quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Discours d'un député de gauche contre "le mariage pour tous"


Superbe discours (surtout à la fin !), au nom des droits de l'Homme, de la dignité de la personne humaineet du progrès de la République et de ses conquêtes de 1789 et 1848. Il serait intolérable qu'un tel projet glisse vers une réification de l'Humain (que ce soit l'enfant ou la tierce-porteuse, qui, elle même peut-être exploitée; voire revendiquer des droits qui poseraient alors la question de la pluriparentalité), Humain qui doit demeurer hors du commerce en raison de la DIGNITE qui lui est due (Conseil constitutionnel, 1996, contrôle des lois de bioéthique : principe à valeur constitutionnelle).

Il montre aussi que 
l'actuelle garde des Sceaux Taubira n'a pas le monopole du cœur malgré son discours victimaire et polarisé. Ce député de gauche maîtrise son sujet et sait, à la différence de beaucoup, de quoi il parle et ses mots sont de salut public.

 L'excès irresponsable de liberté vers l'hédonisme risque de mener à des 
monstruosités de civilisation, des erreurs anthropologiques et bioéthiques graves car l'homme ne peut pas être totalement "maître et possesseur de la nature". C'est là un fait évident que la nature saura nous faire réaliser à terme. Et que penseront les générations qui nous suivrons de ce leg ?

http://www.youtube.com/watch?v=FgDctXeh1_0

Je vous invite à faire suivre car le bon sens est "la chose du monde la mieux partagée".
 Merci,

L. A. V.

"Este Governo tem uma política de sangramento dos portugueses"


A cumprir um ano de mandato, o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, afirma em entrevista ao Jornal de Notícias (JN) que “os portugueses ultrapassaram a barreira do medo” mas estão, neste momento, “muito condicionadas” financeiramente para puderem aderir a uma greve geral. Ainda assim, o caminho tem de ser o da “mudança” desta “política de sangramento dos portugueses e do País”.
O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, faz o balanço de um ano de mandato em entrevista ao JN, hoje publicada, considerando que apesar de não ter conseguido mudar de política e de Governo conseguiu que os “trabalhadores e as trabalhadoras, mas também outras camadas da população” fizessem “muito”.
“Um homem sozinho não consegue fazer nada, mas o conjunto de homens e mulheres podem fazer muito. Neste primeiro mandato, os trabalhadores e as trabalhadoras fizeram muito. Desde logo ultrapassaram, não totalmente mas em parte, a barreira do medo. Tivemos um ano de 2012 com uma expressão muito forte de contestação, de indignação mas também de exigência de mudança de políticas”, destaca.
Questionado sobre se esse protesto não perdeu fôlego desde a grande manifestação do dia 15 de Setembro, Arménio Carlos lembra que ainda no passado fim-de-semana “os professores saram à rua em Lisboa”.
“Isso dá-nos a perspectiva de que a contestação está a aumentar e a indignação vai acentuar-se necessariamente por uma questão clara: hoje é por demais evidente que este Governo tem uma política de sangramento dos portugueses e do País. Por isso mesmo dizemos que é preciso acentuar a contestação mas também a proposta. Nós não podemos ficar apenas e só pelo protesto”, sublinha o sindicalista.
“O objectivo é resolver os problemas dos portugueses (…). Isto tem que mudar, é preciso acreditar mas acima de tudo é preciso participar para haver acção e mudança”, insiste Arménio Carlos.
No entanto, o secretário-geral da CGTP reconhece que este não é o momento para uma greve geral.
“O que nós temos programado, neste momento, é uma jornada de luta a 16 de Fevereiro em todos os distritos do Continente e nas regiões autónomas. Depois (…) veremos o que vem a seguir”, mas é preciso não esquecer que estamos “num processo de desgaste, ou seja, as pessoas estão hoje muito condicionadas no que respeito à adesão à greve pela via da condição financeira”.

Notícias ao Minuto

Muito obrigado aos novos leitores que preferem o nosso jornal!


No último sprint de 2012, acelerámos o passo e sem perder o fôlego
 conseguimos um resultado duas vezes superior ao nosso principal concorrente,
 na variação do número de leitores para o período homólogo*.

Muito obrigado aos novos leitores que preferem o nosso jornal.

NORTE - GRIJÓ - SOCORRO:O(((((((((((((( Pedido de Ajuda urgente!!


Ninhada com sarna - a desgraça continua em Grijó e ninguem se preocupa em evitar os nascimentos
Boa tarde a todos,

Mais uma vez venho pedir ajuda por causa dos animais em Grijó.
É de lamentar que ninguem se interesse por esterilizar aqueles
animais, ou pelo menos dar a pilula as cadelas que sao impossiveis de
capturar.
Volta e meia aparece la o canil, leva alguns, mas passado algum tempo,
o ciclo repete-se e aquela zona enche-se novamente de caes selvagens e
cheios de sarna... Parece que ninguem entende que o problema so se
resolve evitando os nascimentos.

Já nao sei quantas ninhadas de la tirei, todos em estado lastimavel,
como estes pelos quais estou a apelar hoje.
A semana passada capturamos duas cadelinhas adultas e duas bebes, da
mesma zona. Ja foram esterilizadas, mas as contas tambem ainda estao
por pagar. Há ainda o caso de uma bebé que tinha uma pata partida, que
infelizmente desapareceu. É tambem urgente esterilizar a sua mae, que
é meiga e facil de capturar, so que nao ha mais dinheiro para tanta
esterilização e hotel, para o recobro...

Neste momento tenho em mãos 5 bebes, cheios de sarna e cheios de medo
das pessoas. Apareceram em Grijó debaixo de um carro e aparentemente
estavam sozinhos. Foi complicadon captura-los mas conseguiu-se. Foram
para o Hospital Veterinario de Santa Marinha, onde vao ficar ate
amanha. Amanha terão de sair para Hotel. Nao sei ainda que despesa vai
ficar por pagar, mas peço a ajuda de todos, para este caso. Os bebés
vao ter que fazer tratamento durante mais algumas semanas, e nao posso
simplemente ignorar que tenho uma divida astronomica por pagar, com
todos os casos de pessoas que me pedem ajuda, e que deixam as dividas
as minhas costas. É tambem preciso pagar o hotel e muita divulgaçao
para tentarmos arranjar donos para todos num mes, para nao termos que
pagar mais hotel.

Espero contar com alguma ajuda para pagar estas contas, e tambem com
algum empenho por parte dos protectores de animais da zona de Grijó
(que nao é a minha zona sequer), para se acabar com este problema de
uma vez.


Desculpem o desabafo, mas estou farta de ajudar todos os que me pedem
ajuda e em troca tenho uma divida nos veterinarios maior que aquilo
que ganho num ano. Assim nao dá.

Deixo o meu NIB da conta que uso so para donativos para os animais.

Em breve terei o documento com a divida destes bebes e do hotel.

Todas as ajudas sao bem vindas, pois amanha terei de ter 70? na mao
para dar entrada com os bebes no hotel.
Tambem agradeço se alguem quiser doar ração junior.

Obrigada

NIB: 0033 0000 4538 4885 8380 5 (Millenium)
TEl: 917452130

Susana

  

Estaleiros ao fundo


A privatização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) está em risco. Depois de ter pedido esclarecimentos sobre o dinheiro do Estado que entrou nos últimos anos nos cofres dos ENVC, a Comissão Europeia (CE) abriu recentemente um processo de averiguações. Se não ficar satisfeita – o que é uma forte possibilidade, dada a extensão dos apoios e os montantes –, o processo de privatização cai por terra. O Governo já está a pensar num ‘plano B’, apurou o SOL.

Em causa, neste momento, estão cerca de 180 milhões de euros de um valor inicial de 300 milhões, que entretanto desceu devido às explicações do Governo.

A Comissão Europeia pediu explicações sobre o dinheiro dos cofres públicos que entrou nos ENVC entre 2006 e 2011, por considerar que se tratou de um apoio do Estado, violando as regras da concorrência. Neste caso, o dinheiro tem que ser reposto, o que significaria que o novo dono dos ENVC_teria que pagar essa dívida, que actualmente não consta do caderno de encargos traçado pelo Governo para abrir o processo de privatização. A este concurso, responderam duas empresas, uma brasileira e uma russa, que aguardavam que o Governo tivesse tomado uma decisão sobre o vencedor em Dezembro. As propostas de compra não chegam aos 10 milhões de euros, enquanto o passivo da empresa é de 260 milhões, que será assumido pelo Estado.

Segundo o comunicado da CE, os ENVC «poderão ter beneficiado de diversas medidas de auxílio no passado, num montante superior a 180 milhões de euros» – essas medidas incluem empréstimos remunerados para cobrir custos de operação concedidos em 2012, um aumento de capital realizado em 2006 e vários empréstimos concedidos entre 2006 e 2011 para cobrir custos de operação.

A CE quer ainda averiguar «as novas medidas» de apoio aos estaleiros relacionadas com o contexto da privatização. Neste processo, o Estado assume o passivo da empresa e comprou o projecto do Navio Polivalente Logístico (NPL) aos ENVC por 25,5 milhões de euros. O Governo invocou interesse do Estado em comprar o projecto, em vez de este ficar nas mãos dos novos donos dos estaleiros. No entanto, o projecto do NPL, no valor de 10 milhões, foi uma contrapartida do contrato de compra dos dois submarinos.

Ao SOL, o ex-secretário de Estado da Defesa, Marcos Perestrello, questiona os riscos no atraso na privatização: «Se o Governo esteve ano e meio para perceber que era preciso ir a Bruxelas, então é incompetente»

Helena Pereira

«DESDE HÁ ANOS…»


Desde há anos, mas sobretudo desde há algum tempo, cerca de ano e meio, um pouco mais, que os portugueses não sabem mais que fazer, como fazer para serem respeitados como mercem todos os seres humanos à superfície da Terra.

Devemos esquecer a nossa psicologia abstracta, que nos é de medíocre valia hoje em dia, uma vez que hoje, tudo é concreto e uno. Tudo se relaciona e se engendra, sem que haja qualquer preocupação com o bem-estar do povo, que apesar de lutar com todas as suas forças, não consegue realizar-se na vida.

Essa é a razão porque, em nós, tudo é ao mesmo tempo tão simples e tão complexo, apenas a comodidade do raciocínio nos obriga a dividir em compartimentos as nossas actividades e a isolá-las.

Assim é que, todos se atraveessam uma crise, criada pelas mentes perversas que governam o mundo globalizado, capitalista e obediente aos mercados internacionais, usando todas as armas para fazer com que os povos sejam cada vez mais avassalados e vivam com cada vez mais dificuldades.

O rendimento intelectual, voluntário, imaginativo, social, em qualquer outra das suas actividades, estará diminuído na mesma proporção. E chegamos a esta paradoxo, que exprime bem a dificuldade do povo: se é intelectualmente atrasado, preguiçoso, ou se assim parece, é por causa de uma hipermotividade, cujas cusas os políticos não percebem, ou não querem perceber.

Cuidemos, pois, primeiramente do estado de dúvidas, dos comportamentos dos políticos e seus amos e senhores, os capitalistas e donos dos mercados mundiais, com especial relevância dos europeus, no nosso caso.

Devemos renunciar, portanto, de uma vez por todas, aquela mania que nos faz considerar o “homem” como entidade abstracta, pois na nossa frente há todo um mundo e uma massa, por vezes informe, de seres humanos que passam mil e uma privações, e que todos, eles incluídos, deveremos pagar pelo que políticos e seus patrões roubaram enquanto tal.

Raraamente o povo é considerado de carne e osso, seres vivos individualizados, dotados de corpo e alma. E se a alma opera sem o corpo, este recebe da alma impulsos, movimentos e ordens, já que nem alma, nem copro operam sozinhos.

É no mistério vivo da união da alma espiritual e do corpo material que reside a essência mesma do problema que se nos depara diariamente, qualquer que ele seja, e com maior razão se é difícil, como é o nosso caso.

É evidente que toda a actividade concreta envolve sempre a totalidade do indivíduo. E é agir totalmente, num caso difícil como o que vivemos, tomar em consideração apenas a inteligência ou a vontade, como atitude total que se faz necessário observar, assim como a integralidade do comportamento humano, em determinado caso. Aí, e somente aí, é que está a fonte de um diagnóstico sério, que os políticos dominantes pretendem não aceitar e muito menos compreender, enquanto voltam a engendrar novos métodos de nos fazerem pagar cada vez mais, enquanto se riem e gozam com a destruição do Estado social, uma vez que a sua comodidade e o seu prazer consiste na estruturação de uma sociedade submissa a todas as suas vontades.

Já vai sendo mais que tempo para sabermos manter a soberania do povo, os seus direitos, e saber também fazer com que se vejam na obrigação de respeitarem um povo inocente de todos os “crimes” de que o acusam sistematicamente.



quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

PASSOS COELHO


Monde
Le Point du 09/01/2011

Portugal : LA DROITE HERITE DE LA PURGE

(texto sob a foto do Passos Coelho : Pedro Passos Coelho, leader do PSD, le 5 Juin , à Lisbonne. Au programme du futur Premier ministre : austérité et privatisations)

Un taux d’abstention sans précédent (41%) depuis, l’instauration de la démocratie, en 1974. Et pour cause. Si les Portugais se sont si peu mobilisés pour les législatives, c’est parce que l’alternative était singulièrement déprimante : qui serait le médecin appelé à leur administrer la purge qu’ils savent inévitable ?
Ce sera finalement Pedro Passos Coelho, le chef du Parti social-démocrate, principale formation de centre droit, qui, avec ses alliés du Parti populaire, rafle la majorité absolue. Les socialistes de José Socrates, le Premier ministre sortant, subissent une sévère défaite.
Tous les partis, à l’exception de l’extrême gauche, en étaient convenus : le Portugal en récession n’a plus le choix. Etranglé à l’instar de l’Irlande, l’Espagne ou la Grèce, il vient de contracter un prêt de 78 milliards d’euros auprès du FMI et de l’UE et doit désormais en payer le prix : faire passer le déficit public de 9,1% à 3% d’ici à 2013.
Avec des accents churchilliens , Passos Coelho a promis à ses concitoyens « des années très difficiles » ; elles le seront également pour lui.
Sans surprise, ce quadragénaire dépourvu de toute expérience gouvernementale va devoir parer au plus pressé : privatiser ce qui peut l’être, mais aussi relever le taux de la TVA, amputer les dépenses publiques, notamment dans le secteur de la santé, réduire les allocations chômage.
Toute la difficulté consistera à mener cette tâche à bien sans susciter une fronde sociale qui menace déjà et, pour poursuivre dans la métaphore médicale, en évitant que le, malade ne meure guéri.

(signé Yves Cornu )




“Igrejas legitimaram golpe militar”, afirma pesquisador















Padilha: “A Igreja Católica rompeu com a ditadura após o AI5 e a institucionalização da tortura no País.” Foto de José Patrício/Estadão

Um grupo de 11 pesquisadores, especialistas em questões religiosas e ligados à Comissão Nacional da Verdade, vem se reunindo desde novembro em São Paulo. Eles se dedicam a pesquisar as relações entre as igrejas brasileiras e a ditadura militar.
Sob a coordenação de Anivaldo Padilha, metodista e membro do Conselho Latino-Americano de Igrejas, o grupo trabalha neste momento com a revisão da literatura já existente sobre o tema. Também estão sendo iniciadas pesquisas em arquivos públicos. Numa segunda etapa serão colhidos depoimentos.
Padilha – que militou na organização de esquerda Ação Popular (AP), foi perseguido, encarcerado e obrigado a se exilar – diz que a literatura existente destaca sobretudo o papel da resistência da Igreja Católica à ditadura. Mas essa seria apenas uma parte da história. Entre as lacunas existentes e que devem ser pesquisadas pelo grupo, aparecem as questões do apoio que as igrejas deram à ditadura, principalmente antes de 1968, e o papel dos protestantes – ou evangélicos – naquele período histórico.
“As igrejas ajudaram a preparar o clima político que levou ao golpe militar de 1964”, diz Padilha. Na avaliação dele, só houve rompimento com a ditadura em 1968, quando ocorre a institucionalização da tortura e padres começam a ser presos. A seguir, alguns dos principais trechos da conversa com o coordenador do grupo.
O relatório do grupo vai focalizar as perseguições que a Igreja Católica sofreu na ditadura?
Já existem muitas pesquisas e informações sobre os setores da Igreja Católica que resistiram à ditadura e sofreram perseguições por causa disso. Temos pouca coisa, porém, sobre a resistência entre os protestantes. Vamos procurar mais informações sobre essa questão.
As igrejas sempre se opuseram à ditadura?
Não. Houve um período em que elas apoiaram. Esse apoio aparece de forma evidente no material sobre a preparação do golpe militar de 1964. Com o clamor anticomunista imposto ao Brasil naqueles dias, as igrejas foram utilizadas como instrumento político a favor do golpe. Ajudaram a preparar o clima que levou à derrubada do governo constitucional. As manifestações da Marcha da Família com Deus pela Liberdade foram o melhor exemplo disso. Ingenuamente, ou deliberadamente, as igrejas ajudaram a legitimar o golpe. Deram legitimidade religiosa.
E após o golpe?
Os estudos apontam que logo após o golpe não houve diferença entre as ações das igrejas protestantes e a católica: todas continuaram contribuindo para a legitimação da ditadura. Por meio de pronunciamentos e atos oficiais, bispos e cardeais apoiaram os golpistas até o final de 1968, com a promulgação do Ato Institucional nº 5 e a institucionalização da tortura como método sistemático de interrogatório, a prisão de padres e a implantação de um estado de terror. Foi nesse momento que a hierarquia católica reagiu de forma firme contra a ditadura.
E os protestantes?
As principais lideranças das igrejas protestantes continuaram apoiando o regime mesmo depois do AI-5. Foi só a partir de um determinado momento, já na década de 1970, que começa a haver um fortalecimento da oposição em setores protestantes e a sua aproximação com os católicos. De maneira geral, tanto os católicos quanto os evangélicos, em termos de instituição, tiveram posições dúbias em relação à ditadura. Não se deve ignorar, porém, que desde antes do golpe existia um setor ecumênico que apoiava as reformas de base que vinham sendo discutidas no Brasil e que se opunham à intervenção militar. É preciso aprofundar a análise de todos esses aspectos.
A hierarquia católica na Argentina também apoiou a ditadura. Foi diferente daqui?
Na Argentina, a Igreja Católica manteve seu apoio à ditadura militar do início até o final dela. Houve uma colaboração muito forte com o regime ditatorial, especialmente por meio das capelanias militares. Lá não houve só conivência ou omissão: foi sobretudo colaboração. Os protestantes, talvez pelos sérios conflitos que tinham com as instituições católicas argentinas, se opuseram ao golpe e depois tiveram um papel importante na resistência à ditadura.
Quais as dificuldades do trabalho do grupo de pesquisadores?
Nosso campo de pesquisa e investigação é muito amplo. Não vamos ter condições de cobrir essa amplitude, nem do ponto de vista geográfico, nem temático, dentro do prazo previsto. As igrejas estavam presentes em toda a extensão territorial do País. Teremos de fazer escolhas, buscar os casos emblemáticos, mais representativos do comportamento das igrejas.
O senhor foi perseguido?
Sou metodista e participei do movimento ecumênico que, desde a década de 1950, vinha discutindo politicamente reformas para o Brasil. Eu defendia as reformas de base reivindicadas em 1964. Por causa de minhas posições políticas e de minha militância na AP, fui preso em 1970 e permaneci um ano na prisão. Após ser libertado, tive de viver na clandestinidade, quando o cerco se fechou e fui obrigado a sair do Brasil. Passei pelo Uruguai, Argentina, Chile. Com o apoio do mundo ecumênico internacional, mudei para os Estados Unidos, onde vivi durante quase oito anos e, depois para Genebra, passando a atuar no Conselho Mundial de Igrejas.

A.G.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Os professores

Texto de Valter Hugo Mãe


















Os professores
Achei por muito tempo que ia ser professor. Tinha pensado em livros a vida inteira, era-me imperiosa a dedicação a aprender e não guardava dúvidas acerca da importância de ensinar. Lembrava-me de alguns professores como se fossem família ou amores proibidos. Tive uma professora tão bonita e simpática que me serviu de padrão de felicidade absoluta ao menos entre os meus treze e os quinze anos de idade. A escola, como mundo completo, podia ser esse lugar perfeito ... Ver mais de liberdade intelectual, de liberdade superior, onde cada indivíduo se vota a encontrar o seu mais genuíno, honesto, caminho. Os professores são quem ainda pode, por delicado e precioso ofício, tornar-se o caminho das pedras na porcaria de mundo em que o mundo se tem vindo a tornar. Nunca tive exatamente de ensinar ninguém. Orientei uns cursos breves, a muito custo, e tento explicar umas clarividências ao cão que tenho há umas semanas. Sinto-me sempre mais afetivo do que efetivo na passagem do testemunho. Quero muito que o Freud, o meu cão, entenda que estabeleço regras para que tenhamos uma vida melhor, mas não suporto a tristeza dele quando lhe ralho ou o fecho meia hora na marquise. Sei perfeitamente que não tenho pedagogia, não estudei didática, não sou senão um tipo intuitivo e atabalhoado. Mas sei, e disso não tenho dúvida, que há quem saiba transmitir conhecimentos e que transmitir conhecimentos é como criar de novo aquele que os recebe. Os alunos nascem diante dos professores, uma e outra vez. Surgem de dentro de si mesmos a partir do entusiasmo e das palavras dos professores que os transformam em melhores versões. Quantas vezes me senti outro depois de uma aula brilhante. Punha-me a caminho de casa como se tivesse crescido um palmo inteiro durante cinquenta minutos. Como se fosse muito mais gente. Cheio de um orgulho comovido por haver tantos assuntos incríveis para se discutir e por merecer que alguém os discutisse comigo. Houve um dia, numa aula de história do sétimo ano, em que falámos das estátuas da Roma antiga. Respondi à professora, uma gorduchinha toda contente e que me deixava contente também, que eram os olhos que induziam a sensação de vida às figuras de pedra. A senhora regozijou. Disse que eu estava muito certo. Iluminei-me todo, não por ter sido o mais rápido a descortinar aquela solução, mas porque tínhamos visto imagens das estátuas mais deslumbrantes do mundo e eu estava esmagado de beleza. Quando me elogiou a resposta, a minha professora contente apenas me premiou a maravilha que era, na verdade, a capacidade de induzir maravilha que ela própria tinha. Estávamos, naquela sala de aula, ao menos nós os dois, felizes. Profundamente felizes. Talvez estas coisas só tenham uma importância nostálgica do tempo da meninice, mas é verdade que quando estive em Florença me doíam os olhos diante das estátuas que vira em reproduções no sétimo ano da escola. E o meu coração galopava como se estivesse a cumprir uma sedução antiga, um amor que começara muito antigamente, se não inteiramente criado por uma professora, sem dúvida que potenciado e acarinhado por uma professora. Todo o amor que nos oferecem ou potenciam é a mais preciosa dádiva possível. Dá -me isto agora porque me ando a convencer de que temos um governo que odeia o seu próprio povo. E porque me parece que perseguir e tomar os professores como má gente é destruir a nossa própria casa. Os professores são extensões óbvias dos pais, dos encarregados pela educação de algum miúdo, e massacrá-los é como pedir que não sejam capazes de cuidar da maravilha que é a meninice dos nossos miúdos. É como pedir que abdiquem de melhorar os nossos miúdos, que é pior do que nos arrancarem telhas da casa, é pior do que perder a casa, é pior do que comer apenas sopa todos os dias. Estragar os nossos miúdos é o fim do mundo. Estragar os professores, e as escolas, que são fundamentais para melhorarem os nossos miúdos, é o fim do mundo. Nas escolas reside a esperança toda de que, um dia, o mundo seja um condomínio de gente bem formada, apaziguada com a sua condição mortal mas esforçada para se transcender no alcance da felicidade. E a felicidade, disso já sabemos todos, não é individual. É obrigatoriamente uma conquista para um coletivo. Porque sozinhos por natureza andam os destituídos de afeto. As escolas não podem ser transformadas em lugares de guerra. Os professores não podem ser reduzidos a burocratas e não são elásticos. Não é indiferente ensinar vinte ou trinta pessoas ao mesmo tempo. Os alunos não podem abdicar da maravilha nem do entusiasmo do conhecimento. E um país que forma os seus cidadãos e depois os exporta sem piedade e por qualquer preço é um país que enlouqueceu. Um país que não se ocupa com a delicada tarefa de educar, não serve para nada. Está a suicidar-se. Odeia e odeia-se.

J. P.


Proposta de Recomendação CDU AMPorto 28 Jan



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AMuP-propBE


AMuP28Jan-comercio-rest.doc
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J. P.

Chavez supera infecção respiratória e pode retornar a Caracas “em semanas”, diz ministro













O presidente da Venezuela, Hugo Chavez, superou a infecção respiratória causada pela quarta cirurgia contra um câncer realizada em Havana, anunciou o ministro das Comunicações venezuelano, Ernesto Villegas. Ainda segundo o ministro, o presidente pode retornar a Caracas “em semanas”.
“A infecção respiratória foi superada, embora persista um certo grau de insuficiência respiratória, que está sendo devidamente tratado”, assinalou o ministro em Santiago, durante a reunião de cúpula Celac-UE.
“Quarenta e cinco dias após uma cirurgia para a remoção de uma lesão maligna na pélvis”, que gerou complicações respiratórias severas, a evolução geral de Chavez é favorável, afirmou Villegas, ao ler um comunicado para a tevê venezuelana.
“O comandante Chavez segue integralmente o tratamento médico, e sempre esteve ativo em seu processo de recuperação, que não está concluído”, acrescentou o ministro.
Villegas reafirmou ainda que o governo venezuelano irá processar o jornal espanhol El País, que publicou esta semana uma fotografia falsa de Chavez entubado no hospital.
“O jornal pediu desculpas aos leitores, mas não ao presidente Chavez, a seus familiares, ao povo venezuelano, aos latinos que apoiam o presidente, e, sequer, ao paciente desconhecido que teve sua fotografia publicada na capa”, criticou Villegas. “É uma atitude arrogante, que corresponde a uma aversão histórica e sistemática desse jornal à liderança de Chavez.”.
O presidente não aparece em público desde uma complexa cirurgia em 11 de dezembro do ano passado, quando foi para Cuba se submeter a uma nova cirurgia, depois que exames revelarem a volta do câncer.
Em tratamento, ele não compareceu à posse para o seu novo mandato como presidente da Venezuela, marcada para o último dia 10 de janeiro. A ausência de Chavez foi autorizada pelo Tribunal Eleitoral da Venezuela.
Vice diz que Chavez está em seu melhor momento
Neste sábado, o vice-presidente venezuelano, Nicolás Maduro, disse que Chavez está em seu “melhor momento” desde a cirurgia há 45 dias. “Ele tem um sorriso que está cheio de luz, seus pensamentos estão iluminados”, declarou o vice.
Após voltar à Venezuela depois de uma visita ao presidente, Maduro acrescentou que Chavez tomou importantes decisões econômicas para fortalecer as exportações do país.
Os comentários de Maduro sobre a política econômica surgem em meio a especulações de que a Venezuela está preparando uma desvalorização de sua moeda, o bolívar, o que iria melhorar as finanças do Estado porque resultaria em mais bolívares para cada dólar proveniente das exportações de petróleo.
A desvalorização tornaria as exportações mais competitivas ao reduzir os custos locais de produção e estimular a indústria nacional, já que os importados ficariam mais caros em relação aos produtos locais.
“Nós vamos desenvolver a capacidade da nossa economia de exportar”, disse Maduro.
Há várias semanas os líderes empresariais vêm dizendo que a desvalorização é necessária para aliviar a periódica escassez de produtos decorrente da escassez de dólares.

T. M.