sexta-feira, 7 de junho de 2013

PSD e CDS defendem maior exigência perante a troika

Intervenções de Miguel Frasquilho e João Almeida muito críticas para os credores internacionais.
Miguel Frasquillho


 O porta-voz do CDS João Almeida criticou fortemente a posição da Comissão Europeia sobre o reconhecimento de erros no programa da Grécia por parte do FMI e defendeu que Portugal tem de ser exigente perante a troika. A mesma linha de discurso foi feita por Miguel Frasquilho, vice-presidente da bancada do PSD, que defendeu a necessidade de Portugal “ter mais tempo” para pagar a dívida.
“Não podemos permitir o reconhecimento envergonhado de erros. Não podermos admitir divergências públicas entre diferentes instituições”, disse João Almeida, questionando como é que se pode explicar os sacrifícios aos portugueses quando “os parceiros internacionais perdem tempo” a discutir os erros do relatório do FMI sobre o programa de ajustamento da Grécia.
O vice-presidente da bancada centrista condenou as declarações feitas pelo comissário europeu Olin Rehn (disse que o FMI está a “lavar as mãos e deitar a água suja para os europeus): “São totalmente inaceitáveis e devem merecer o repúdio dos portugueses. Como é possível dizer que o FMI está a sacudir água do capote?”, criticou João Almeida.
Defendendo que “Portugal tem de exigir permanentemente a adaptação do programa à realidade”, o dirigente centrista assumiu que “o esforço dos portugueses já foi ao limite do aceitável”: “É altura de exigir o mesmo esforço aos nossos parceiros.”
Logo depois, o líder da bancada bloquista, Pedro Filipe Soares, reagia: “Dizer, como o CDS, que temos de exigir mais à troika por já não podemos exigir mais aos portugueses, é dizer que tem de haver consequências destas palavras quando hoje mesmo votamos.” O mesmo pediu o deputado Basílio Horta, do PS, dirigindo-se à bancada centrista: “Espero que o CDS tire as consequências do seu discurso.”
Já antes o vice-presidente da bancada do PSD Miguel Frasquilho tinha deixado críticas às instituições internacionais. “A troika tem actuado sempre com atraso – como se diz, atrás do prejuízo ou behind the curve – e isso é o que não devia ter acontecido. Porque só tem ajudado a piorar a situação, quer em termos económicos e sociais, quer dificultando o consenso político e com os parceiros sociais”, afirmou.
O deputado do PSD defendeu, por isso, a necessidade de que “as orientações europeias mudem”. E de Portugal ter mais tempo. “Lançar austeridade sobre austeridade, como foi imposto pela troika, não resultou como estava previsto no memorando. Urge, por isso, alterar o rumo dos acontecimentos. Portugal precisa de mais tempo da parte dos credores”, defendeu, sublinhando que Portugal só pode pagar a sua dívida se tiver condições. “Nomeadamente, mais tempo e deixar respirar a economia. Sem gerarmos riqueza, não conseguiremos pagar a nossa dívida. E, senhores deputados, nós queremos pagar a nossa dívida!”, concluiu.
Miguel Frasquilho salienta o que está em causa na necessidade desta mudança de orientação: a própria sobrevivência do euro. “Não é só Portugal que tem a ganhar com uma mudança de orientação da Europa. Vou mais longe: é o próprio projecto europeu que está em jogo. É da sobrevivência do euro que estamos a falar”, afirmou.
=Público=

Ministério culpa sindicatos pelo acordo falhado com professores

Secretário de Estado da Administração Escolar, Casanova de Almeida, diz que não houve «qualquer abertura» para negociar

Governo e sindicatos falharam esta quinta-feira um acordo para evitar a greve dos professores, que começa na sexta-feira para as avaliações, com o Ministério da Educação a acusar as estruturas sindicais de não se terem concentrado no setor da Educação.

«Não houve nenhuma proposta para chegarmos a um entendimento de criar um verdadeiro sistema que excecionasse as condições de aplicação do sistema de requalificação aos docentes», criticou esta noite o secretário de Estado da Administração Escolar, Casanova de Almeida, no final da ronda negocial, em declarações aos jornalistas.

Os sindicatos do setor da Educação reuniram hoje com o secretário de Estado da Administração Escolar, Casanova de Almeida, e com o Secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, nas instalações do Ministério da Educação e Ciência (MEC) no Palácio das Laranjeiras, em Lisboa, para negociar as novas regras aplicáveis à função pública.

Sobre a proposta do executivo apresentada aos sindicatos, Casanova de Almeida adiantou que «esteve em cima da mesa» a possibilidade de adiar a entrada dos docentes no sistema de mobilidade especial, agora chamado de requalificação profissional, assim como a possibilidade de os professores poderem beneficiar de uma contagem diferenciada no tempo de permanência no sistema de requalificação.

«Não houve por parte dos sindicatos qualquer abertura, porque não houve a possibilidade de se concentrarem sobre o setor da educação», acusou o governante.

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=TVI24=

quinta-feira, 6 de junho de 2013

«A CRIATURA VIL!»

Quando leio as Revelações de Marguerite Ebner, e percorro as suas crises, o seu adorável inferno, invade-me o ciúme.

Durante dias inteiros, ela não conseguia descerrar os dentes; quando, por fim, abria a boca, era para proferir gritos que exaltavam e faziam tremer o convento.

E que dizer de Angela Foligno? Ouçámo-la: “Contemplo, no abismo em que me vejo caída,  superabundância das minhas iniquidades, procuro inutilmente como as descobrir e revelar ao mundo, gostaria de ir através das cidades e das praças, com peças de carne e peixes pendurados ao pescoço, gritando: aqui está a criatura vil!”

Temperamentos sanguíneos, comprazendo-se nos extremos da degradação e da pureza, na vertigem dos meios subterrâneos e das alturas, os santos não se adaptam aos nossos raciocínios nem às nossas cobardias. Ver neles seres meditabundos é um erro completo.

Demasiado desenfreados, demasiado ferozes para poderem deter-se na meditação (que supõe o controlo de si próprio e, portanto, a mediocridade do sangue), se aspiram a descer até aos alicerces das coisas, a via que os conduz até lá não é propriamente “reflexiva”.

Sem compostura, sem o mais pequeno vestígio de estoicismo nos seus gestos e nas suas palavras, julgam que tudo lhes é permitido, passeiam a sua indiscrição através dos corações que perturbam, porque têm horror à paz, e não suportam uma alma conseguida. Condenar-se-iam a si próprios para não terem que se aceitar.

Ouçamos de novo Angela Foligno: “Ainda que todos os sábios do mundo e todos os santos do Paraíso me acabrunhassem com as suas consolações e as suas promessas, e o próprio Deus com os seus dons, se não me mudasse a mim, se não começasse no fundo de mim uma nova operação, em vez de me fazerem bem, os sábios, os santos e Deus exasperariam para além de tudo o que se pode exprimir o meu desespero, o meu furor, a minha tristeza e a minha cegueira.”

Não deveríamos, frente a estas declarações e a estas exigências, liquidar os nossos últimos restos de bom senso e lançar-nos como bárbaros nas “trevas da luz?”

Como nos decidiremos, porém, a fazê-lo, presos como estamos à enfermidade da modéstia? O nosso sangue é demasiado morno, os nossos apetites demasiado domados. Não fica a menos possibilidade de irmos para além de nós próprios. Até a nossa loucura é excessivamente comedida.

Derrubar as vedações do espírito, abalá-lo, desejar a sua ruína – eis a fonte do que é novo! Tal como é, o nosso espírito mostra-se avesso ao invisível ao invisível e não vê senão o que já sabe.

Para que se abra ao verdadeiro saber, precisa de se desmantelar,, de atravessar os seus limites, de conhecer as orgias do aniquilamento.

A ignorância não seria a nossa sorte se ousássemos alçar-nos acima das nossas certezas e dessa timidez que, impedindo-nos de operar milagres, nos enterra a nós próprios.


Não termos nós o orgulho dos santos!

terça-feira, 4 de junho de 2013

Comunicado "CDU defende urgente requalificação do Bairro Rainha D. Leonor e desafia os outros candidatos a afirmarem o que defendem para o destino deste Bairro."

Aos órgãos de comunicação social:
Em anexo enviamos o comunicado  "CDU defende urgente requalificação do Bairro Rainha D. Leonor e desafia os outros candidatos a afirmarem o que defendem para o destino deste Bairro"resultante da visita da CDU ao Bairro Rainha D. Leonor, nesta manhã de 2 de Junho de 2013, para o  qual  solicitamos tratamento jornalístico. 

A visita teve a presença de Pedro Carvalho, Vereador e candidato à Presidência da Câmara Municipal do Porto.


Atentamente,

O Gabinete de Imprensa da CDU - Coligação Democrática Unitária / Cidade do Porto

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J. P.

Recomendação BE

De: Assembleia Municipal
Enviada: segunda-feira, 3 de Junho de 2013 16:20
Para: Secretariado do PS; Pelouro da Habitação; Pelouro do Conhecimento e Coesão Social; Pelouro do Turismo, Inovação e Lazer; Antónia Cunha; Pelouro da Proteção Civil, Fiscalização e Juventude; Vereação da CDU da CMP; Hugo Miguel Sousa Carneiro; Presidência; Pelouro do Ambiente; Nelma Vieira de Oliveira; Rita Araújo Ramalho

Assunto: Recomendação BE


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J. P.


segunda-feira, 3 de junho de 2013

UGT decide hoje se participa na greve geral de 27 de Junho

CGTP anunciou data na semana passada. O protesto junta sector público e privado.
Carlos Silva anuncia hoje adesão à greve geral.

O Secretariado Nacional e o Conselho Geral da UGT reúnem-se nesta segunda-feira para decidir se a central participa na greve geral de 27 de Junho, juntamente com a CGTP e os sindicatos independentes.
Embora a formalização da decisão dependa destes dois órgãos, há várias semanas que as duas centrais sindicais tentam a convergência. Segundo fontes da UGT, citadas pela Lusa “tudo se encaminha no sentido da participação na greve geral”.
O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, já tinha admitido a possibilidade de haver em Junho uma “jornada de luta conjunta”, tendo em conta a “situação que o país atravessa”. Na semana passada Carlos Silva e o líder da CGTP, Arménio Carlos, estiveram juntos no arranque no Metro de Lisboa, dando visibilidade a uma convergência no terreno.
A CGTP anunciou na sexta-feira uma greve geral para dia 27 de Junho contra as políticas de austeridade do Governo e por eleições antecipadas.
“Esta é uma greve geral de todos e para todas e também para mudar de política, para mudar de Governo e para promover eleições antecipadas”, declarou o líder da CGTP. Arménio Carlos acrescentou: “Se é verdade que o Presidente da República quer salvar o Governo, nós queremos, com esta luta, salvar o país".
Também para esta segunda-feira, uma frente de sindicatos da função pública, liderada pelo Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE) da UGT, marcou uma conferência de imprensa para anunciar a adesão à greve geral. A frente junta o Sindicato Nacional dos Professores Licenciados (SNPL), o Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI), o Sindicato dos Enfermeiros (SE), o Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP) e o Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem (SIPE).
Na passada sexta-feira, a Federação de Sindicatos da Administração Pública (FESAP), também da UGT, já tinha garantido que estavam reunidas as condições para na função pública se realizar uma greve conjunta.
Num comunicado, a FESAP convoca“uma greve da Administração Pública para o dia 27 de Junho, convergindo assim com todas as organizações sindicais no sentido da realização de uma greve geral”.
=Público=

Marcelo diz que Vítor Gaspar é “bastante inútil” para o Governo

Ex-líder do PSD admite que mudou de ideias em relação ao ministro das Finanças e que este devia ser dispensado.
O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, foi útil numa primeira fase mas tornou-se “bastante inútil” para o Governo, considerou neste domingo o ex-líder do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa.
Rebelo de Sousa defendeu na TVI que Passos Coelho tem de “pensar seriamente” em prescindir de Vítor Gaspar após as eleições autárquicas, por entender que o ministro passou a ser “um problema” para o Governo.
“É ao fim de dois anos que ele [Vítor Gaspar] descobre que os juros não deviam estar assim e que o prazo de pagamento não devia estar assim?”, questionou o comentador, referindo-se às declarações do ministro das Finanças na quarta-feira passada, na comissão parlamentar de acompanhamento do programa de ajustamento.
Gaspar acusou o anterior governo socialista, liderado por José Sócrates, de ter “negociado mal” o memorando com a troika e ter deixado o país numa “situação extremamente fragilizada”.
Para Marcelo Rebelo de Sousa, o discurso do ministro revela “falta de sentido de Estado” e “oportunismo”.  “Os erros e o discurso interno são de tal forma desastrosos que não compensam o prestígio externo” de Vítor Gaspar, afirmou.
Rebelo de Sousa admitiu que mudou de ideias em relação ao ministro das Finanças. “Sempre disse que Vítor Gaspar era uma mais-valia, mas começa a ser uma menos-valia dpara o Governo”, disse. “Se eu fosse primeiro-ministro ele tinha os dias contados, mas não sou primeiro-ministro”.
=Público=