Desde
há anos, mas sobretudo desde há algum tempo, cerca de ano e meio, um pouco
mais, que os portugueses não sabem mais que fazer, como fazer para serem
respeitados como mercem todos os seres humanos à superfície da Terra.
Devemos
esquecer a nossa psicologia abstracta, que nos é de medíocre valia hoje em dia,
uma vez que hoje, tudo é concreto e uno. Tudo se relaciona e se engendra, sem
que haja qualquer preocupação com o bem-estar do povo, que apesar de lutar com
todas as suas forças, não consegue realizar-se na vida.
Essa
é a razão porque, em nós, tudo é ao mesmo tempo tão simples e tão complexo,
apenas a comodidade do raciocínio nos obriga a dividir em compartimentos as
nossas actividades e a isolá-las.
Assim
é que, todos se atraveessam uma crise, criada pelas mentes perversas que
governam o mundo globalizado, capitalista e obediente aos mercados
internacionais, usando todas as armas para fazer com que os povos sejam cada
vez mais avassalados e vivam com cada vez mais dificuldades.
O
rendimento intelectual, voluntário, imaginativo, social, em qualquer outra das
suas actividades, estará diminuído na mesma proporção. E chegamos a esta
paradoxo, que exprime bem a dificuldade do povo: se é intelectualmente atrasado,
preguiçoso, ou se assim parece, é por causa de uma hipermotividade, cujas cusas
os políticos não percebem, ou não querem perceber.
Cuidemos,
pois, primeiramente do estado de dúvidas, dos comportamentos dos políticos e
seus amos e senhores, os capitalistas e donos dos mercados mundiais, com
especial relevância dos europeus, no nosso caso.
Devemos
renunciar, portanto, de uma vez por todas, aquela mania que nos faz considerar
o “homem” como entidade abstracta, pois na nossa frente há todo um mundo e uma
massa, por vezes informe, de seres humanos que passam mil e uma privações, e
que todos, eles incluídos, deveremos pagar pelo que políticos e seus patrões
roubaram enquanto tal.
Raraamente
o povo é considerado de carne e osso, seres vivos individualizados, dotados de
corpo e alma. E se a alma opera sem o corpo, este recebe da alma impulsos, movimentos
e ordens, já que nem alma, nem copro operam sozinhos.
É
no mistério vivo da união da alma espiritual e do corpo material que reside a
essência mesma do problema que se nos depara diariamente, qualquer que ele
seja, e com maior razão se é difícil, como é o nosso caso.
É
evidente que toda a actividade concreta envolve sempre a totalidade do
indivíduo. E é agir totalmente, num caso difícil como o que vivemos, tomar em
consideração apenas a inteligência ou a vontade, como atitude total que se faz
necessário observar, assim como a integralidade do comportamento humano, em
determinado caso. Aí, e somente aí, é que está a fonte de um diagnóstico sério,
que os políticos dominantes pretendem não aceitar e muito menos compreender,
enquanto voltam a engendrar novos métodos de nos fazerem pagar cada vez mais,
enquanto se riem e gozam com a destruição do Estado social, uma vez que a sua
comodidade e o seu prazer consiste na estruturação de uma sociedade submissa a
todas as suas vontades.
Já
vai sendo mais que tempo para sabermos manter a soberania do povo, os seus
direitos, e saber também fazer com que se vejam na obrigação de respeitarem um
povo inocente de todos os “crimes” de que o acusam sistematicamente.

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