do problema que se nos depara diariamente, qualquer que ele seja, e com maior razão se é difícil, como é o nosso caso.

É evidente que toda a actividade concreta envolve sempre a totalidade do indivíduo. E é agir totalmente, num caso difícil como o que vivemos, tomar em consideração apenas a inteligência ou a vontade, como atitude total que se faz necessário observar, assim como a integralidade do comportamento humano, em determinado caso. Aí, e somente aí, é que está a fonte de um diagnóstico sério, que os políticos dominantes pretendem não aceitar e muito menos compreender, enquanto voltam a engendrar novos métodos de nos fazerem pagar cada vez mais, enquanto se riem e gozam com a destruição do Estado social, uma vez que a sua comodidade e o seu prazer consiste na estruturação de uma sociedade submissa a todas as suas vontades.

Já vai sendo mais que tempo para sabermos manter a soberania do povo, os seus direitos, e saber também fazer com que se vejam na obrigação de respeitarem um povo inocente de todos os “crimes” de que o acusam sistematicamente.



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