quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Estaleiros ao fundo


A privatização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) está em risco. Depois de ter pedido esclarecimentos sobre o dinheiro do Estado que entrou nos últimos anos nos cofres dos ENVC, a Comissão Europeia (CE) abriu recentemente um processo de averiguações. Se não ficar satisfeita – o que é uma forte possibilidade, dada a extensão dos apoios e os montantes –, o processo de privatização cai por terra. O Governo já está a pensar num ‘plano B’, apurou o SOL.

Em causa, neste momento, estão cerca de 180 milhões de euros de um valor inicial de 300 milhões, que entretanto desceu devido às explicações do Governo.

A Comissão Europeia pediu explicações sobre o dinheiro dos cofres públicos que entrou nos ENVC entre 2006 e 2011, por considerar que se tratou de um apoio do Estado, violando as regras da concorrência. Neste caso, o dinheiro tem que ser reposto, o que significaria que o novo dono dos ENVC_teria que pagar essa dívida, que actualmente não consta do caderno de encargos traçado pelo Governo para abrir o processo de privatização. A este concurso, responderam duas empresas, uma brasileira e uma russa, que aguardavam que o Governo tivesse tomado uma decisão sobre o vencedor em Dezembro. As propostas de compra não chegam aos 10 milhões de euros, enquanto o passivo da empresa é de 260 milhões, que será assumido pelo Estado.

Segundo o comunicado da CE, os ENVC «poderão ter beneficiado de diversas medidas de auxílio no passado, num montante superior a 180 milhões de euros» – essas medidas incluem empréstimos remunerados para cobrir custos de operação concedidos em 2012, um aumento de capital realizado em 2006 e vários empréstimos concedidos entre 2006 e 2011 para cobrir custos de operação.

A CE quer ainda averiguar «as novas medidas» de apoio aos estaleiros relacionadas com o contexto da privatização. Neste processo, o Estado assume o passivo da empresa e comprou o projecto do Navio Polivalente Logístico (NPL) aos ENVC por 25,5 milhões de euros. O Governo invocou interesse do Estado em comprar o projecto, em vez de este ficar nas mãos dos novos donos dos estaleiros. No entanto, o projecto do NPL, no valor de 10 milhões, foi uma contrapartida do contrato de compra dos dois submarinos.

Ao SOL, o ex-secretário de Estado da Defesa, Marcos Perestrello, questiona os riscos no atraso na privatização: «Se o Governo esteve ano e meio para perceber que era preciso ir a Bruxelas, então é incompetente»

Helena Pereira

Sem comentários:

Enviar um comentário